PRIMEIRO BALANÇO GERAL

Arthur Soffiati Arthur Soffiati

Quinze países europeus começaram a Copa do Mundo de 2002: França, Irlanda, Dinamarca, Alemanha, Inglaterra, Suécia, Espanha, Eslovênia, Croácia, Itália, Bélgica, Polônia, Rússia, Estados Unidos (que, pelo estilo, considero europeu) e Portugal. Deles, restaram nove: Dinamarca, Inglaterra, Bélgica, Suécia, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Irlanda e Itália. A grande zebra européia foi a seleção francesa, campeã de 1998, eliminada logo na primeira fase sem marcar um gol sequer. Herdeiras do bom futebol iugoslavo, era de se esperar que Eslovênia ou Croácia passasse para as oitavas de final, mas ambas foram eliminadas. Surpresa foi também a Itália ter superado a primeira fase, já que apresentou um desempenho sofrível nos seus três jogos. A Polônia está muito distante do futebol que exibiu no passado. Não adiantou a Portugal contar com Figo, considerado pela Fifa como o melhor jogador do mundo em 2001. Uma andorinha só não faz verão. Com o jogo de hoje, já pelas oitavas de final, entre Inglaterra e Dinamarca, o primeiro time venceu tranquilamente o segundo por 3x0. Portanto, novis fora oito.
A América Latina começou com sete selecionados: Uruguai, Argentina, Paraguai, México, Brasil, Equador e Costa Rica. Restaram apenas três: Brasil, Paraguai e México. A grande decepção foi a Argentina, cotada como uma das duas (a outra foi a França, mais por conta de sua exagerada auto-confiança que pela avaliação de especialistas) mais fortes candidatas ao título mundial. A Inglaterra mandou-a cedo e melancolicamente para casa. Uruguai, em péssima campanha, também foi embora. Era de se esperar que Costa Rica e Equador também partissem. E agora também se vai o Paraguai, na primeira rodada das oitavas de final, derrotado pela Alemanha por 1x0. Sobraram apenas Brasil e México. Parece que a grande surpresa, entre os latino-americanos, foi o Brasil ter chegado à segunda fase, já que vinha se sustentando aos trancos e barrancos. Mas caindo numa chave fraca, ele apenas jogou três amistosos na primeira fase.
Dos cinco países africanos que começaram o campeonato – Senegal, Camarões, Nigéria, África do Sul e Tunísia – restou apenas o Senegal. Esperava-se campanha melhor de Camarões, que vinha revelando um futebol alegre e descontraído. Da mesma forma, a África do Sul alimentou esperanças em sua torcida, mas não resistiu à pressão de adversários mais experientes.
Finalmente, a Ásia iniciou com cinco países: Arábia Saudita, Turquia, China, Coréia do Sul e Japão. Arábia Saudita e China, praticando um futebol por demais ingênuo, foram logo eliminadas. Turquia dependeu da vitória do Brasil sobre a Costa Rica e da fraca seleção chinesa, que foi derrotada por ela por 3x0. Quanto ao Japão e à Coréia do Sul, comentam os entendidos que estão apresentando um futebol de bom nível, podendo mesmo ser consideradas as revelações da Copa. Sei não. Ambas estão jogando em casa e isto as coloca em campo com uma imensa torcida, que sempre cumpre o papel do 12º jogador.
Mas, no cômputo final, este primeiro balanço mostra apenas o que já se esperava. Se a Europa participa com mais selecionados, não é de estranhar que passe à fase seguinte também com uma representação maior. Segundo: os bons analistas estão apontando este campeonato como um dos mais fracos de todas as copas. A escola latino-americana de futebol, que estava ganhando terreno sobre a África, rendeu-se à escola européia. A arte foi abandonada em nome da eficiência. Todos estão jogando de forma muito parecida. O futebol também foi arrastado pela globalização, o que significa adotar o estilo dos países do norte, senhores da nova ordem mundial.