Zika vírus: fruto da semicolonialidade e semifeudalidade

Jailson de Souza | Jornal A Nova Democracia

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A assim chamada “comunidade internacional” se mostra cada vez mais estarrecida com o aumento dos casos registrados de Zika vírus (e sua confirmada ligação com os casos de microcefalia) no país cuja cidade-sede das Olimpíadas 2016 está localizada; e, para variar, mais uma vez, o transmissor de mais esse vírus é o famigerado aedes aegypti, também transmissor dos vírus da febre amarela, dengue e febre chikungunya. Para agravar todo esse caos relacionado ao Zika vírus, ainda há grandes indícios de relação entre ele e mais uma doença (além da microcefalia), que seria a síndrome de Guillain-Barré¹ (que teve casos registrados nas regiões mais afetadas por Zika vírus, no Brasil e em vários outros países da América Latina).

Para deixar ainda mais “preocupadas” as autoridades imperialistas, o outrora limitado ao terceiro mundo Zika vírus atinge agora o primeiro mundo, tendo sido registrado importação do vírus (sem a presença do mosquito transmissor) na França, Itália, Espanha, Reino Unido, USA, etc., o que não é menos preocupante já que há indícios de ser também sexualmente transmissível. O temor dos gerentes imperialistas está na ligação entre o vírus com os casos de microcefalia e toda a gama de outras doenças que o vírus provoca.

O Zika vírus (em particular) e todos os vírus epidêmicos (em geral) são frutos e produtos do capitalismo burocrático e da dominação semicolonial e semifeudal; é consequência indireta, mas anunciada, da dominação imperialista, agravando e sendo agravado pelo entrave semifeudal que representa o latifúndio em nosso país e em todo o terceiro mundo.

Pegando como exemplo o Zika vírus e seu principal meio de transmissão, o mosquito aedes aegypti, chegaremos a essa conclusão. O mosquito transmissor não está favorável a sobreviver, procriar e se desenvolver de tal modo como aqui no terceiro mundo em qualquer ambiente, como, por exemplo, em ambientes com alto nível de urbanização hoje somente vistos nos países imperialistas (nos países de terceiro mundo, urbanização é sinônimo de favelização²). É a semicolonialidade e semifeudalidade que propicia sua existência (o mosquito e, consequentemente, os mais variados vírus transmitidos por ele) nos países de terceiro mundo. Não à toa, todos os vírus epidêmicos — não se limitando aos transmitidos pelo aedes aegypti — como o ebola, “gripe suína” (H1N1) e tantos outros que promovem verdadeiros genocídios, surgem aqui, no terceiro mundo, sobretudo África e Ásia, mas também na América Latina, e só depois atacam o primeiro mundo — quando chegam a atacar.

Nasce e é condicionado aqui, pela miséria e atraso que são produzidos pela exploração semicolonial e semifeudal, e daqui, do terceiro mundo, se desenvolve e “invade” (quando muito) a casa dos senhores imperialistas: é esse o trajeto e a história do Zika vírus e de mais tantos outros vírus epidêmicos que existiram, existem e ainda hão de existir enquanto condicionados pela semicolonialidade/semifeudalidade.

Para termos noção do tamanho atraso que nos impõe o imperialismo e para que compreendamos que este problema (epidemias) é condicionado pela semifeudalidade/semicolonialidade, basta lembrarmos que o mosquito transmissor aedes aegypti chegou a ser erradicado no território nacional temporariamente, por várias campanhas lideradas pelo epidemiologista Oswaldo Cruz no início do século XX, durante uma epidemia de febre amarela; mas ressurgiu pouquíssimos anos depois, pior do que antes, transmitindo as mesmas doenças que já conhecemos há décadas — ou até mesmo séculos. Hoje, o mesmo mosquito e as mesmas doenças, inclusive várias que já possuem vacinas, seguem matando as massas pobres.

Enquanto na África, Ásia e América Latina, os mais variados vírus epidêmicos promovem matanças de populações inteiras, tornando-se até mesmo epidemias nacionais e continentais; na pauta do imperialismo são sumariamente excluídos da ordem do dia da tal “comunidade internacional”, ganhando o devido destaque só quando batem à porta dos lares do primeiro mundo. Como exemplo, os surtos de ebola tratados de forma criminosa pelos governos semicoloniais na África, deixando as massas para morrer como gado doente; é assim que o imperialismo instrui seus gerentes de turno nas colônias e semicolônias a tratar os problemas das massas que eles mesmos causaram.

Os casos interligados de Zika vírus e microcefalia que estão afetando em massa os mais novos filhos de nosso povo no nordeste e se alastrando por outras regiões do Brasil, é nada menos que mais um crime contra a humanidade do sistema imperialista mundial e seus lacaios internos. Não obstante, isso tudo representa o estágio mais avançado de decomposição do imperialismo, em que as massas já não aceitam viver nessas condições e, consequentemente, seu varrimento total da face da Terra é consequência inevitável.

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Notas

1 - “A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica grave caracterizada pela inflamação dos nervos e fraqueza muscular, que em alguns casos pode ser fatal. Geralmente ela é diagnosticada após algumas semanas de uma infecção viral como dengue ou Zika Vírus, por exemplo. As causas da Síndrome de Guillain-Barré estão relacionadas com as defesas do próprio organismo, porque neste caso os anticorpos devido a um erro, atacam o próprio sistema nervoso periférico, destruindo a bainha de mielina que recobre os nervos, gerando os sintomas. Ao perder a bainha de mielina que recobre os nervos, estes ficam inflamados e isto impede que o sinal nervoso seja transmitido para os músculos, levando a fraqueza muscular e a sensação de formigamento nas pernas e nos braços, por exemplo.” (Dr. Arthur Frazão, disponível: http://www.tuasaude.com/sindrome-de-guillain-barre/)

2 - “O desenvolvimento mais intenso do capitalismo industrial no Brasil se deu associado ao capital externo mantendo relações atrasadas no campo, ou seja, capitalismo de tipo burocrático..., principalmente a partir dos anos 50, e foi acompanhado da expulsão do campesinato e do inchaço de metrópoles. Os governos não dotaram as cidades de condições adequadas de urbanização. Diante de um mercado interno limitado devido à manutenção da propriedade da terra nas mãos da antiga classe latifundiária, a industrialização restrita não absorveu a totalidade da população que migrou resultando na enorme quantidade de trabalhadores informais. A consequência foi a favelização e a persistência da pobreza, que mantêm as doenças infecciosas e intensificam as causas violentas de morte.” (MANIFESTO, Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo, disponível: https://saudedopovo.wordpress.com/2015/11/21/manifesto/)