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Qui, 02 de Junho de 2011 14:03 José Milbs Crônicas de José Milbs
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Eles habitavam toda região do litoral do Rio de Janeiro. Corpos morenados pelo sol sem os protetores e nenhum deles com doenças de pele. Suas redes, tecidas a mão por suas companheiras e filhas, tinham o sabor da arte e do bom gosto. Sempre alegres e de olhos acessos e avermelhados, estes senhores dos mares eram figuras presente em toda história nas cidades que habitavam.

Cabo Frio, Búzios, São Pedro de Aldeia, Rio das Ostras, Barra do Rio São João, Macaé, Farol de São Tomé, Ata fona e São João da Barra eram locais em que seus barcos, com pequenos motores e bastante experiência de mar, os levavam nas noites enluaradas e de manhãs amenas. Enchovas, Gordinhos, Galos, Marimbas, Serras, Espadas, Pescadas, Pescadinhas e siris do mar, eram sempre o produto de suas noites onde as gaitas, o velho rádio de pilha e um violão com 4 cordas, deixavam em aberto o coração de volta e mais volta aos lares...

As beiradas das praias estavam sempre cheias de muita gente. As chegadas dos barcos, passando pelas ondas bravias, eram saudadas por centenas de acenos. Mulheres e filhos se juntavam a outros na expectativa de ver o produto de mais uma noite de pesca.

Os pescadores tinham saído de suas simples e aconchegantes residências em plena madrugada. Antes tinham olhado o céu, reparado de onde vinha o vento e, antes mesmo de apagar as luzes dos candelabros de seus quintais, já estavam assoviando cânticos e cordiais acenos aos vizinhos que se juntarão a outros e partirão para o alto mar...

A pesca tinha a essência do belo artesanal. As vendas eram feitas ali mesmo nas praias e o que não era vendido, era colocado numa cesta, coberto com galhos de matos, tirados ali mesmo na restinga e levados nas bicicletas pelas ruas da cidade.

Os anos arquejaram os senhores do mar. Suas redes apodreceram estendidas nos quintais em enferrujados arames. Os barcos, virados de bunda para cima estão totalmente danificados pelo tempo. Esses bravos trabalhadores do mar, hoje de olhos caídos e "encostados no INSS", nem de longe lembram aqueles corpos sarados e olhares brilhantes dos anos de sua juventude...

A herança dos segredos duramente colhidos na vasta extensão de água salgada do mar, de suas artimanhas e ventos, outras vezes herdados de seus pais e avós não podem ser passadas para seus filhos e netos.
Apenas a história de casos ocorridos em suas longas noites pode chegar aos ouvidos dos pequenos netos e filhos.

Os braços, estendidos deixando à mostra a pele enrugada e a tez flácida, apontam para ilhas e pedras. Lá, eles comentam dos grandes barcos que habitam os mares. São barcos de bandeira estrangeiras ou de falsa bandeira nacional. Dentro deles, contam a seus filhos que os olham admirados:

- Tem um vidro que vê onde está o cardume. Eles apertam um botão e sai uma rede de fios finos que pegam todos os peixes. Filhotes, fêmeas com ova na barriga, tudo eles levam para longe. Acabaram com tudo - diz, e seus olhos deixam cair uma lágrima que se junta às dos meninos...

 
Qui, 09 de Dezembro de 2010 13:43 José Milbs Crônicas de José Milbs
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Sentado na minha varanda, cercado de árvores, gritos de alegres Gansos, recebo um email de uma grande amiga, Sonia Golosof que fala de um meu texto.

A precisamente 11 anos, vinda de São Paulo, recebi o corpo de minha mãe Ecila. Respeitamos seu último desejo e a sepultamos junto a sua mãe Alice Lacerda, seu pai Mathias e sua querida irmã Ondina Lacerda. Fiz um livro on-line ECILA onde falo de suas belezas humanas no trato com o semelhante. A Vida continua e estou eu aqui a rever um texto que fiz e que recebeu comentário de uma amiga. Sonia Golosof faz parte de minha história e de muita gente que habita esta cidade de muitos historiadores e pouca memória de seus verdadeiros vultos. Sonia é filha do "Seu Golosof" um homem simples e humano que já retratei em textos neste velho jornal O REBATE e que está eternizado no busca mundial do GOOGLE. Foi um texto que atendia ao pedido de minha linda e inteligente neta Mariana. Como o O REBATE já está no caminho das 8 milhões de visitas, um acontecimento inédito em um site jovem, faço de novo esta publicação por que não vejo nada de novo no Palco da Vida e que originou o tema.
 
