Editorial

O DONO DA METRALHADORA

09 Maio 2013
Laerte Braga
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Imagine que a população de todo o planeta seja de dez pessoas a apenas uma tenha a metralhadora. Essa pessoa é a dona do mundo e certamente terá a senzala para prevenir revoltas e surpresas desagradáveis.

Ninguém de sã consciência tem dúvidas que o regime da Coréia do Norte é uma ditadura cruel e sanguinária, voltada para um culto acendrado ao ditador, forma de manter o terror e os privilégios de militares e elites de um partido que não tem compromissos com o marxismo. Uma espécie de apêndice da China, potência capitalista e ditadura.

A China é óbvio tem metralhadoras de maior alcance e com isso consegue mais ou menos nivelar a propriedade do mundo, na prática temos duas senzalas. A gerida pelos EUA, ISRAEL E OTAN (outro apêndice de ISRAEL – EUA TERRORISMO S-A), A Europa Ocidental submetida política e militarmente e sob uma crise cujos efeitos devastadores se fazem sentir sobre os trabalhadores.

Iraquianos, líbios, afegãos, sírios, libaneses, palestinos e outros pagam o preço da metralhadora de uma das partes que domina o mundo. O Tibete, por exemplo, paga o preço da voracidade colonizadora da China.

Dois golpes de estado marcaram recentemente a América Latina. O que derrubou Manoel Zelaya em Honduras e o outro que derrubou o presidente do Paraguai. E ambos revestidos do caráter de “legalidade”, desde que o dono da metralhadora de nossa banda percebeu que tem mais um instrumento precioso além da metralhadora. A mídia lixo, ou o lixo mídia, tanto faz.

Guiam manadas, ou Homer Simpson como afirmou o apresentador do principal telejornal do Brasil.

São constantes as tentativas de golpe de estado no Equador, na Venezuela, na Bolivia e sistemáticas as pressões sobre o Brasil que aceita sem perceber os riscos das políticas dúbias, uma no cravo, outra na ferradura, um País que aos pouco vai se tornando um gigante manco, abrindo mão de um projeto próprio.

Não conseguimos até hoje, ao contrário dos outros países latinos americanos colocar na cadeia os torturadores, abrir as páginas de uma história vergonhosa como a de 1964, a ditadura que veio de longe e se alastrou por toda a América do Sul com seu espectro de terror.

Não existe alternativa a esse processo brutal, é só olhar a ação de Israel na Síria, que não a organização e luta popular, num momento em que o poder do capitalismo é muito mais bélico que econômico, sobretudo na Europa Ocidental.

Há todo um processo, por exemplo, para destruir o Irã e a ele acabam chegando, sem medir as consequências de uma guerra de grande porte.

Importa o domínio e isso significa matérias primas, toda e qualquer espécie de riqueza, o da população.

O que é a mídia lixo ou lixo mídia hoje que não o Grande Irmão, ou próximo disso.

Luta popular não significa necessariamente luta armada, embora essa seja válida em muitos momentos. Significa que o primeiro de maio longe de ser um dia festas, como foi em nosso País, é um dia de protestos, de luta, tal e qual aconteceu em vários países europeus e em Cuba, onde milhões foram às ruas ou exigir de seus governos respeito, ou reconhecer os feitos de seu governo (Cuba).

Se não buscarmos no Brasil formas de organização popular, com certeza mos breve seremos colônia de luxo, vice reinado e isso não é o que um gigante como somos devemos ou podemos ser.

O governo Dilma inclina-se à direita em várias questões e disfarça no populismo a submissão. Não quer dizer que seja pior que Aécio, que Marina ou Eduardo Campos. São piores, arrematam o processo neoliberal.

Mas sem organização e luta popular o dono da metralhadora continua sendo um só aqui e esse é impiedoso.


