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Argemiro Pertence

Qui, 05 de Maio de 2011 17:44 Argemiro Pertence
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Energia significa maior produção industrial, maior facilidade de transporte e maior conforto doméstico. O século 20 foi marcado pelo crescimento da oferta de energia para a sociedade humana de forma extremamente desigual.

Neste início do século 21 surge uma tendência à redução da desigualdade, porém ainda permanecem as marcantes diferenças no consumo de energia entre diferentes áreas do globo terrestre. A tabela a seguir merece uma análise:

Consumo de energia (kWh/hab)

Ano

1990

2008

r (%)

EUA

89,02

87,22

-2,0

União Europeia

40,24

40,82

1,4

Oriente Medio

19,42

34,77

79,1

China

8,84

18,61

110,5

América Latina

11,28

14,42

27,8

África

7,09

7,79

9,8

Índia

4,42

6,28

42,1





Media mundial

19,42

21,28

9,6

Fonte: Agência Internacional de Energia (AIE)

Da tabela acima temos que, enquanto as chamadas “economias desenvolvidas” apresentam evidente estagnação ou mesmo um recuo no consumo de energia, observa-se importante crescimento deste mesmo consumo nos chamados “países emergentes”, com visível destaque para a China e para a Índia, países cuja população atual supera a casa de um bilhão de habitantes.

A lamentar, todavia, é que, a matriz energética em ambos os casos ainda é altamente dependente de combustíveis fósseis – petróleo, gás natural e carvão – insumos geradores de energia e também de alto poder de agressão ambiental, além de apresentarem rendimentos muito baixos nas suas aplicações.

Cabe-nos esperar que esses dois gigantes em franco crescimento façam progressivamente sua opção pelas fontes de energia renováveis e não agressivas. Neste particular, a China nos parece mais evoluída, já que, mesmo com uma demanda três vezes superior à da Índia, já inclui em sua matriz energética algo próximo de 13% para as fontes de energia renováveis, ao passo que Índia ainda não alcançou os 7%.

Em adição, vale também crer que esses países tenham aprendido com o fracasso dos grandes países do Ocidente na gestão dos recursos energéticos do planeta. As grandes economias ocidentais basearam seu consumo de energia no petróleo importado, além de darem indevida ênfase ao transporte individual, especialmente nos Estados Unidos. Nestes países, o automóvel particular, além de um meio de transporte de muito baixa eficiência energética, assumiu também ares de símbolo, ao conferir aos seus proprietários o status de pessoa bem-sucedida aos olhos da sociedade.

Desde a aurora da humanidade o uso de energia tem sido uma constante na vida de homens e mulheres. O que se espera doravante, após tanto tempo, é que o ser humano passe a usar a energia a seu alcance de forma mais inteligente, econômica e respeitosa.

 
Qui, 31 de Março de 2011 15:58 Argemiro Pertence
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A principal variável da qual depende a energia elétrica gerada por uma usina hidrelétrica é a diferença de cotas entre o nível do reservatório e a cota de entrada das turbinas (o “h” na figura 1) que representa a energia potencial da água represada. Este valor independe da área inundada pelo reservatório. A figura 1 abaixo exemplifica dois casos em que o valor de “h” é a mesmo para duas situações extremas de áreas inundadas (“A” e “B”).

Na situação “A” temos uma imensa área inundada e na situação “B” temos uma área inundada bem menor, para um mesmo valor de “h” e uma mesma capacidade de geração de energia, dado que a energia potencial da água represada é a mesma.

É nesta altura que entra o trabalho de geógrafos, geólogos, engenheiros e outros profissionais capacitados para localizar, estudar e projetar represas que otimizem a relação entre capacidade de geração elétrica e as dimensões da área alagada, deixando de lado as questões políticas e reduzindo ao máximo o impacto ambiental.

Alagar áreas planas como é o caso de Belo Monte e de outras duas usinas atualmente em construção no curso do rio Madeira demonstram claramente que a opção adotada foi a indicada na situação “A” da figura 1.


