Argemiro Pertence

Panorama petrolífero recente

15 Janeiro 2009
Argemiro Pertence
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Foi divulgado há pouco o ranking da revista Petroleum Intelligence Weekly para 2007, respeitada publicação setorial, das 50 maiores empresas de petróleo, baseado em algumas características operacionais, dentre as quais a produção de óleo e gás, a capacidade de refino e o desempenho financeiro. O ranking contém alguns dados surpreendentes:

•  A estatal Saudi Aramco permanece como a primeira empresa de petróleo do mundo;
•  As empresas sob controle estatal são agora majoritárias no grupo (27 dentre 50);
•  Três novas empresas fazem agora parte do grupo: Uzbekneftegas, do Uzbequistão, a CNOOC, da China e a Kazmunaigas, do Casaquistão – todas sob controle estatal;
•  Todas as três maiores empresas chinesas de energia passam a fazer parte das “maiores 50”, ressaltando seus esforços para assegurar o controle de fontes de petróleo e gás, tanto no território chinês quanto no exterior;
•  A CNPC (estatal chinesa) saltou da sétima posição para a quinta, superando a British Petroleum, a Shell e a ConocoPhilips, todas privadas;
•  A estatal russa Rosneft teve o maior salto: passou da 24ª para a 16ª posição no ranking;
•  A produção total de gás natural do grupo cresceu cerca de 6% ao passo que a produção de petróleo permaneceu estável.

No conjunto das 50 maiores empresas, 18 são inteiramente de propriedade estatal, 8 têm seu capital total majoritariamente sob propriedade do estado.

Situação sui generis é a da Petrobrás. Situada na 15ª posição do ranking, de seu capital total, apenas 32,2% são de propriedade estatal. Embora seu capital votante – as ações preferenciais – esteja, por escassa maioria, sob controle do estado, a maior parte de seu crescente lucro no período envolvido foi parar em mãos privadas, fazendo dela mais um instrumento de concentração e de riqueza num país já tão marcado pela injustiça social.

Outro fator agravante no caso da Petrobrás é o crescimento das reservas brasileiras - especialmente na chamada camada pré-sal - que é expressivo, tornando o setor privado sócio majoritário deste patrimônio.

Num momento em que se percebe claramente o avanço do estado no setor em âmbito mundial, a situação brasileira é francamente diversa da tendência mundial e isto acontece, justamente, durante um governo tido como de tendência popular.

Outra questão preocupante no caso brasileiro, são as concessões para exploração de petróleo e gás nas bacias sedimentares submarinas no mar territorial. Embora a Petrobrás tenha sido a vencedora de boa parte das licitações neste caso, na maioria das vezes ela obteve a concessão em parceria ou consórcio com empresas privadas, em geral estrangeiras. Isto implica em que, pela legislação atual, empresas privadas estrangeiras serão proporcionalmente proprietárias do petróleo e do gás eventualmente extraídos, podendo fazer deles o que mais lhes aprouver, inclusive exportá-los.

Portanto, em que pesem as dúvidas quanto à viabilidade da produção na cama pré-sal, dado seu custo real ainda desconhecido, em caso afirmativo há grandes chances de esta riqueza não trazer benefício real ao povo brasileiro. Como se pode ver, há muito marketing e pouca realidade nesta questão.

 

Até quando o mundo vai sustentar a farra dos donos do petróleo?

01 Janeiro 2009
Argemiro Pertence
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Entre julho e dezembro de 2008 – num intervalo de apenas 5 meses - o preço de referência do barril de petróleo em Nova York passou de US$ 147 a US$ 38 – uma queda de cerca de 75%. Evidentemente, mesmo vendendo com uma redução desta magnitude no preço, os produtores permaneceram tendo lucro, o que implica deduzir que os mecanismos de mercado não têm tido qualquer influência sobre o prosaico “equilíbrio” entre a oferta e a demanda.