 

O STF E A BRIGA COM O CONGRESSO

02 Maio 2013
Laerte Braga
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Como afirma o jornalista Luís Nassif o ministro Gilmar Mendes é um “gerador de crises institucionais”. Gilmar Mendes entrou no STF pela porta dos fundos para garantir a impunidade de figuras do governo FHC (do qual foi membro). A liminar que concedeu paralisando a tramitação de um projeto está longe de uma aberração. É um ato político de olhos postos nas eleições de 2014.

A constituição federal dispõe sobre competência dos três poderes e nela estão plantadas cláusulas pétreas que dizem respeito aos direitos básicos do cidadão e a estrutura de poder. Não cabe a um ministro do STF, ainda mais da lambança do mensalão, definir sobre o curso de um projeto. Em última instância, se ferir cláusula pétrea decidir sobre a validade ou da lei aprovada.

Imagino que se ministro da corte suprema dos EUA Gilmar teria um ataque, já que a legislação americana – e não estou entrando no mérito – define regras claras para a constituição de um partido e permite candidatos independentes.

Dizzie Gillesppie, por exemplo, enquanto vivo, foi candidato a presidente da república apenas no distrito do Bronx, onde tinha o percentual mínimo para postular sua indicação e ser votado. Seus votos eram contados apenas ali e pronto.

No Brasil três dissidentes formam um partido e é esse amontoado de partidos sem representação efetiva que tumultuam os governos e os tornam reféns de alianças espúrias.

Há uma diferença, lógico, entre partidos de caráter ideológico e de partidos criados ao sabor do

interesse de candidaturas. Ou seja, partidos que trazem história e em seu bojo propostas concretas e efetivas e não se prendem ao fisiologismo de candidaturas eventuais. A ideia, o princípio se sobrepõe aos interesses pessoais.

Fico a pensar se a o Congresso nacional se dispusesse a discutir a leio de meios com base naquela existente nos EUA. Estou usando exemplos capitalistas e do cerne do capitalismo. Gilmar Mendes não resistiria.

O que há em torno dessa briga de um Judiciário falido e um Congresso perplexo e sem rumo é exatamente o amontoado de siglas de um só dono com vários capatazes e subalternos, é a mesma que levou o deputado Feliciano a tomar conta do galinheiro, sendo ele a raposa felpuda e maior do atraso e do retrocesso político imaginável no País.Sobral Pinto – “democracia não existe a brasileira, não é como peru, ou é democracia ou não é” -..

Temos um jogo onde processos políticos são como satélites girando em torno de lideranças pessoais e a organização popular é conduzida e dirigida pela mídia de esgoto que acha que Luciano Huck deve ser governador do Rio de Janeiro.

É essa a briga de Gilmar Mendes, está defendendo a truculência do modelo e os interesses dos seus donos e sócios

 

O GOLPE DE 1964

28 Março 2013
Laerte Braga
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A importância e o peso do Brasil na América Latina, em todos os sentidos, foram fatores decisivos para o golpe militar de 1964. A ideia de um Brasil livre, soberano e dotado de um projeto nacional, não interessava aos norte americanos e continua não interessando.

Foi o presidente Franklin Delano Roosevelt quem deu a partida para 1964, em seu encontro com Getúlio Vargas para definir a participação das forças armadas brasileiras, agregadas às norte americanas e especificamente na campanha da Itália, na 2ª. Grande Guerra e foram os supostos bombardeios de navios brasileiros por submarinos alemães que trouxeram o presidente dos EUA ao Brasil e com ele bases militares norte-americanas, a principal delas em Natal, no Rio Grande do Norte.

O retorno dos militares da FEB - FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA - trouxe também o germe da "democracia" nos moldes norte americanos e a deposição de Vargas, em 1945 foi consequência disso. Na campanha da Itália, o oficial de ligação entre os brasileiros e os norte americanos o general Vernon Walthers, mais tarde diretor da CIA, adido militar no Brasil em 1964 e seu contato era com o marechal Castelo Branco, primeiro presidente do golpe.

Os golpistas não contavam, no entanto, com as sucessivas derrotas eleitorais dos candidatos da antiga UDN - UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL - principal partido da direita e antro, por sua maioria, dos defensores da american way life.

