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Argemiro Pertence

Qui, 07 de Março de 2013 12:16 Argemiro Pertence
O Brasil tem 11,5 milhões de favelados, ou seja, um número equivalente à população de Cuba. O Brasil tem um sistema de educação pública caótico, de baixa qualidade e que não ensina ninguém a raciocinar e a se expressar. O Brasil tem um sistema de comunicações de massas parcial, partidarizado e destinado a pautar o que a população pode ou deve saber, em obediência aos interesses de seus patrocinadores.
É possível que pessoas formadas num sistema com as características citadas acima tenha liberdade de expressão? Não.
Cuba tem problemas? É claro que tem. Cuba tem favelados? Não. Cuba tem um sistema de educação público caótico, de baixa qualidade e que não ensina a raciocinar e a se expressar? Não. Cuba tem limitações à liberdade de expressão? Sim. Além disto, Cuba é vítima de um bloqueio covarde praticado pela maior nação do mundo há mais de meio século. É bom que se faça a ressalva: os EUA são a maior nação do mundo em termos econômicos e militares, mas não em termos humanitários. Cuba não tem a liberdade de importar e exportar bens e serviços livremente por imposição e chantagem da "maior democracia" do mundo. Enfim, Cuba está cercada. Cuba vive uma situação especial.
Mas voltemos ao Brasil. Esteve aqui há pouco uma "blogueira" cubana recebida como heroína por lutar contra a situação em Cuba. Parece piada, mas ela veio pedir apoio à sociedade brasileira na qual há um número de analfabetos funcionais igual à população cubana. Ela veio a um país onde há 11,5 milhões de favelados e outros milhões de pessoas incapazes de se expressar livremente por total incapacidade de fazê-lo, graças ao planejado sistema de educação básica caótico que aqui impera há décadas. A "blogueira" veio ao Brasil pedir apoio ao povo brasileiro, povo este pautado por quatro ou cinco grandes órgãos de imprensa. Quando dizemos "pautado" estamos querendo dizer que nossa gente, e isto inclui nossa classe média, tem sua informação limitada, dirigida e moldada por esses órgãos de imprensa.
Tomando ciência deste quadro da população brasileira, como alguém pode afirmar que apenas a população cubana não tem liberdade de expressão? A população brasileira tem essa liberdade? É claro que não tem. A blogueira cubana ignorou ou foi enganada a respeito desses dados.
Aos brasileiros que se sentiram preocupados com a situação em Cuba, recomendo que se preocupem antes com a situação no
Brasil.
Enfim, precisamos de um "blogueiro" brasileiro para restabelecer os fatos.

 

 
Qui, 24 de Janeiro de 2013 13:07 Argemiro Pertence
Todos conhecemos os resultados do famoso processo de "privataria tucana"e suas falcatruas, ocorrido em nosso país entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000. Nada foi apurado nem o será, pois tudo já está prescrito. Seus autores e condutores são hoje vetustos senhores, consultores de empresas e políticos aposentados. Os resultados? Enriquecimento de minorias e mais problemas para o país.

É muito comum nesses dias ouvir nas conversas cotidianas a expressão "nos Estados Unidos é assim ou assado...", como se tudo que se fizesse naquele país fosse referência para alguém.

O país do genocídio de milhões de indígenas, do racismo, das duas bombas sobre civis japoneses com o país já derrotado, da violência contra crianças e idosos no Vietnam, da agressão gratuita ao povo do Iraque e a dezenas de outros países não pode nem deve ser referência para quem quer que seja.

Para ficar dentro tom, é preciso dizer que nos EUA de hoje, a parte ativa do exército foi privatizada. Empresas privadas fornecem homens - os mercenários - para combates em situações de maior risco, para evitar as constrangedoras mortes de jovens americanos de classe média em conflitos cuja razão a maior parte da sociedade americana não compreende nem quer compreender.

Naquele país, em boa parte dos estados, as penitenciárias são privadas. Não por acaso, os EUA têm a maior população carcerária do mundo.

O limitado sistema de saúde pública americano só atendia até há pouco crianças e idosos. Aparentemente, o atual presidente conseguiu ampliar esse atendimento para pessoas mais pobres entre aqueles dois extremos. Todavia, sabe-se que a qualidade do sistema ampliado deixa muito a desejar. Resta, portanto, à classe média pagar por planos de saúde privados, apoiados em contratos draconianos e caros.

