Sobre o imbróglio do corte de subvenções às escolas de samba

Colaboradores do Rebate *Almir da Silva Lima

Os prefeitos carioca Marcelo Crivella (PRB) e o paulistano João Dória Junior (PSDB) anunciaram que reduzirão as subvenções para as escolas de samba das cidades que governam. Segundo o prefeito carioca, o Carnaval 2018 das atuais 13 escolas de samba da 1ª divisão ou do Grupo Especial vão receber um montante de R$-12 milhões a menos. Ou seja, será de 50% o corte em relação ao montante recebido pelas agremiações em 2016 e 2017. O fato está causando protestos por parte das direções das 13 escolas de samba e da LIESA, a liga que as representam e junto com a Riotur organizam os desfiles carnavalescos no sambódromo Professor Darcy Ribeiro, na passarela da Marquês de Sapucaí.
O prefeito carioca comprou briga com o mundo do samba e diz que não voltará atrás. Quando da tradicional abertura do Carnaval 2017 ele nem compareceu à cerimônia de entrega das chaves da cidade à Corte do Carnaval. Isto é ao rei momo, à rainha e às duas princesas, assim como também não compareceu aos desfiles das escolas de samba. O que tem levado as direções das agremiações a desconfiarem ser a conhecida intolerância à Carnaval e ao mundo do samba dos adeptos das religiões pentecostais. Ele é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de “Deu$” e não definiu percentuais nem como serão as reduções de verbas públicas para agremiações das demais divisões ou séries.   
A 2ª divisão ou Série A do Carnaval Carioca também conta com 13 agremiações. A liga que as representam e organiza os desfiles carnavalescos no sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade, junto com a Riotur é a LIERJ. Já os desfiles das demais 60 escolas de samba são realizados na passarela popular da Intendente Magalhães, no bairro suburbano Campinho, organizados pela liga que as representam, LIESB junto com a prefeitura carioca. Tais 60 agremiações estão assim distribuídas: São 12 na 3ª divisão ou Série B - 14 na 4ª divisão ou Série C - 14 na 5ª divisão ou Série D e 20 na 6ª divisão ou Série E que é o antigo grupo de avaliação de blocos transformados em escolas de samba.                                           
Conforme ocorre mundo afora nas sociedades divididas em classes sociais, isto é nas sociedades capitalistas, a Arte e a Cultura representadas pelo Carnaval e pelo Samba mais o Turismo funcionam enquanto áreas dissociadas daquilo que as próprias elites ou burguesias, assim como os governos propagandeiam ser prioridade absoluta, Educação. Então, como o estado isto é os governos são os comitês centrais dos negócios do interesse da burguesia, a arte e a cultura do Carnaval e do Samba mais Turismo que são áreas da Educação acabam funcionando como negócios que movimentam somas bilionárias. Dito pelo setor privado e pela prefeitura carioca, o Carnaval Carioca 2017 movimentou R$-3 bilhões.
Já o prefeito paulistano João Dória Junior (PSDB) usa estratégia diferente da do colega carioca na redução das verbas públicas para o Carnaval e as escolas de samba. Segundo o prefeito que é empresário-publicitário, as verbas públicas para a Folia 2018 estão garantidas e o seu governo se empenhará para a iniciativa privada cobrir o não-definido corte no montante das mesmas. O que o prefeito chama não de diminuição, mas sim de mudança de carimbo (sic). Em SP o mundo do samba ainda não reagiu através de movimento de protesto. Porém, no RJ a Frente Popular pelo Samba realizará nesta 6ª feira, 23/06/2017, à porta da sede da prefeitura, no bairro central Cidade Nova, sua 2ª manifestação de protesto.    
Os desfiles das escolas de samba e o Carnaval de rua devem obrigatoriamente se tornar monopólio estatal, com transparência e ética nos bilionários investimentos públicos. Ou seja, o poder público representado no RJ pela Riotur e em Sampa pela SPturis, juntamente com a Subsecretaria Municipal de Educação para a Arte e a Cultura de Carnaval & Samba deve conceber, gerir e executar o Carnaval de Rua e os desfiles das agremiações. Estas, através de suas ligas representativas, enquanto instituições privadas do interesse público-comunitário, devem passar a cumprirem os honrosíssimos papeis de órgão de consulta, apoio e principalmente de fiscalização dos bilionários investimentos públicos.   
Tudo isso passa necessariamente pelas seguintes palavras-de-ordens reivindicativas:

Fora Crivella e Pezão!
Fora Câmara Municipal do RJ e Assembleia Legislativa Fluminense!
Fora Dória e Alckmin!
Fora Câmara Municipal de SP e Assembleia Legislativa Paulista!
Fora Temer e o Congresso Nacional!
Por Assembleias Populares Constituintes nos Níveis Municipal, Estadual e Nacional! Por Governos dos Trabalhadores!   

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*jornalista – é torcedor da Portela no RJ, da Nenê de Vila Matilde em SP, militante do Movimento Negro Socialista (MNS) e da seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI) a Esquerda Marxista (EM) corrente interna do PSOL.