A volta de Getúlio Vargas ao poder com impressionante consagração popular em 1950 reforçou a posição dos golpistas e atos como a criação da PETROBRAS, a decisão do então ministro da Trabalho João Goulart, que aumentou o salário mínimo em 100%, provocando forte reação militar (as forças armadas brasileiras foram e são ligadas às elites econômico e financeiras) e o episódio da tentativa de assassinato de Carlos Lacerda por um dos guarda costas de Getúlio por pouco não traz 1964 para 1954. Só não conseguiram o intento como consequência do suicídio do presidente Vargas.

Derrotadas novamente nas urnas em 1955 (o mandato presidencial era de cinco anos) com a eleição de JK e Jango como seu vice (as eleições de presidente e vice eram distintas) tentaram impedir a posse de Juscelino, no que foram impedidos pela reação do marechal Teixeira Lott e, finalmente, em 1960, a UDN ganhou com o Jânio Quadros, um bêbado com vocação ditatorial e que acabou renunciando sete meses depois.

A crise que se seguiu à renúncia de Jânio, em agosto de 1961, na tentativa de impedir a posse do vice, João Goulart (havia sido reeleito, ao contrário do presidente o vice tinha o direito à reeleição) e o fato de Jango estar na China em missão oficial, provocou a imediata reação do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, em 1964 e culminou num grande acordo, as forças armadas estavam dividas e Jango tomou posse sob o regime parlamentarista com Tancredo Neves como primeiro-ministro.

Jango formou inicialmente um gabinete de conciliação nacional e partiu para recuperar os poderes presidencialistas, fato que aconteceu em 1963, quando iniciou um grande programa de reformas estruturais, chamadas reformas de base (agrária, ttributária, urbana, etc) e políticas estatizantes.

Já era forte o movimento golpista através da ação de organizações financiadas pelos EUA (O IBAD - INSITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA), todas voltadas para derrotar o governo nas eleições legislativas de 1962 e fomentar a reação de grupos de direita em contrapartda a organização popular através do movimento estudantil, sindical (é criada a primeira central sindical do País, o CGT - COMANDO GERAL DOS TRABALHADORES à frente o deputado e líder sindical Clodesmith Riani). Sob a batuta do embaixador norte-americano Lincoln Gordon e do velho conhecido general Vernon Walthers - adido militar - aliados aos grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros, com a cumplicidade de boa parte das forças armadas, consumou-se o golpe, Jango foi deposto e o Brasil vive até hoje à sombra da boçalidade dos militares e seus aliados.

Exílios, torturas, assassinatos, de adversários, cassações políticas, presença em golpes militares em toda a América Latina, entrega de riquezas nacionais, um Brasil moldado à feição dos EUA, durou até 1984 com a eleição de Tancredo Neves (pelo voto indireto) para a presidência (não chegou a tomar posse, faleceu antes), tudo isso permanece em boa parte escondido dos brasileiros, e a democracia que temos não significa que estamos livres do golpismo hoje sob a forma da mídia de mercado, de governos fracos desde FHC, num processo político e econômico que abandonou a ideia de um projeto Brasil para inserir-se no processo de globalização, que Mílton Santos, o notável geógrafo brasileiro chamou de "globalitarização" , ou seja a globalização pela forma das armas e essas a serviço do sistema financeiro, vide a União Européia.
O golpe de 1964 foi uma ruptura do processo democrático, covarde e boçal, que cortou o avanço do País e a perspectiva real de sermos a potência mundial que sonhamos e desejamos.
 

AS DIFICULDADES DE AÉCIO

28 Março 2013
Laerte Braga
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"Òtimo". Foi com essa expressão que o senador Aecio Neves saudou os números da pesquisa que dão 58% de intenções de votos a Dilma Roussef nas eleições presidenciais do ano que vem e o deixa atrás de Marina da Silva, com 16%. Aécio é senador por Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do País e boa parte dos 1edo0% terão sido obtidos ali

O ex governador de Minas começa a encontrar dificuldades dentro de seu partido, sabe, a despeito das declarações em contrário, que Serra não o apoiará e Eduardo Campos, com 6% está bem próximo e próximo também de levar o apoio de algumas figuras do tucanato e do PMDB.