O Brasil periférico, que tanto orgulha alguns desavisados, apenas copia o que se faz de ruim por lá. Se é para copiar que o Brasil copie os bons exemplos europeus, especialmente os do norte da Europa.

O sistema de saúde pública brasileiro é desumano. Apenas quem pode pagar um plano de saúde privado pode ser tratado, apesar de já ter pago uma pletora de tributos que deveriam servir justamente para prover a população desse tipo de atendimento.

As Forças Armadas esvaziadas convivem com treinamento e equipamento desatualizados. O polícias estaduais são decadentes ao passo que as milícias estão em ascensão.

É nesta paisagem que, em Minas Gerais, a entrada em operação da primeira penitenciária privada de uma série de cinco ainda em construção, é noticiada pela imprensa como solução mágica. Foi construída por um consórcio privado que vai operar a casa por vinte e sete anos prorrogáveis. Seu negócio será remunerado pela quantidade de internos nas novas instalações. Ou seja, quanto maior o número de criminosos e de crimes, maior o lucro das operadoras. A mais simples observação desse tipo de remuneração fere toda lógica de uma sociedade que se pretende a caminho do equilíbrio social.

Apesar de o estado não nos eximir de pagar impostos, ele transfere suas funções para grupos privados, ampliando a concentração de renda e, portanto, o desnível social e a injustiça.

No âmbito federal está também em gestação um processo de privatização de portos, aeroportos e rodovias que terá as mesmas consequências: transferência de renda da população para grupos empresariais, aumentando a concentração de renda, a injustiça e o desnível social.

Uma rápida olhadela nos serviços privatizados no estado do Rio de Janeiro nos mostra a qualidade destes: a distribuidora de energia Light tem um altíssimo índice de interrupções de fornecimento, além da falta de manutenção de suas instalações subterrâneas que produzem, volta e meia, explosões em plena área de circulação de pedestres.

O serviço de transporte por barcas na Baía de Guanabara é um dos piores do mundo, com barcas apresentando constantes falhas mecânicas e padrões de qualidade inaceitáveis para os serviços seu cargo.

Há ainda o serviço de trens metropolitanos, responsável pelo transporte de muitas centenas de milhares de passageiros por dia. Estes trens apresentam também um índice de defeitos inaceitável pelo seu grau de incidência. É comum vermos passageiros caminhando pelos trilhos dos trens, expondo sua vida, por causa do desleixo da empresa.

Todos esses são exemplos de privatização fracassada. O caso da privatização de penitenciárias em Minas Gerais, contudo, traz consigo algo adicional e pior. O capital não se arrisca em negócios duvidosos. Se ele - o capital - optou por cuidar de penitenciárias, é um sinal claro de que o crime vai aumentar.

 
Qui, 03 de Janeiro de 2013 11:03 Argemiro Pertence
Em 1º de janeiro de 2013, a Petrobras lança o Diesel S-10, com ultra baixo teor de enxofre, para todo o Brasil. O combustível, disponível em torno de 5.900 postos de serviço, sendo mais de 2.400 postos da Petrobras, substitui integralmente o Diesel S-50. Os benefícios ambientais do diesel com baixo teor de enxofre são mais efetivos nos veículos produzidos a partir de 2012. Esses veículos utilizam motores com tecnologia para redução de emissões veiculares atendendo a fase P7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).

Além do teor de enxofre ainda menor, o novo Diesel S-10 tem número de cetano (medida de qualidade de ignição) 48 contra 46 do Diesel S-50 com benefícios de melhor partida a frio, redução de fumaça branca, redução na formação de depósitos e aumento da vida útil do óleo lubrificante que podem ser facilmente percebidos pelos motoristas. Esses benefícios também podem ser observados inclusive nos motores de tecnologia anteriores a 2012.

