O mau uso da Petrobrás

Argemiro Pertence Argemiro Pertence

Nada melhor que este momento para mostrar que a Petrobrás é capaz de fazer maus negócios como o da refinaria de Pasadena (EUA). Isto demonstra que outros maus negócios podem estar sendo planejados ou em andamento. A ampliação da produção no pré-sal pode ser um deles. 

Embora haja mérito em alcançar tamanhas profundidades, ainda assim o petróleo e o gás oriundos desses reservatórios continuam sendo, ao lado do carvão, fontes sujas de energia. Alguns fatores podem tornar o pré-sal inviável: a Petrobrás não controla o preço do petróleo, o custo de produção do petróleo do pré-sal ainda não está totalmente definido e pode ocorrer a qualquer momento uma super-oferta de shale oil pelos EUA ou pelo Canadá.

Enquanto o preço do petróleo estiver acima dos US$ 70 ou US$ 80, o pré-sal estará a salvo. Todavia, um ajuste para baixo inviabilizará o bilionário investimento da Petrobrás.

É fato conhecido que cerca de 70% de todo o petróleo produzido no mundo destina-se ao sistema de transportes, ou seja: automóveis, veículos de carga e de transporte coletivo. Por outro lado, os motores desses veículos têm muito baixo rendimento - desde 26% para os automóveis a 33% para os veículos maiores. São máquinas ainda bastante atrasadas, embora cercadas de requinte, luxo e tecnologia barata.

A foto que inaugura este texto mostra um fato que torna mais nocivo o uso de derivados de petróleo como fonte de energia. Metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e dezenas de outras Brasil e mundo afora não têm todo o espaço necessário para que todos os veículos de seus moradores possam circular.

É  comum observar milhões de veículos nas metrópoles de nosso mundo parados por horas e consumindo milhões de toneladas de combustíveis diariamente.

Ademais, a simples observação dos veículos de passeio sitiados nesses congestionamentos nos mostra que em 80% dos casos eles transportam apenas o motorista, embora tenham sido feitos para transportar 4 ou 5 pessoas.

Um balanço honesto deste tema torna claro que o emprego de derivados de petróleo para uso em veículos de transporte não é uma opção inteligente. O quadro atual permite ver que existe uma conexão corrupta entre a indústria do petróleo e a automobilística e sobre tudo isto há o aval governamental.

Cada vez mais se divulga a redução dos custos de geração de energias renováveis e limpas, especialmente a fotovoltaica e a eólica. Esta redução de custos se dá marcadamente em países de ponta da Europa Ocidental e na China.

No Brasil, entretanto, insiste-se em glorificar a Petrobrás como deusa de novas descobertas e, eventualmente, de produção de fontes de energias sujas - o petróleo e o gás - no pré-sal. Por que não tornar a Petrobrás uma empresa de energia e desviar alguns bilhões de dólares que seriam investidos no pré-sal para a pesquisa de fontes limpas e renováveis de energia?