Aécio não é Tancredo, o governo de seu sucessor, também tucano, é um fracasso, e o senador mineiro, acusado de várias irregularidades, pode estar no limite de sua carreira política, o Senado, sem falar em sua fama de aventureiro o que traz à lembrança a figura de Collor de Mello. A comparação é inevitável tanto do alagoano com o mineiro como com o governador de Pernambuco, que, na verdade, joga para 2018.

Seria estranho se Aécio tivesse dito "péssimo". Mas deve ter sido o que sentiu.

Neste momento Eduardo Campos não é necessariamente o problema mais grave e preocupante de Aécio, embora seja um problema. Marina da Silva e seu jeito madre Teresa de Calcutá, essa sim, ameaça fazer um rombo de proporções elevadas no navio tucano.

O carisma que se atribui Aécio não parece ser mais que produto de marketing. Fora de Minas Gerais o senador não é quase nada em termos eleitorais e com Eduardo Campos, aí sim, no Nordeste, com certeza fica a deriva.

Atrair o PMDB é outra dificuldade. O partido é uma frente, tem o vice presidente e Dilma Roussef jamais abrirá mão de um político competente nas artimanhas e nos ajustes, como Michel Temer. Por maior que seja o descontentamento com o governo em seu partido, Temer leva a maioria consigo. São muitos cargos em jogo.

Pela primeira vez desde a eleição de FHC os tucanos poderão ficar órfãos na disputa pela presidência. Aliados até do PPS de Roberto Freire estão em debandada buscando rumos e bases mais seguras para sobreviverem.

É claro que uma pesquisa eleitoral medindo intenções de votos um ano e qualquer coisa antes das eleições de 2014 não significa nada. Mas é claro também que o governo Dilma Roussef consolidou as bases do lulismo e nada parece atingir a presidente. Qualquer hipótese que se formular sobre as eleições colocam Dilma como favorita

Um terremoto econômico de magnitude máxima seria o único fator a colocar em risco a reeleição da atual presidente o que vai representar 16 anos de governo petista e, certamente, criar dificuldades para qualquer oposição.

O "coronel" bolsa família parece estar funcionando a contento e como disse há dias um conceituado psiquiatra, "se há discordâncias no varejo, há concordância no atacado".

É um conceito interessante e os adversários de Dilma devem se debruçar sobre ele.

Mais ou menos como por maior que seja o osso, sempre há carne.

E para complicar a vida do senador mineiro o seu maior apoio dentro do PSDB é Fernando Henrique. É pouco. o partido hoje é uma colcha de retalhos com vários líderes ávidos de virarem presidente e ex, como já dizia um falecido humorista, "ex não é nada".

O paletó de Tancredo está ficando poído e o seu presumido herdeiro político começa a parecer um rei nu, quando fora das fronteiras de Minas, mesmo sendo cidadão carioca. Se solto em BH ou vai de táxi, ou não vai, não conhece a cidade.
 

2014 EM 2013

21 Março 2013
Laerte Braga
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O governador de Pernambuco Eduardo Campos deve ter tomado um susto com a última pesquisa do IBOPE e que confere um índice recorde de 79% de aprovação ao governo Dilma Roussef.

O susto de Campos deve ter sido maior ainda, quando se toma conhecimento que no Nordeste a presidente quatro pontos positivos em relação a última pesquisa.

Campos sabe que não tem cacife para ser presidente da República e alimenta o desejo de entrar como vice na chapa de Aécio (preferencialmente), ou de Marina da Silva. A julgar pelos dados atuais é fria em qualquer uma das duas opções. Nem se cacifa para as eleições de 2018. É poeira, ave de rasteiro, tiro curto.

