Madri, Espanha, 9/5/2012 – Vinte organizações da sociedade civil acusaram o governo espanhol na Organização das Nações Unidas (ONU) de descumprir compromissos internacionais ao reduzir fundos em áreas sociais para enfrentar a crise econômica. Os imigrantes estão entre as principais vítimas do plano de austeridade. Os severos problemas econômicos e financeiros que a Espanha sofre derivaram em “uma crise de direitos humanos”, afirmam os ativistas em seu informe apresentado ao Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU, que, entre os dias 7 e 8, analisou a situação neste país de assuntos como moradia, saúde, trabalho, educação e imigração.Nabeel Rajab foi preso, com outro ativista, logo depois dessa entrevista, ao voltar ao Bahrain, vindo do Líbano. Para informar-se sobre sua situação, acompanhe atualizações na página de WikiLeaks.
Em reação à prisão desses dois ativistas, a página da Polícia do Bahrain foi derrubada por Anonymous: Operation Bahrain - @Op_Bahrain
TANGO is DOWN: Police Media Center taken offline for the arrests of Nabeel Rajab & Zainab AlKhawaja #OpBahrain - (5/5/2012, Twitter)
Oitenta mil pessoas comemoram desde o começo da noite, na Praça da Bastilha em Paris, numa festa que deverá entrar pela madrugada, a vitória do socialista François Hollande, novo presidente da França, eleito com 51,62% dos votos.
Enquanto isso, o presidente eleito viajava de Tulle, departamento da Corrèze, em avião para o aeroporto Le Bourget, perto de Paris. Logo depois de desembarcar, François Hollande se dirigiu à festa popular da praça simbólica da Bastilha, no começo da madrugada, onde deverá fazer novo discurso. (atualização: ver vídeo acima)
A Europa está sendo sacudida pela revolta popular contra a “austeridade”. A eleição de François Hollande não abriu a possibilidade de mudança de direção só na França, mas também nas cidadelas da ortodoxia fiscal em Bruxelas, Frankfurt e Berlim. Na Grécia, o terremoto eleitoral do domingo detonou o establishment político que dominou o país por 40 anos.
Dos Países Baixos à Romênia, os governos caem sob o peso dos cortes nos orçamentos e aumentos de impostos exigidos pelo novo tratado permanente pró-deflação na Eurozona. Na Irlanda, a maré antiausteridade atrai apoios para que o “Não” saia vencedor no referendo sobre aquele tratado, previsto para esse mês.
Ao rejeitar qualquer negociação seja nos termos do tratado seja nos termos do “resgate” impossível imposto à Grécia, Angela Merkel converteu a luta pela economia europeia numa batalha pela democracia.
Alexis Tsipras do Partido SYRIZA em Atenas, em 8 de maio após as conversações sobre a perspectiva mal sucedida de formar um governo sem novas eleições. Foto: Simela Pantzartzi/EPA |
Os gregos e franceses rejeitaram clara, inequivocamente, o programa que a chanceler alemã insiste em meter-lhes goela abaixo.
E não é difícil ver por que o rejeitaram. A “austeridade” não funciona, sequer nos termos dela própria. Cortar empregos e salários e aumentar impostos não estão diminuindo o endividamento, muito menos está levando na direção da recuperação econômica. Só tem conseguido aprofundar a recessão, aumentar as dívidas e destruir empregos, arrochando os padrões de vida em toda a eurozona – na Espanha e na Grécia, já gerou situação de calamidade – e também na Grã-Bretanha.
David Cameron e Nick Clegg aproveitam hoje a ocasião da própria derrota nas eleições locais da semana passada, e insistem que não haverá “facilidades” nem no programa de “austeridade” dos dois. Isso, menos de uma quinzena depois de o país mergulhar oficialmente em recessão, com os cortes chegando já ao setor da construção.
Claro: continuam insistindo que “buscam o crescimento”. Mas como os eleitores em toda a Europa estão descobrindo, se há coisa que não falta são políticas de crescimento: da desregulação, ao investimento público; e os planos de inclusão, para facilitar a demissão de trabalhadores, no discurso de amanhã, da Rainha, não deixam dúvidas quanto ao que anda na cabeça de Cameron e Clegg.
Mas a vitória de Hollande, com plataforma de empregos, investimentos, maiores impostos para os mais ricos e renegociação do pacto fiscal da Eurozona, já mudou a dinâmica política em todo o continente europeu e enfraqueceu o eixo alemão pró-austeridade. Até os mandarins da finança internacional já estão virando casaca: Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu anda falando agora sobre um “compacto de crescimento”, enquanto Christine Lagarde do FMI acaba de descobrir que “a austeridade fiscal atrasa o crescimento, com efeitos piores que os esperados”.
