UM TARADO EM COPACABANA

Colaboradores do Rebate Luciano Moojen Chaves

Fui criado em Copacabana. Hoje em dia vivo mais no mato do que na cidade grande. Adoro a mata do nosso sítio. O lago onde pesco sempre.
Sempre urinei no quintal. Mais de década fazendo isto. Uma vez por semana vem uma diarista aqui. Sempre encontra os banheiros perfumados. “Os banheiros estão limpos. Só vou passar um pano”.
Em frente à porta da cozinha tem três árvores. Urino na pitangueira, no pé de acerolas e na acácia. Por mais de década, repito.
Minha família mantinha um apartamento de dois quartos na Av. Copacabana, em frente à Rua Fernando Mendes. Apartamento este que ficava em andar comercial; onde era o consultório de psicologia de minha irmã. O outro quarto era meu. Neste mesmo andar, havia um famoso Curso de Inglês que ocupava três apartamentos. A secretaria ficava em frente ao nosso.
Numa sexta feira fui pra praia de manhã cedo. Encontrei a turma do futebol de areia do Camões (Camões é um antigo prédio que fica em frente à praia, na esquina da Rua Figueiredo Magalhães).  Marcamos uma pelada às 4 da tarde.
Pouco depois do meio dia, entrei em “casa”. Tomei banho. Coloquei nova sunga de praia e o short pro futebol. Almocei camarões fritos com arroz e salada. Para fazer hora, sentei na sala e liguei a televisão. Lembro até do canal: HBO. Cochilei. Homem quando acorda com vontade de urinar, acorda de pau duro. Não é excitação. Vontade de urinar mesmo. Foi o que aconteceu. Acordei – pensando estar no sítio – botei o pau pra fora e abri o apartamento. Fila de estudantes na porta da tal secretaria. Puta merda! Pânico total!!! Tranquei o apartamento com as cinco fechaduras. Apavorado, esperando a polícia chegar... Telefonei para advogados amigos. Que riam muito do meu relato. Rick - sagaz - falou o seguinte: “Seis e meia estarei ai. Não abra a porta para a polícia. Eles não vão arrombar o apartamento. Pois para tal, só com ordem judicial. Iremos juntos na delegacia”. Seis e quinze pancadas na porta do apto. Coração na mão... Pelo olho mágico avistei o Rick. Coloquei-o rapidamente pra dentro... O desgraçado se entortando de tanto rir...: “Vamos descer para beber Chopp”. E eu: “Descer porra nenhuma. Deve ter viatura e imprensa lá embaixo”. E ele...: “Tem não. Já verifiquei. Sou seu advogado, porra!!! A dona do curso não chamou a polícia. Não quer propaganda negativa na imprensa sobre o seu negócio”.
Caraio!!! Que merda! E que sorte! A tal dona do curso livrou-me de vexame em capas de jornais. 
Descemos... Porteiro e o síndico nos olhando de banda... Fomos para o “Sindicato do Chopp” da Rua Santa Clara. Saímos de lá na madrugada.
Fiquei com fama de tarado. Deixei de frequentar o prédio. Jamais faria uma coisa destas conscientemente. Pura verdade! Vida que segue.