É curioso ver os jornais da mídia de mercado dar destaque às andanças de Eduardo Campos, chamando-o de socialista. Uma das primeiras coisas que fez foi visitar empresários da FIESP – FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SÃO PAULO – e dizer que pode ser feito mais para os empresários.

Só se for doar o resto do País. O governo Dilma escora-se na sigla do PT, sugere-se de esquerda, ou centro-esquerda e vira o carro à direita nas privatizações disfarçadas e no autoritarismo da presidente. É só olhar o caso dos hospitais universitários que não aceitam a gestão da estatal criada para terceirizar esses serviços.

Aécio patina dentro do seu partido, até Alckmin (que quer ser candidato só dissimula) foge como a cruz foge do diabo do ex-governador de Minas, atolado em acusações de corrupção que só Joaquim Barbosa não vê. Não tem o apoio de Serra, do trêfego Roberto Freire (está colocando a legenda em leilão), por piores que sejam as dificuldades que Dilma vai enfrentar na área econômica, e vai enfrentar, o poder de fogo da presidente é maior que todos os outros juntos. E de quebra traz Lula a reboque e que, num último momento, pode vir a ser o candidato ao governo de São Paulo.

Campos é um boquirroto, vive seus quinze segundos de glória e talvez até consiga descolar uma vice ou na chapa de Marina ou na de Aécio (aí é mais difícil é um balaio de serpentes)

Vai surfando no afã da mídia de criar factoides para tentar assombrar o governo.

Breve cai no limbo dos que ficam seguros na brocha, enquanto alguém puxa a escada.

Dilma Roussef trouxe 2014 para 2013, consciente que seus prováveis adversários estavam se organizando no sentido de liquidá-la e às suas chances de reeleição, apostando numa crise econômica de grandes proporções.

Com medidas populares como o caso das cestas básicas, das contas de luz, foi além do que se podia imaginar até porque, no caso das contas de luz deixa Aécio vulnerável já que a CEMIG, companhia de Minas e da qual o acionista majoritários é o estado, aumentou as tarifas.

Mantém e amplia as políticas populistas de seu antecessor Lula e se prepara para voos mais altos, sempre um passo à frente do caos que reina na oposição. Não se importa sequer com repercussões negativas como a da omissão do PT na eleição do racista Marcos Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, sabe que isso não chega à massa de eleitores desinformados e ao contrário, tem consciência do poder do Bolsa Família, o coronelismo petista.

Se por sorte o Brasil ganhar a copa do mundo, aí deita e rola, embora o impacto disso não seja do tamanho que imaginam, é o que avaliam os institutos de pesquisas.

O fato é que as eleições presidenciais de 2014 vieram para 2013 e até agora a presidente vai levando de roldão todos os possíveis adversários, ainda mais se levarmos em conta que Marina da Silva e Aécio Neves são pândegos. E Eduardo Campos, ave de vôo rasteiro.

 

A UFANIA DO PAPA BRASILEIRO

14 Março 2013
Laerte Braga
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Odilo Scherer é a continuação do nazi-catolicismo de João Paulo II e Bento XVI e pior, com ênfase no Brasil. Escrevo correndo o risco do novo papa ter sido escolhido pelo conselho de cardeais. Se for o brasileiro o retrocesso vai ser bem maior do que se imagina. Essa ufania por um papa brasileiro é típica da alienação imposta pela mídia de mercado e ao mesmo tempo esse vai da valsa do brasileiro de achar – por conta da alienação – que somos os maiores e sempre os melhores, Juca Chaves tratou disso no final da década de 50, início da de 60 do século passado.

D. Odilo Scherer representa a truculência da Inquisição nos termos do século que vivemos (não pode mais usar o garrote vil lato senso, mas continua sendo empregado no método), a proteção aos pedófilos dentro da Igreja, representa sacramentar as fraudes financeiras no Vaticano e ignorar os escândalos sexuais revelados nos documentos secretos vendidos pelo mordomo de Bento XVI.