Mas a reviravolta política na Grécia pode ter consequências ainda mais profundas. O colapso econômico da Grécia, disparado pela quebradeira de 2008 e agravado pela austeridade imposta pela União Europeia e pelo FMI, é desastre social de proporções equivalentes à depressão dos anos 1930s nos EUA. Os salários reais caíram 25% em dois anos, segundo a OECD.
Não surpreende que o apoio aos partidos que levaram a Grécia a essa situação tenha caído de 80% para 30%, enquanto os partidos de esquerda, que rejeitaram os cortes impostos por EU-FMI, as privatizações e o impossível pagamento das dívidas tenham surgido à frente dos partidos do establishment desprestigiado e da direita nacionalista.
Por mais que a imprensa internacional só tenha olhos para os 7% de votos dos fascistas do partido Golden Dawn, não há qualquer dúvida de que a grande vencedora das eleições do domingo foi a coalizão da esquerda radical, Syriza, que recebeu 17% dos votos. O líder do bloco Syriza, Alexis Tsipras, já está em negociações, sob a perspectiva de que será impossível constituir qualquer governo na Grécia, sem novas eleições.
Nos últimos quatro anos, a crise degolou presidentes, sem discriminar, do Republicano George Bush e do conservador Nicolas Sarkozy, a Gordon Brown, trabalhista, e a José Luis Zapatero, socialista. E a extrema direita cresceu, em toda a Europa, montada em discurso contra os imigrantes e contra “o sistema”.
Agora, aquela direita está sendo desafiada por partidos de esquerda que rejeitam um fracassado sistema neoliberal e retornam aos territórios sociais – que nunca deveriam ter abandonado. A Frente Nacional de Marine Le Pen ainda apareceu à frente da Frente de Esquerda de Jean-Luc Mélenchon, nas eleições presidenciais francesas. Mas não foi o Partido da Liberdade, islamófobo, do fascista Geert Wilder, quem mais ganhou com o colapso do governo holandês pró “austeridade”. Na Holanda, o partido socialista radical aparece agora em 1º e 2º lugares, nas pesquisas de opinião, já com mais de 20% de apoio dos eleitores.
À medida que aumenta o preço a pagar pela austeridade do establishment, a polarização entre direita e esquerda começa a aparecer na imprensa-empresa como se fosse sinal do crescimento dos “extremismos”.
Mas é simultaneamente repugnante e absurdo ver, sob o mesmo padrão, (I) nacionalistas racistas e xenófobos, que mantiveram no poder governos supostos de centro da Dinamarca à Itália, e (II) partidos da esquerda que têm raízes nos movimentos sociais e oferecem uma alternativa política e econômica progressista.
Absolutamente nada há de “extremista” numa organização como a Syriza grega, que rejeita um programa de destruição social e econômica o qual, esse sim, é extremista em todos os sentidos da palavra – e exige renegociação.
As escolhas políticas dos grupos e debates dominantes nos últimos anos tornaram-se tão rasas, nesses anos de consenso pró-mercado, que o ressurgimento de genuínas alternativas políticas de democratização parece chocante e difícil de compreender.
O que se espera agora é que Merkel bloqueie qualquer movimento de Hollande para renegociar o tratado europeu de “austeridade”, mas aceite algum tipo de pacto de crescimento, vazado em terminologia vaga e imprecisa (como aconteceu quando se tratou de criar o Euro, nos anos 90s), que permita algum empréstimo extra pelo Banco de Investimentos Europeu e alguns projetos de infraestrutura.
Se o presidente socialista francês, nesse quadro, insistir no tipo de corte implicado em seus planos para reequilibrar o orçamento até 2017, num contexto de crise continuada e empobrecimento na Eurozona, o risco de alimentar o crescimento de uma direita peçonhenta, que se nutrirá da desilusão social, é autoevidente.
Mesmo nesse caso – ou no caso de confronto declarado com os mercados financeiros – só um potente movimento social poderá servir como indispensável contrapeso àquela direita fascistizante.
O futuro da Eurozona depende agora do que aconteça na Grécia, e do risco do contágio dos mercados. Alguns, na esquerda grega, esperam melhorar sua posição de barganha contra a União Europeia e o FMI, em novas eleições. Outros são céticos, enquanto cresce a possibilidade de a Grécia quebrar e separar-se do Euro.
A Grécia é caso gravíssimo, onde a batalha política trava-se agora entre posições radicais de qualidade diametralmente oposta. Mas os povos, em toda a Europa estão muito profundamente decepcionados pela ordem dos mercados, que não dá o que promete. Se a esquerda não oferecer alternativa efetiva, outros oferecerão – com consequências horrendas.