    Não custa relembrar que o custo de produção do petróleo, incluindo os custos de descoberta e taxas, não passa de US$ 6 por barril na maioria dos países da OPEP. Portanto, mesmo após a acentuada queda dos preços, o lucro dos produtores ultrapassa os 500%. Quando preço estava a US$ 147, este lucro era de 2300%! Nada mais imoral!

    Não é possível nem justo que o mundo todo se torne refém de uma dúzia de mega-corporações privadas que se utilizam da fachada da OPEP para se apossarem de uma parcela tão significativa da renda mundial, concentrando riqueza e poder de forma tão desmesurada. Não se trata de isentar os governos dos países da OPEP de culpa, evidentemente. Os países da OPEP formam um iníquo cartel isento de qualquer controle que ainda se dá ao luxo de acobertar a ganância de empresas privadas com sede no chamado “primeiro mundo”, a saber: Shell, Exxon Mobil, Total, Chevron, British Petroleum, Elf Aquitaine e outras menos cotadas.

    O curioso é que esta situação já perdura quase quatro décadas. Teve início em 1973, durante a guerra do Yom Kippur – entre Israel, de um lado e Síria e Egito de outro. Naquela ocasião, o preço do barril quadruplicou num intervalo de apenas três meses (de US$ 3 para US$ 12), ao passo que o custo de produção manteve-se estável. Esta foi uma forma de os países árabes chantagearem o ocidente que apoiou Israel no conflito. Esqueceram-se os árabes que as grandes companhias ocidentais detinham concessões para exploração e produção no Oriente Médio e, portanto, se beneficiaram por tabela com a elevação do preço do óleo.

    Um novo choque nos preços do petróleo ocorreu em 1979, com a eclosão da revolução dos aiatolás, no Irã, que resultou da deposição do Xá Reza Pahlevi e na paralisação da produção do país. Vale lembrar que o Irã é o segundo produtor mundial de petróleo, atrás apenas da Arábia Saudita. Naquela oportunidade, o preço do petróleo saiu de US$ 12 o barril para mais de US$ 35 (em valores da época).

    De lá para cá, o preço do petróleo tem flutuado livremente ao sabor dos ventos, porém sempre preservando as enormes margens de lucro dos produtores, sejam eles empresas estatais dos países da OPEP ou as mega-corporações privadas com sede nos países do ocidente.

    É estranho que nada demonstre com mais clareza a ineficácia do mercado para regular preços do que o caso do petróleo. Não se pode negar o peso do cartel da OPEP – os países-membros da OPEP produzem cerca de 40% da demanda mundial – nos negócios petrolíferos. Há, entretanto, outros atores de peso no cenário que poderiam muito bem intervir para reduzir a dependência do cartel. Do lado da oferta há a Rússia, Canadá, Noruega e outros produtores de peso. Do lado da demanda soa estranho como os EUA, os países da Europa Ocidental e o Japão, todos grandes importadores de petróleo, se quedem passivos ante o cartel sem buscar alternativas para sua dependência. A única explicação que me parece plausível é que esses países buscam, com sua passividade, favorecer suas empresas transnacionais nos negócios com óleo é gás natural, assim como os países ricos buscam favorecer seus bancos no mercado financeiro global.

    A conclusão a que se chega é que o sistema capitalista é inerentemente produtor de injustiça. Ele estabeleceu uma civilização baseada no consumo maciço de energia e tornou a principal fonte de energia que aciona o sistema um obstáculo ao seu uso, através de seu preço manipulado por um cartel. Um sistema justo e socialmente sustentável já teria partido para outro modelo de desenvolvimento, livrando toda a humanidade do ônus de assegurar o enriquecimento dos acionistas de quinze ou vinte empresas.