Modernização

A Petrobras investe continuamente na melhoria da qualidade dos combustíveis. Entre 2005 e 2011, foram investidos R$ 38,5 bilhões para modernizar seu parque de refino e adequar a logística para atendimento ao mercado interno, dos quais R$ 19,6 bilhões para a produção e movimentação do diesel de baixo teor de enxofre. Entre 2012 e 2016, ainda serão investidos R$ 27,2 bilhões na modernização das refinarias e adequação da logística para o atendimento do mercado interno, dos quais R$ 20,7 bilhões no programa de qualidade do diesel.
O Diesel S-10 está disponível em 15 polos de venda e terá a oferta ampliada para 17 polos durante o primeiro trimestre de 2013, propiciando o abastecimento de 78 bases de distribuição espalhadas pelo país. A lista completa de postos Petrobras que comercializam o Diesel S-10, que inclui também os pontos de venda do Flua Petrobras (marca própria do Arla 32), está disponível no site www.br.com.br.

 
Qui, 29 de Novembro de 2012 09:44 Argemiro Pertence
Cada vez mais se associa a geração de energia ao progresso por meio da industrialização. No entanto, cabem algumas questões a respeito dos conceitos de progresso e industrialização.

Uma parcela expressiva do processo de industrialização implica na produção de inutilidades e produtos mais agressivos. A produção de telefones celulares é um belo exemplo. Todas as semanas, os fabricantes anunciam novidades nesses aparelhos. As campanhas publicitárias pregam abertamente que seu atual aparelho está superado. Os mais influenciáveis desativam seus aparelhos em uso e adquirem um novo que, digamos, com um clic, permite o contato com alguém que está na Lua (sic). Curioso é que o sistema não diz sequer uma palavra sobre os riscos à saúde que o uso de telefones celulares pode causar.

Outro exemplo são os televisores de última geração que, conectados a uma rede a cabo, permitem que o assinante tenha acesso a dezenas de canais que a televisão aberta não alcança. É preciso mencionar que, dentre essas dezenas de canais, 10 ou 12 sejam canais evangélicos, outros 12 ou 15 sejam canais de inutilidades e mais outros 15 ou 16 sejam canais de filmes quase que totalmente dedicados a divulgar o glamour da sociedade norteamericana e a "eficiência" de seu sistema policial frente à violência dos imigrantes latinoamericanos e asiáticos. Em resumo, paga-se por 60 ou 70 canais quando apenas 4 ou 5 transmitem algo aproveitável.

Caminhando em outra direção, temos a indústria alimentícia. Esta se especializou em produzir alimentos embalados e conservados à base de aditivos químicos cuja agressividade à saúde e à vida está longe de ser inteiramente conhecida e divulgada. Mesmo os alimentos ditos "naturais" só chegam à nossa mesa depois de serem literalmente lavados com agrotóxicos, pesticidas e outros venenos produzidos pela indústria ao arrepio do interesse público.

Pode-se ainda questionar o papel das indústrias siderúrgica, química, petroquímica, metalúrgica, de papel e celulose, de cimento, farmacêutica e outras mais em sua agressividade à vida.

No Brasil, parcela importante do setor industrial é de origem estrangeira. Seu lucro, evidentemente, é remetido para as matrizes. Some-se a isso o fato de que, para atrair esse tipo de negócios, os governos brasileiros concedem a essas empresas generosas isenções fiscais. Assim, o saldo da atuação dessas empresas no país é quase nulo, salvando-se apenas o emprego mal remunerado da mão-de-obra nacional.

Não trata esse texto de advogar a tese da desindustrialização pura e simples. Trata, sim, de destacar que parcela importante dos processos industriais produz energia, em geral sob a forma de calor. O simples emprego desse calor para a geração de energia elétrica resultaria em grande redução da demanda e dos custos de produção. Adotando essa alternativa, algumas empresas poderiam mesmo exportar energia elétrica para o sistema unificado nacional.

Esta opção reduziria ainda a necessidade de construção de gigantes hidrelétricas no coração da nossa Amazônia, com todos os maus impactos que a operação dessas usinas traz para a região e a perda de rendimento que ocorre na transmissão dessa energia para as regiões consumidoras no sul e sudeste do Brasil.

As sociedades mais avançadas do planeta já não se industrializam mais da forma convencional, como ainda é o caso do Brasil. Essas sociedades aproveitam as vantagens do atraso em outras regiões, transferem para lá suas unidades industriais e se dedicam internamente ao desenvolvimento de pesquisa e tecnologia. Assim, essas sociedades incentivam a parceria entre suas universidades e as empresas visando gerar conhecimento e tecnologia. Em paralelo, a opção de gerar conhecimento e tecnologia exige um consumo muito baixo de energia quando comparado ao modelo de industrialização.

