OPINIÃO: BRASIL EM TRÊS TEMPOS

Opinião Laerte Braga

Qual a diferença entre o PCC e o grupo GLOBO de comunicação? Bem, o primeiro trafica drogas, crime não tolerado pela lei. O segundo trafica notícias, mentiras, cumpre o papel de falsificar a realidade e abriga um prostíbulo com edição anual. É tolerado pela lei. Arrasta consigo o resto fétido da mídia de mercado.
No caso PETROBRAS, esquema de diretores nomeados por FHC para enriquecimento ilícito desde o decreto do ex-presidente que dispensou licitações, a mídia deu um jeito de enfiar José Dirceu. Contratado pela CAMARGO CORREIA para prestar serviços de consultoria, recebeu o valor combinado e segundo jornais, revistas, tevê, com ênfase para a GLOBO, o dinheiro saiu do esquema PETROBRAS. Delírio puro.
Em menos de doze horas estava desmentido. O contrato existiu, os serviços foram prestados em 2010, com Dirceu já fora do governo e o valor recebido declarado ao imposto de renda. O “crime”? Ser José Dirceu.
A desfaçatez da mídia e ausência de respeito ao ser humano transcendem ao jogo de forjar situações que não existem, para entrar na insânia, por incrível que pareça, consciente dos que babam por destruir reputações a seu bel prazer.
Já num outro tempo o juiz Sérgio Moro, que ainda não deu voz de prisão a ninguém que tenha ignorado suas “prerrogativas” divinas, mas logo deve fazê-lo, vai se mostrando o perfeito pau mandado de Gilmar Mendes no processo que trata de propinas e outros mimos na PETROBRAS. E entre outras coisas está desmoralizando a delação premiada. Corre ao sabor de interesses políticos, encontra abrigo na mídia,, é tudo organizado e orquestrado como nas grandes quadrilhas.
Filho de empreiteiro que presta serviços ao governo do estado do Paraná, tucano, empresário que tem um processo de falência arrastando-se no Judiciário faz tempo, nas costumeiras fraudes desse poder, é casado com uma assessora da vice governadora, filiada ao PSDB. Por azar, um dos envolvidos é Álvaro Dias, senador tucano que vive dentro de um armário e sai para pregar a moral e os bons costumes. Começa a aparecer o nome de Aécio Neves num bilhetinho da NORBERTO ODEBRECHT, empreiteira com várias obras em Minas nos governos tucanos, pedindo sua influência para que as investigações sejam paralisadas, isso numa CPI do Congresso Nacional.
Aécio convocou manifestação pela “democracia” em São Paulo e no Rio e foi para uma praia em Santa Catarina descansar, como é do seu feitio, eterno descanso de playboy. Deixou Lobão com a tarefa de montar o exército de menos de mil pessoas, uma espécie de manifestação fashion das elites paulistas e a turma contratada. Lobão/Bobão não tem a menor idéia de que como fazer, logo não fez.
Gilmar Mendes e Jair Bolsonaro são duas aberrações no processo político. Um tem a tarefa de blindar tucanos e seus interesses no Supremo Tribunal Federal. Outro de definir quem deve ou não ser estuprado na defesa constante que faz da tortura e da ditadura militar. Segundo ele “só não te estupro porque você não merece”. Referia-se a deputada Maria do Rosário.
Em qualquer parlamento decente do mundo estaria cassado por falta de decoro. Aqui é meio difícil, deputados borram-se ao movimentar dos coturnos e das câmaras de tortura.
Gilmar pretendeu/sonhou vetar as contas da campanha de Dilma Roussef e está esbarrando em impossibilidades. Segundo a jornalista Mônica Bérgamo, vai aprová-las com ressalvas feitas por técnicos escolhidos a dedo dentro do TSE, uma anomalia no poder Judiciário.
Não se conformam de terem sido derrotados na eleição. Já sonhavam com a privatização da PETROBRAS e a entrega do pré-sal. Isso sim, geraria propinas impensáveis.
São tempos de um Brasil, onde militares coonestam com a tortura e a barbárie e sentem-se incomodados com a verdade.
A rigor, bem mais que três tempos.