   
 

Petróleo – já vai tarde

27 Novembro 2008
Argemiro Pertence
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O petróleo tem sido empregado como fonte de energia pela humanidade desde fins do século 19. Foi, todavia, a partir da terceira década do século 20 que ele assumiu um papel estratégico nas relações comerciais entre países e empresas de diversas latitudes. A civilização industrial que vivemos nos últimos 100 anos não teria sido viável sem o uso intensivo do petróleo. Ademais, sua contribuição foi decisiva na vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Há, contudo, alguns aspectos não tão construtivos da chamada “civilização do petróleo”. A localização de suas jazidas, distribuída randomicamente pelo subsolo do planeta, não favoreceu igualmente a todas as sociedades que dele tinham necessidade. No contexto de um sistema econômico marcadamente capitalista e em plena vigência do colonialismo, seria mesmo difícil esperar que os fatos tomassem outra direção que não a da concentração do controle e dos benefícios dele resultantes.

Ao final de mais de um século da hegemonia deste recurso mineral como insumo energético, o balanço que pode ser feito é que a era do petróleo teve como tônica a injustiça, a violência e a lei do mais forte.

As sociedades centrais tiraram proveito deste período para, com o uso do petróleo, ampliar sua dominação sobre a periferia. Oriente Médio, Sudeste da Ásia, Norte da África e América Latina têm drenado seu subsolo, de forma sistemática e submissa aos interesses das grandes corporações, para atender, sobretudo, à demanda européia e norte-americana por petróleo produzido nas regiões mais pobres do globo. Nesta relação, governos de países periféricos foram derrubados e outros mais dóceis foram empossados visando, principalmente, não perturbar as atividades e negócios das grandes empresas petrolíferas multinacionais na sua busca de lucro.

Atualmente, com o enfraquecimento da influência ocidental no mundo, particularmente a norte-americana e a européia e, de modo especial, com o evidente fracasso do modelo capitalista em fazer do mudo um lugar mais justo, alguns sonhos voltam a brotar nas mentes de opositores do modelo. Surgem cá e acolá projetos de afirmação da autonomia de certos países sobre sua cultura, seus territórios, seus recursos naturais e, naturalmente, algumas reações dos donos do poder global para manterem seus privilégios.

A afirmação desta autonomia, entretanto, no caso do petróleo, parece ser um pouco tardia. Há hoje a consciência de que o desenvolvimento baseado no petróleo foi profundamente concentrado e, por isto, desigual e injusto. Além do mais, cerca de 30% do petróleo de hoje é consumido para movimentar máquinas altamente ineficientes – automóveis, aviões e outros veículos movidos por motores a combustão - totalmente incompatíveis com o estágio tecnológico alcançado pelas parcelas mais favorecidas da raça humana.

Acresça-se a isto o fato de que o mundo, como o conhecemos, não suportaria mais alguns anos de consumo de petróleo da forma como foi feito até aqui. Nosso planeta, seu espaço, sua atmosfera, seus mares, suas florestas são finitos. O modelo baseado no petróleo desconsiderou todos estes balizamentos e hoje nos ameaça com uma catástrofe ambiental. Portanto, não é mais hora de dizer “o petróleo é nosso”. É hora de dizer e agir no sentido de que “o mundo é nosso” e que o petróleo tem contribuído para tornar este mundo um inferno. É hora de implantarmos um modelo energético mais inteligente e menos egoísta. Um modelo que leve em conta o presente e o futuro. O modelo baseado no petróleo ignorou solenemente as preocupações passadas, presentes e futuras. O petróleo atropelou a humanidade e felizmente ele está pela bola sete...


 

Com Obama nada vai mudar

13 Novembro 2008
Argemiro Pertence
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O ambiente anda meio confuso e é preciso esclarecer alguns fatos. Há dias a imprensa mundial vem saudando a eleição de Barack Obama como algo de alcance galáctico. Noticiam os jornais e a mídia em geral que todos os problemas do mundo vão ser enfrentados pela nova administração desde a Casa Branca e se iniciará uma era de paz e concórdia mundiais.  