Este é um quadro muito claro à nossa frente. As sociedades que têm um planejamento minimamente inteligente já demoliram ou estão demolindo suas chaminés e progredindo. Todavia, muitos brasileiros ainda associam o progresso ao surgimento de chaminés. Um brasileiro que pensa em dedicar-se à pesquisa e gerar verdadeiro progresso precisa emigrar para os países do centro do sistema.
 
Qui, 22 de Novembro de 2012 07:50 Argemiro Pertence
Temos ouvido até cansar das vantagens da geração hidrelétrica na Amazônia. Não é bem assim. Antes de acreditarmos em tudo que se diz e escreve, precisamos conhecer o contraditório, ou seja, as enormes desvantagens da construção dessas megabarragens em pleno coração da maior floresta do planeta. Vejamos:

1. A questão do custo da energia – com a geração na Amazônia e o consumo no sul e sudeste do país ocorre uma perda de potência variável, porém considerável, em função das grandes distâncias percorridas pelas linhas de transmissão. Este fenômeno reduz a eficiência da usina e eleva o custo da energia gerada;

2. A questão das concessões – apesar de ter sua construção bancada por dinheiro público, as usinas hidrelétricas têm sua operação concedida a grupos privados. A operação por meio da concessão agrava a questão da justiça social no Brasil. Todos os consumidores da energia gerada nessas usinas transferem renda para grupos privados, ampliando, desse modo, a concentração da riqueza no país;

3. A questão social – se o Estado transfere grande parte da renda da venda da energia para grupos privados, ele abre mão de recursos para a construção de novas escolas, remuneração de professores e para melhorar o atendimento de saúde da população. Combater o crime construindo penitenciárias não é a solução. A solução está em reduzir a desigualdade social que prevalece no país. O modelo de concessão da operação de hidrelétricas apenas agrava a desigualdade e a injustiça social em nosso país ao concentrar renda e riqueza;

4. A questão do uso da energia – a energia gerada pelas hidrelétricas da Amazônia será empregada majoritariamente na indústria, ou seja, na produção de quinquilharias de plástico, borracha, vidro, metais, papel e outros materiais. Uma rápida visita aos lixões de nossas grandes metrópoles vai nos mostrar todas essas porcarias por lá às toneladas. Esses materiais, somados à matéria orgânica em decomposição vão liberar tintas, corantes, resinas, resíduos e chorume para emporcalhar nossos lençóis freáticos. Alguns rios que brotam desses lençóis já nascerão sujos por causa desse iníquo processo;

5. Muitas espécies de peixes amazônicos desovam em rios que dependem da influência andina, incluindo os que migram para as cabeceiras. A quebra da conectividade dos rios provocada pelas barragens ameaça seriamente a existência dessas espécies. Ao analisar cada um dos 150 projetos de hidrelétricas amazônicas no Brasil, Peru e Colômbia, pesquisadores têm observado que 60% deles provocariam, em muitos rios, quebra da conectividade entre as cabeceiras protegidas dos Andes e as planícies da Amazônia. Além disso, 80% das barragens propostas vão provocar perda de florestas. Pelo menos 50% destas novas construções foram consideradas de alto impacto ambiental e somente 19%, de baixo (Globo Ciência – 21/11/2012).

O Brasil é um país que exporta soja em lugar de óleo ou farelo de soja; exporta minério de ferro em lugar de pellets ou sínter; exporta milho em lugar de farelo ou óleo de milho. Alguns patriotas estão a reclamar porque estão levando nosso nióbio da Amazônia. Se não o levassem, o que faríamos com o nióbio, já que não temos tecnologia para industrializá-lo? O Brasil é simplesmente um país tutelado.

O Professor Gerald Crabtree, gerente do laboratório de genética da Universidade de Stanford (Califórnia), em artigo recente publicado na revista Trends in Genetics (Tendências na Genética), afirmou que o apogeu da inteligência humana ocorreu há 3.000 ou 4.000 mil anos atrás e que no momento a tendência é de declínio. É possível que esta seja a explicação.
 

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