Qui, 19 de Novembro de 2009 12:26 José Milbs | Publicado originalmente no jornal A Nova Democracia Crônicas de José Milbs
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O sol permanece escondido entre os raios de Lua que teimam em reinar no amanhecer da cidade. O dia ainda nem começou, quando centenas de homens deixam os alojamentos e caminham com destino à obras que lhe fornecerão "o pão de cada dia". A barriga ronca, o hálito diz da precariedade da dentição o e os braços se erguem num espreguiçar que deixa à mostra a musculatura rígida feita de pancadas de estacas e levantamento de sacos e mais sacos de cimento.

Sorrisos trocados com companheiros, olhar escantilhado para os lados em busca de capacete e roupagens coloridas com os logotipos de empresas tercerizadas fazem a rotina destes homens cujas rugas na face dão conta dos anos em que servem de "mão-de-obra", deixando transparecer o belo olhar infantil que brota na universal identidade com seus companheiros de labuta.

 
Qui, 06 de Agosto de 2009 12:47 José Milbs Crônicas de José Milbs
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Muitos textos que fiz se foram nas ventanias da vida. Muitos foram publicados no velho e resistente O REBATE no decurso destes 50 anos. "POR UM NINHO QUE CAI foi um destes que deve habitar algum arquivo de alguém que gosta de guardamentos.

Neste uma falava as chuvas de inverno, ventos uivantes, balanceamento de árvores aqui do Sitio onde moro. Revia a luta de um casal de rolinhas que, aconchegados aos sews filhotes, fazia frente as trovoadas e relâmpagos que, abusando das forças maiores da natureza, objetivam jogar por terra os filhotes. Debalde, falei da luta das Rolas. Uma rajada de vento, que até molhou as lentes de meus óculos, levantou e atirou longe os filhotes.

Não sei se rolinhas choram. Eu praguejei a natureza. Por que que logo os filhotes? por que não foi, com seu vento forte e seus raios, atingir quem mata Nascentes, Cimenta Rios e matam animais indefesos?

Neste meu texto POR UM NINHO QUE CAI falei também das gotículas das chuvas criadeiras de Agosto e final de Julho que faziam brotar as mais lindas sementes que ficam no chão...
Entendia, neste texto, o que era de fato a transformação do vital. Desde lindo circulo natural de vida e morte...

Hoje, meu filho Luís Cláudio me diz que um ninho tinha caido da soleira da casa onde habitamos. Dizia que neste momento se lembrou deste que originou esta lembrança...

EU, POETA?
Foram se os Cabelos Negros, vieram os Brancos...
Foram-se as duvidas...
Vieram as certezas...
Na duvida do nascimento do amor... A certeza do seu nascimento....
A existência das dúvidas em verdades vividas...
Haveria certeza nas dúvidas puras das infâncias?
Ou seria a 'duvida a eterna das nossas incertezas?

 
Sex, 21 de Dezembro de 2007 00:00 José Milbs Crônicas de José Milbs
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A CADA ANO O NASCIMENTO DE JESUS, O CRISTO, SE TRANSFORMA NUMA FARRA COMERCIAL BEM AO GOSTO DO COMÉRCIO, INDUSTRIA E DO CAPITALISMO CRUEL
Pesquisas encomendadas para levar o POVO ao consumo, ofertas, Papai Noel com cara de palhaço e outras bugingangas socias estão afastando, a cada ano, o verdadeiro motivo das comemorações.
Crianças sem pais, velhos abandonados, viuvas, orfãos, infelizes presos por expropriarem galinhas ou margarinas, são obrigados a conviverem com as ofertas mirabolantes de um comércio sujo que não tem alma. Comércio que pensa sòmente em aumentar seus lucros a custa do enganamento do Povo Brasileiro. Igrejas, em sua maioria com pregadores safados e com discursos ensaiados nos cursos de teologia que infestam as cidades, fazem a sua parte. Recolhem grana que, a cada dia e a cada hora, aumentam mais as entidades e dão mordomias aos seus chefes.
Se o sacrificado Jesus, com sua pureza e divindade, voltasse para ver a comemoração de seu nascimento ou morte, por certo seria preso, torturado e jogado em alguma DP deste pais de governantes trairas e acocorados aos poderosos.
Será que isso um dia vai ter fim? Que o Capitalismo agoniza e se prepara para entregar o Planeta sem agua, sem vida e sem passarinhos, eu já antevejo. Mesmo com tudo isso, O REBATE deseja um Feliz natal.

(José Milbs de Lacerda Gama, editor)

 

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debatinho
http://www.jornalorebate.com.br/278/pinguim.jpg Em breve o PINGUIM DA RUA DO MEIO, livro do editor José Milbs sobre as infâncias e histórias da Região de Petróleo. Aguardem!

Rancho O Rebate
ecolmeia
http://www.jornalorebate.com.br/235/b-nnt.jpg

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