Seumas Milne |

Barcelona, Espanha, maio/2012 – Depois de dar por encerrado o assunto da guerra do Iraque, agora se desvela outro grande objetivo de Israel: atacar o Irã, com a desculpa de sua possível produção de armas atômicas (e Paquistão, China, Índia… Países onde deixou de ser possível para ser um fato a posse de bombas nucleares?).
Há anos que os grandes produtores de armamento e de petróleo (ambos integrantes do “grande domínio” do mundo) buscam enfrentar o Irã, como também o fizeram há alguns anos, recorrendo a argumentos falsos, com o Iraque. Não é nenhuma casualidade as reservas de petróleo do Irã serem tão grandes quanto as da Arábia Saudita, podendo até mesmo serem superiores.
A maior parte dos presidentes atravessam um ou mais períodos econômicos maus (recessões, depressões, crises, etc.). Todo presidente desde pelo menos Franklin Dellano Roosevelt gerou um “programa para responder ao período mau – tal como era pedido pelos cidadãos e os negócios. FDR e todo presidente posterior prometiam que o seu programa iria “não só livrar os EUA das perturbações econômicas atuais como também garantiria que nem nós nem os nossos filhos precisarão enfrentar tais períodos maus no futuro”. Obama foi apenas o mais recente a dizer isso.
Washington, Estados Unidos, 30/4/2012 – Enquanto o presidente norte-americano, Barack Obama, destaca os progressos no Afeganistão e Iraque, parece apostar em um intensificação das operações encobertas e militares no Iêmen. Washington está preocupado com os últimos avanços da Al Qaeda na Península Arábica (AQPA), particularmente no sul to território iemenita. Desde o falido atentado a bomba cometido por um nigeriano treinado pela AQPA contra uma empresa aérea em Detroit, em dezembro de 2009, esse grupo passou a ser considerado a maior ameaça aos Estados Unidos.O que os internautas temos de saber (e de aprender sozinhos)
Mais uma vez, lá vem o FBI – executando mandatos ilegais de busca e apreensão, e atrapalhando o tráfego legítimo na internet – sem que ninguém os impeça de prosseguir com os desmandos.
Desde o final de março, várias ameaças de bomba, sempre anônimas, foram enviadas por e-mail à Universidade de Pittsburgh. Na investigação, o FBI descobriu que as ameaças estavam sendo disparadas de um servidor hospedado pela cooperativa progressista “Internet Service Provider (ISP) May First/People Link (May First)” (1º de maio/Link do Povo (1º de maio) [1]). O servidor é usado pela rede European Counter Network (ECN), de um grupo italiano de ativistas, e armazenado num servidor em New York que oferece ferramentas seguras de comunicação para ativistas em todo o mundo e que também é usado pelos grupos May First e Riseup [2].
Eu sabia que seria ótimo reencontrar velhos amigos em Istambul, depois de dois, três anos de ausência – sentar no meu café preferido junto ao Bósforo, vendo passar os navios, bebendo raki [1] e deixando que lentamente aqueça o espírito e entusiasme a mente, falando de política, de Deus, da vida... Só quando se vem a essa cidade de desejos do coração percebe-se que os turcos têm certa razão ao insistir que Istambul é o centro do mundo. Mas, dessa vez, estou com a impressão de que os turcos andam errando as contas.
Jamais antes vi tanta prosperidade da Turquia. Os turcos estão gastando a rodo. A economia vai esplendidamente bem. O governo de Recep Tayyip Erdogan deu à Turquia a estabilidade política que o país não conheceu durante décadas, e o gênio turco parece afinal liberto. A autoridade civil reina suprema, como deve ser numa democracia real. Erdogan gravou o próprio nome em letras douradas nos anais da história e da política turcas. É o que absolutamente todos dizem por aqui.
O povo egípcio está lutando para recuperar a própria soberania. Segundo pesquisa recentemente divulgada, os egípcios entendem que sua soberania foi cedida parcialmente a Israel, por dois ditadores pós-Nasser: Anwar Sadat e Hosni Mubarak, a serviço dos governos dos EUA, de Nixon a Obama.
Acabar com três arranjos humilhantes para os egípcios – o esquema de fornecer gás barato a Israel, os acordos de Camp David de 1979 e o reconhecimento de Israel, a que os EUA obrigaram o Egito – é entendido como objetivo estratégico de segurança nacional para a maioria dos 82 milhões de cidadãos egípcios.
Segundo resultados de pesquisa de opinião realizada pela rede Press TV e divulgada dia 3/10/2011, 73% dos egípcios entrevistados opunham-se àqueles arranjos e acordos. Hoje, se estima que essa porcentagem já alcance os 90%.

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