Figura 1

Um outro dado a ser considerado é a distância entre as fontes geradoras e os pontos de consumo. Toda corrente elétrica que percorre um condutor produz neste um grau de aquecimento (o chamado Efeito Joule) proporcional à distância entre os dois pontos – geração e consumo. Construir imensas usinas geradoras na região norte para atender preferencialmente o consumo das regiões sudeste e sul implica em desconsiderar um dos princípios básicos da Física.
O Sistema Elétrico brasileiro apresenta perdas técnicas da ordem de 15%. São perdas da ordem de 54 milhões de MWh (ou 54 bilhões de quilovates-hora) que ocorrem desde a eletricidade que é gerada nas usinas, passando pelas linhas de transmissão e redes de distribuição até chegar na tomada do consumidor final.
Se o Brasil adotar um índice de perdas de 6%, considerado como padrão internacional, o sistema elétrico teria um acréscimo de disponibilidade de energia elétrica de 33 milhões de MWh, equivalente ao que produz durante um ano uma usina hidrelétrica de 6500 MW de potência instalada (ou mais da metade de Usina de Itaipu, que possui 12.600MW).
Os custos necessários para promover esta redução das perdas consistem basicamente no melhor isolamento nas linhas e na substituição de equipamentos antigos ou defeituosos, como os transformadores. Ações que não estão sendo feitas na frequência e na amplitude que a atual situação exige. Elas representam custos muito menores do que os investimentos para  a construção de novas usinas.

 
Qui, 24 de Março de 2011 14:34 Argemiro Pertence
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Para um país como o Japão, conhecido pela sua liderança tecnológica, sua organização e seu poder econômico, o caos causado pela catástrofe de 11 de março pode parecer surpreendente. A insuficiência de medidas de segurança no projeto de suas centrais nucleares para enfrentarem um terremoto e um tsunami desta magnitude é, sem dúvida, um ato de irresponsabilidade.
 
Qui, 17 de Fevereiro de 2011 13:31 Argemiro Pertence
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Sem cuidar do efeito estufa, a queima de combustíveis de origem fóssil prossegue sendo polêmica. Os milhões de carros de passeio em todo o mundo usam gasolina, que é uma mistura de n-heptano (C7H16) com iso-octano (C8H13) em seus motores. No Brasil, ela ainda recebe a adição de etanol (C2H6O). Em nosso caso, para efeito de simplificação, vamos considerar a gasolina totalmente composta por n-octano (C8H18). Assim, a reação de combustão da gasolina é:
C8H18 + 12,5 O2  8 CO2 + 9 H2O
Aplicando a Lei de Lavoisier, concluímos que 112 g de gasolina reagem com 400 g de oxigênio produzindo 352 g de CO2 e 162 g de água.

Como resultado disto, cada litro de gasolina queimado no motor de um veículo libera 2,357 kg de CO2 para a atmosfera (para um rendimento da reação igual a 100%). Como a reação de combustão não tem um rendimento de 100%, a quantidade de CO2 liberada é menor. Admitindo-se um rendimento de 85%, a massa de CO2 liberada para o ar será de 2 kg de CO2 por litro de gasolina consumido.

Nas grandes cidades, com trânsito congestionado, o consumo médio de um veículo a gasolina é de cerca de 7 km/l. Assim, a cada quilômetro percorrido, um carro de passeio lança na atmosfera 2 kg divididos por 7 km, ou seja, 286 g/km. Admitindo que cada veículo percorre 30 km por dia, em média, nessas cidades, teremos uma massa de 286 g/km x 30 km, o que resulta em 8,5 kg por veículo por dia.

Supondo uma cidade com cerca de 3 milhões de veículos como São Paulo, Pequim ou Bombaim, o despejo total de CO2 no ar será de 8,5 kg x 3.000.000 ou 25.500 toneladas de CO2 por dia ou ainda 9,3 milhões de toneladas/ano em cada uma dessas cidades.

Em 2009 foram fabricados 61 milhões de carros de passeio, em plena crise do sistema. Pode-se, assim, supor que a capacidade instalada permite produzir 70 milhões desses veículos. Assim, nos últimos 10 anos foram produzidos 700 milhões de veículos que, somados aos mais antigos (cerca de 20% da frota) perfariam um total de 840 milhões de veículos. Desse total é lícito supor que apenas 15% circulem fora das zonas urbanas.

Com os números anteriormente determinados chegamos ao assombroso número de 6,1 milhões de toneladas de CO2 emitidas diariamente ou 2.21 bilhões de toneladas por ano contando-se somente os veículos de passeio nas cidades. Se a estes acrescentarmos os veículos de carga, veículos de transporte coletivo, aviões, navios e a indústria seguramente poderemos somar mais 30% a esse total, perfazendo 2,87 bilhões de toneladas de CO2 anuais.

O volume da atmosfera até 3000 m de altitude (onde vivem 97% da população do planeta) é de 1.544.883.169 km3.

