Brasil, um Estado policial

Colaboradores do Rebate Marcos Espínola*

Antigamente os noticiários eram marcados pela forma com a qual cada veículo tratava a notícia. Uns mais sensacionalistas outros nem tanto, além daqueles de caráter mais econômico. Ainda é assim, mas há décadas atrás, antes do fenômeno internet, era ainda mais notória essa segmentação e os veículos mais populares eram rotulados como “sangrentos”, pois traziam, detalhadamente, notícias sobre assaltos, brigas, assassinatos etc. Atualmente, a mídia impressa, eletrônica ou online se vê de forma quase unânime, obrigada a ocupar a maior parte de seus espaços com o noticiário policial, que é a agenda do país.
Recentemente chamei a atenção para o fato de o Estado brasileiro, constituído por três poderes, estar tendo como protagonista o Judiciário, tamanha é a demanda de denúncias e delitos de toda ordem. No entanto, numa análise mais fria, fica claro que a instituição polícia tem, através de muito trabalho e crescente demanda, tomado conta dos holofotes, o que não é nada bom para a nação.
A Polícia Federal vem prestando um papel social de extrema importância ao investigar esquemas milionários, envolvendo políticos. Cifras incalculáveis que, certamente, impactam no crescimento e na credibilidade do país e, essencialmente, numa gestão econômica saudável que poderia beneficiar a população.
Quanto às polícias civil e militar, o trabalho tem sido interminável na tentativa de manter a ordem pública. Afinal, nos últimos dois anos, com a “falência” do projeto das UPP’s, notoriamente o crime organizado tem avançado. Com a crise econômica, o aumento do desemprego e, principalmente a falta de oportunidade também tem contribuído para o aumento da violência. Somente neste ano mais de 80 policiais morreram no Estado do Rio, tanto em atividade quanto em dias de folga.
 Enfim, o Estado democrático de direito se tornou num Estado policial e enquanto esse comando do país, que é alvo de inúmeras denúncias, se permanecer agarrado ao poder, dificilmente atrairemos investidores e tampouco acalmaremos o mercado financeiro.
Dentre tantas reformas em debate, a política talvez seja a mais emergencial, aproveitando esse momento turbulento para repensar com maturidade a política nacional, iniciando um novo momento, sem corrupção e esquemas. Nem que para isso, realmente seja necessária nova eleição direta.

* Advogado Criminalista