Toda a corrupção que obrigou Bento XVI a justificar uma renúncia por motivos de saúde, por idade, no duro mesmo, consequência do jogo de poder dentro da Cúria Romana, da falência dos podres poderes da Igreja Católica.

Se Odilo Scherer foi o escolhido ou for, a realidade não muda e a Igreja continua ladeira abaixo.

É possível um papa brasileiro, latino-americano, conservador (o termo é bondade, nazista) é claro que é. O Brasil considerado o maior país católico do mundo, vive um momento da ascensão das igrejas neopentecostais, uma perda substantiva de fiéis católicos para essas seitas (a despeito dos esforços da Renovação Carismática e de padres como Marcelo Rossi) e o País e a América Latina, um processo político que não interessa a Washington, principal controlador dos negócios da chamada Santa Sé, desde que Marcinkus comprou os votos para a eleição de Karol Wojtila, João Paulo II.

O arcebispo de São Paulo, ligado a OPUS DEI, cabe como uma luva nessa necessidade de manter o controle e trazer a Igreja Romana debaixo de tacões nazi-católicos. Se for ou foi o escolhido é o que significa.

A mídia de mercado aqui vai se deliciar com a eleição de Odilo Scherer, pois estará ganhando maior respaldo nas suas verdades-mentiras, nas distorções e no controle da alienação que transforma seres humanos em objetos.

O voto dos cardeais, qualquer que seja o resultado, no entanto, deve refletir o poder e o comando da OPUS DEI, uma sociedade secreta reconhecida pelo Vaticano e que no Brasil busca ocupar espaços maiores no mundo político (tem o governo do estado de São Paulo).

Se Odilo Scherer virou ou não papa nada vai mudar na Igreja como um todo, mas tudo vai desabar sobre o Brasil como punição, para usar a linguagem costumeira das religiões no seu afã de servir aos interesses de elites políticas e econômicas.

E não seria demasiado dizer que o próprio governo, de natureza populista e sustentado numa aliança tipo vale tudo, Dilma citou o diabo outro dia, é um engasgo na garganta de Odilo Scherer, que papa ou não, é um retrocesso em si e por si.

“Vença ou não vença, o Brasil é o maioral”, são versos de Juca Chaves em “CAIXINHA OBRIGADO”. Essa ufania papal é inclusive, ou foi, caso já tenha sido escolhido, alimentada pela histeria de Habemus Papa e é brasileiro.

Se isso acontecer, ou se aconteceu, não tenho dúvidas, Edir Macedo, Malafaia, Valdemiro e outros menores terão um rival implacável. Mas, em nada diferente deles.

 

VOU PRA MIAMI, DEPOIS DE MONTAR UMA IGREJA

07 Março 2013
Laerte Braga
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A revista FORBES, chamada de bíblia dos ricos, coloca o “bispo” Edir Macedo entre os homens mais ricos do Brasil. Não é novidade. E deve mostrar apenas a fortuna aparente.

Edir Macedo é dono de uma das maiores e mais sólidas franquias do mundo, a Igreja Universal do Reino de Deus. Mora em Miami e tem um prazer quase orgástico ao dizer isso nas entrevistas que concede.

. As chamadas igrejas evangélicas neopentecostais começaram a aparecer no Brasil na década de 60, século passado e chegavam junto com o leite em pó da Aliança para o Progresso, programa de “ajuda” a América Latina desenvolvido no governo do presidente Kennedy.

Trazia de tudo, desde agentes da CIA, a pastores norte-americanos e o leite em pó continha ingredientes que entre outras coisas promoviam a esterilização, ou pretendiam, de mulheres no Nordeste brasileiro.

Esses pastores chegaram aqui via Chile, no governo de Jorge Alessandri e aos poucos formaram pastores brasileiros, todos com objetivo de alienar pessoas em nome da fé e manter o processo político e econômico intocado, vale dizer, o Estado brasileiro controlado por banqueiros, grandes empresários e latifundiários.