Não é bem assim: A população norte-americana é de 305 milhões de almas (dados do último censo). Lá, onde o voto é facultativo, apenas 170 milhões de pessoas são eleitores registrados (pouco mais de metade da população). Destes, apenas 124 milhões compareceram de fato às urnas em 4 de novembro último (cerca de 73% dos habilitados). Barack Obama, o vencedor, obteve 65 milhões de votos (38% dos aptos a votar). Ou seja o presidente eleito obteve o voto de pouco mais de um terço dos eleitores e de menos de 30% da população adulta norte-americana. Pior ainda, mais de 44% da população adulta dos EUA simplesmente aproveitou o feriado e não foi votar.  

Resumo da ópera: a principal interessada neste tema, a população dos EUA, está pouco se lixando para o assunto, como o apontam os números. Os norte-americanos têm defeitos como sociedade, é fato. Têm, entretanto, uma característica negativa adicional que vem cada vez mais sendo repassada às sociedades socialmente menos consolidadas da periferia do capitalismo: o individualismo. O individualismo é, em geral, associado ao egoísmo, típico de grupos que se consideram hegemônicos e superiores. Cuidam de suas vidas e ponto final. Este comportamento, no caso dos norte-americanos, tem suas origens no processo de fundação do país pelos migrantes protestantes que, fugindo da perseguição católica e das fogueiras da "Santa" Inquisição no século XVII, tinham a América como a terra prometida do Velho Testamento. Consideravam sua missão divina implantar do lado de cá do Atlântico uma sociedade mais justa e igualitária, fundada no trabalho, na justiça e nos valores do evangelho. Os fatos hoje lá evidentes demonstram à exaustão a completa falência deste projeto. Que o digam os índios, os africanos trazidos à força e os imigrantes hispânicos de hoje.  

Todo este preâmbulo busca demonstrar a inutilidade de acreditarmos, cá de longe, que alguma coisa substantiva de fato vai mudar no seio da grande nação do norte. Qualquer um que chega onde Obama chegou é submetido previamente a uma espécie de "exame vestibular" no qual é verificada sua mais absoluta lealdade aos valores lá cultivados desde os tempos dos "pilgrims" do Mayflower (1).  

Evidentemente, a crise financeira lá originada vai ser enfrentada de algum jeito. Todavia, se mesmo Bush assessorado por seus falcões liberais anti-intervencionistas teve de que abdicar dos dogmas do livre-mercado para injetar dinheiro público em instituições privadas especuladoras e delinqüentes, não se pode esperar de Obama, teoricamente menos liberal, nada melhor.  

A mídia tem se referido a Obama como o homem mais poderoso do mundo a partir de janeiro de 2009. É inocente quem pensa que um presidente tem muito poder. Nada mais impreciso. De fato, Obama terá a caneta na mão, mas será para assinar documentos e decretos em total consonância com o sistema. Seus atos serão permanentemente vigiados, até mesmo por gente "de casa" indicada pelos setores interessados e pelos "lobbies" que financiaram sua eleição e atestaram sua adesão ao esquema. Obama tem plena consciência dos deslizes cometidos por John Kennedy, Martin Luther King e outros. A um deslize seu e um "acidente" acontece, passando o governo ao desconhecido Joe Biden.  

Portanto, nada mais lúcido do que ler jornais com um pouco mais de senso crítico  


(1) O "Mayflower" foi o navio que trouxe da Inglaterra os primeiros perseguidos religiosos da Inquisição (pilgrims) para a colonização da América do Norte em 1621.



 

De humanae irrationalitas

05 Novembro 2008
Argemiro Pertence
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Desde a infância temos ouvido dos mais velhos e professores que os seres humanos são os mais racionais, o elo mais avançado da evolução das espécies ou o auge da criação divina. Todos os outros animais são menos dotados de razão e inteligência do que nós.

