A Petrobrás com visão social não existe mais

O uso e a queima de derivados de petróleo, embora buscada e advogada em larga escala mundo afora, tem efeitos danosos não só sobre o meio ambiente, mas também diretamente sobre a vida humana.

Por exemplo, o benzeno, substância derivada do petróleo, encontrada na nossa gasolina do dia-a-dia, é cancerígena e lesiva ao organismo humano mesmo em baixas concentrações. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estabelece limites de benzeno para a gasolina comercializada no Brasil em, no máximo, 1,2% para a gasolina do tipo A (sem adição de álcool e aditivos) e 1% para gasolina tipo C (após a adição de álcool e aditivos nas distribuidoras).

Além desse risco, as atividades de risco que envolvem grandes concentrações de benzeno que utilizam e produzem a substância e suas misturas com mais de 1% de concentração por volume são as indústrias siderúrgicas, químicas e petroquímicas. Outro grupo que está exposto mesmo em concentrações menores de 1% são os trabalhadores de postos de gasolina, oficinas mecânicas, indústria de produção e utilização de colas, solventes, tintas e removedores, indústria de borracha e indústria gráfica.

Há ainda no Brasil outra situação de elevado risco para a população, fruto de nosso atraso tecnológico e do desleixo das autoridades e da Petrobrás. É o caso do diesel utilizado atualmente no Brasil, com alto teor de enxofre e extremamente poluente. O combustível provoca doenças cardiovasculares, respiratórias e até mesmo o câncer.

Após um grande atraso, a Petrobrás planeja construir, a partir de 2010, plantas de hidrodessulfurização de gasolina visando reduzir o teor de enxofre neste derivado. A instalação dessas unidades vai permitir à Petrobrás especificar gasolina com 50 partes por milhão (ppm) de enxofre. Hoje a gasolina brasileira é comercializada com 1.000 ppm. O resultado da redução do teor de enxofre é uma melhoria na qualidade do ar, já que deixarão de ser lançadas diariamente na atmosfera cerca de 72 toneladas de dióxido de enxofre.

A presença de altos teores de enxofre na gasolina e no óleo diesel tem feito muito mal à população de nossas grandes cidades. Este tipo de poluição mata três mil brasileiros por ano apenas na cidade de São Paulo, além de afetar a saúde de milhares de outras pessoas, causando até doenças crônicas. O problema estava sendo abordado por órgãos do governo e estava para ser, pelo menos, atenuado por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão do Ministério do Meio Ambiente, que previa a colocação no mercado de um diesel com menor teor de enxofre a partir do final de janeiro deste ano (2009).

Porém, um acordo fechado entre o governo, as montadoras de automóveis e a Petrobrás adiou seu cumprimento para 2012, passando por cima da resolução do Conama, cuja publicação é de 2002. É bom que se diga que no acordo que levou ao adiamento não houve qualquer participação da sociedade civil.

Este adiamento por três anos do cumprimento da resolução poderá resultar na morte de pelo menos 25 mil pessoas apenas na região metropolitana de São Paulo até 2040.

Tudo isto ocorre durante um governo teoricamente de origem popular e por pressão de uma empresa que já foi o orgulho dos brasileiros, em função de sua vencida visão social. Hoje na Petrobrás prevalece a visão de seus acionistas privados daqui e de Wall Street: o lucro acima de tudo!
 
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