Com base no número de veículos fabricados na última década, o volume de gás carbônico é de 2,87 bilhões de toneladas de CO2 ou 0,2% de CO2 na atmosfera a mais por ano. Sendo conservativo e mantendo a situação, teremos em 2020 1% de CO2 na atmosfera (equivalente a 5% do oxigênio hoje presente no ar). Mantida a situação por mais uma década teremos em 2030:
2% de CO2 na atmosfera (equivalente a 10% do oxigênio hoje disponível). Estes números não consideram o CO2 lançado no ar nas décadas anteriores à última.

O ser humano foi projetado para respirar uma mistura de 78% de nitrogênio com 21% de oxigênio. À medida que essas proporções são alteradas pela intervenção nociva de nossa "civilização"- em especial a parcela de oxigênio, responsável por inúmeros processos vitais em nosso organismo - mais afetada é a saúde da espécie humana e de outras espécies, incluindo as árvores, flores e frutos, que dependem do ar para sobreviver.

Estes números assumem que o gás carbônico está distribuído igualmente por toda a atmosfera do planeta. No entanto, sabemos que não é assim. Nas grandes metrópoles sua concentração é bem maior fazendo que seus habitantes sejam submetidos a um maior grau de agressão à sua saúde.

Há, portanto, que repensar urgentemente nosso modelo energético global para evitar a destruição da vida no planeta, em nome de um desenvolvimento, diria eu trágico, não fosse também cômico por contraste.

Após esta exposição, cabe a pergunta: quem vai acabar primeiro? O petróleo e o carvão ou a vida na Terra?
 
Qui, 13 de Janeiro de 2011 13:28 Argemiro Pertence
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Duas instituições dão provas cabais de sua falência em nossos dias: o capitalismo e a política.

O capitalismo está se esgotando em si mesmo por conta das sucessivas crises que o têm abalado e gerado uma crescente descrença coletiva em seus métodos e processos.

Exemplos não faltam em nossos dias, mas, além disto, a história do capitalismo mostra, de forma clara e contundente, sua incapacidade de produzir felicidade. A essência do capitalismo repousa na eterna divisão entre explorados e exploradores, proporcionando a esses ganhos cada vez maiores e mais concentrados em detrimento da maioria explorada.

A maior prova disto é o panorama do mundo atual, após quase 300 anos de hegemonia do capitalismo formal. Um retrato de nosso mundo atual, com mais de 6 bilhões de almas, nos mostra com números insofismáveis que, desse total, cerca de 5 bilhões de seres humanos (mais de 80%) sobrevivem com as migalhas que o sistema lhes proporciona, ao passo que uma minoria pouco superior a 1 bilhão de pessoas escapam dessa situação ou se enquadram na categoria dos exploradores capitalistas.

Com a contribuição da grande mídia, alguns exploradores de sucesso - segundo os padrões do capitalismo apelidados de "empresários" - são feitos heróis e vistos como expoentes de competência. Seu único mérito foi saber explorar. Nada mais.

Até mesmo banqueiros que se limitam a usar o dinheiro alheio para enriquecer com a agiotagem sem criar nada, são vistos como exemplos de sucesso, mesmo quando comparados aos chamados empresários que usam os explorados para produzirem bens e serviços. Repito: os banqueiros nem isto produzem, embora sejam tidos como homens de sucesso no capitalismo decadente de nossos tempos.

A outra instituição decadente de nossos dias é a política. É muito raro encontrar políticos individuais que se dediquem à política para servir. Em toda parte é assombroso o número de políticos que estão na política para dela se servirem.

A política que hoje predomina nas chamadas regiões civilizadas é decorrente da chamada "democracia representativa", onde são eleitos depois de campanhas publicitárias financiadas pelo capitalismo. Portanto, capitalismo e política caminham hoje de mãos dadas e nada mais previsível que a decadência de um leve necessariamente à decadência do outro.

Entretanto, como seria a gestão das sociedades democráticas sem a política? No momento em se admite a existência de uma "democracia representativa" fica óbvio que pode existir um outro tipo de democracia. Esta seria a democracia direta, sem intermediários.

O avanço das comunicações atual já permite que cidadãos portadores de um código ou senha possam voluntaria e diariamente manifestar sua opinião sobre uma série de temas propostos por outros cidadãos. Caso essas propostas fossem aprovadas pela maioria dos votantes passariam a valer como leis, decretos ou outro nome que se queira dar.

A manifestação dos cidadãos seria feita pela Internet, pelos telefones públicos ou privados, enfim, por qualquer meio de comunicação eletrônico hoje disponível ou que venha a ser desenvolvido. Teríamos então o fim da "democracia representativa" de memória tão triste e mais um empurrão em direção ao fim do capitalismo produtor de miséria, injustiça e fome.
 

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