Alguns fatos, entretanto, não confirmam que as coisas se passam desta forma. Basta observar o mundo à nossa volta para ficar patente a pobreza racional de espécie humana e valorizar a razão presente nos animais. Observemos a questão dos transportes:

Em 2007, cerca de 73 milhões de veículos automotores foram produzidos no mundo. Nos últimos 10 anos, este número ultrapassou os 600 milhões de veículos. Os veículos automotores de uso quase que absoluto em nosso mundo são veículos equipados com motores de combustão interna ou motores a explosão.

O rendimento de qualquer máquina é a relação entre a energia de entrada e a energia de saída. Nas máquinas térmicas, como os motores a gasolina, gás natural, álcool ou diesel, podemos calcular a energia de entrada a partir do calor liberado pela queima do combustível. Contudo, uma grande parte desta energia se perde como calor pelas paredes do motor. Outra parte se perde nos gases quentes que escapam pela descarga do motor. Perde-se calor, ainda, por radiação e atrito nas partes móveis dos motores. Energia de saída é a energia efetivamente transformada em trabalho e que faz movimentar o veiculo.  É também chamada energia útil. O rendimento de máquinas térmicas, como os motores de veículos, raramente supera os 35%. No caso dos motores a gasolina, este valor é ainda menor, situando-se na faixa dos 27%. Em outras palavras, apenas 27% da energia liberada pela combustão é aproveitada para mover o veículo.

Apenas para termos um nível de comparação, um motor elétrico, do tipo empregado em ventiladores ou outros aparelhos rotativos, tem um rendimento próximo de 80%. O rendimento de turbinas hidráulicas supera os 80%.

Em números redondos, um motor a gasolina dos mais modernos queima e joga fora três em cada 4 litros de combustível utilizados. Se um litro de gasolina custa hoje algo como R$ 2,50 e um automóvel consome um litro a cada 10 quilômetros percorridos, ao final de uma viagem de 100 quilômetros, o proprietário do veículo terá gasto R$ 25,00 em combustível e desperdiçado R$ 18,00 por força do baixo rendimento do motor. Apenas R$ 7,00 foram de fato gastos para o deslocamento ou produziram trabalho útil.

Para agravar ainda mais o quadro, uma simples observação do tráfego destes veículos nas grandes metrópoles do mundo permite observar que cerca de 70% desses veículos transportam apenas uma pessoa, embora sejam fabricados para transportar até cinco passageiros. Se considerarmos que o rendimento dessas máquinas é de 27% e que elas transportam, no mais das vezes, apenas parcela da carga para a qual foram projetadas e fabricadas, este rendimento cai ainda mais, tornando-o ridículo e incompatível com os atuais padrões ambientais e tecnológicos.

Se adicionarmos ao quadro acima descrito o fato de que estes veículos passam boa parte de seu tempo parados, apenas queimando combustível nos absurdos congestionamentos que paralisam as grandes cidades do mundo, a situação fica insustentável do ponto de vista da razão.

Infelizmente, a posse e uso de um veículo com essas características tornou-se um dogma para a sociedade de consumo. A incessante propaganda que associa a posse de um desses veículos ao sucesso tem dado seus resultados. Mostrar ao mundo que se tem um veículo desta ou daquela marca, com tais e quais atributos e penduricalhos, transformou-se em motivo de auto-afirmação.

Que se danem o meio ambiente, os espaços para circulação, o tempo gasto em deslocamentos urbanos, os transportes coletivos (quando existem), os cuidados com a saúde e a burrice dos motores.

Felizmente, estamos alcançando um estágio insustentável nesta questão. Inútil é esperar que os políticos de plantão adotem alguma saída para o problema. Serão as próprias pessoas que irão, por si mesmas, descobrir a inutilidade dessas máquinas nas atuais condições e buscarão alternativas tais como caminhar mais, pedalar ou usar transportes de massa de qualidade.

A hora é de um retorno à razão, para nos juntarmos aos animais, já que estes nunca deixaram de usá-la.
 

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Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."
Carlos Drummond
de Andrade

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