Foi responsável pelo IBAD – INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA –-, uma organização de extrema direita responsável pela montanha de dinheiro despejado nas eleições parlamentares e de alguns governos estaduais em 1962, no afã de neutralizar a força do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), base do presidente João Goulart.

Macedo, a essa época era pai de santo num Terreiro de Umbanda na cidade mineira de Matias Barbosa e modesto funcionário público. Hoje investe furiosamente contra a Umbanda a despeito de tentar sofisticar práticas dessa versão brasileira das religiões afro, em suas igrejas-lojas franqueadas a pastores controlados a ferro e fogo.

É dono de um banco, uma rede de tevê aberta (nem a Igreja Católica conseguiu isso), vários “negócios” e foi para Miami depois de preso aqui por uma série de fraudes financeiras.

Mora tranquilo num paraíso que já abrigou Sérgio Naya e abriga máfias cubanas de drogas, norte-americanas de jogos, prostituição, paraíso do crime organizado. Foi em Miami, estado da Flórida que ocorreu a maior fraude eleitoral da história dos EUA e deu a vitória a George Bush, derrotado no voto popular e eleito no Colégio Eleitoral.

A igreja-empresa de Macedo é parceira, através de uma bancada chamada evangélica, na qual se faz representar, do governo da presidente Dilma Roussef e tem um Ministério. Não diz respeito a Ministério de fé, mas de corrupção.

Ao que se sabe, pelo menos aparentemente, desde a eleição de Lula as investigações sobre os crimes cometidos por Edir Macedo, ou não prosperaram, ou foram para as calendas. A impunidade está garantida, tanto em Miami, como aqui. E se espalha pela África, pelo Oriente Médio. Hoje tem forte presença também no poder Judiciário. É grande o número de juízes evangélicos.

O cristianismo e o judaísmo-sionista no Brasil hoje refletem o que acontece em todo o mundo, daí a importância de Edir Macedo e outras figuras para o conjunto dos senhores do planeta. Um acordo de livre comércio firmado com o governo terrorista de Israel pelo governo brasileiro, Lula, abriu as portas do País a um complexo movimento político e econômico de domínio de setores estratégicos pelo sionismo. A massa, transformada em objeto fica por conta das igrejas cristãs.

Edir Macedo, no duro mesmo, mantém um circo de proporções bilionárias (que me perdoem os circenses legítimos) dentro das características bem definidas pela chamada sociedade do espetáculo, em livro do mesmo nome do escritor e pensador Guy Débord.

Se a fé ou a ausência de fé é um direito legítimo, inviolável da consciência de cada um, a fraude em torno da fé é um crime cometido pelo capitalismo em sua guerra nada santa contra trabalhadores.

Não é surpresa que Edir Macedo esteja entre os mais ricos do Brasil.

 

A MÍDIA E A VERDADE

28 Fevereiro 2013
Laerte Braga
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Os casos de dengue triplicaram no mês de janeiro deste ano em relação ao ano passado. Minas é o segundo colocado nesse ranking de falência da saúde. Os mineiros não tomam conhecimento disso pela mídia de seu estado. É toda ela “estatizada” por polpudas verbas públicas. Uma censura que vem desde os tempos de Aécio Neves e se mantém intocada nos tempos de Antônio Anastasia.

A rigor, a saúde pública em Minas é propriedade do grupo Marcus Pestana, deputado federal eleito com os votos de ambulâncias. Os recursos aplicados na saúde, por força de artifícios contábeis são bem menores que os determinados pela Constituição Federal.

Pestana tem o sonho de ser o próximo governador do estado, no mínimo senador.

Jornalistas que se atreveram, no governo Aécio a desafiar o poder da “governadora” Andréa Neves, foram para o olho da rua.

Continua assim.

Deve ser duro para um jornalista que é considerado o melhor analista de política brasileira pela secretária de Estado Hilary Clinton, caso de William Waack, ter que entrevistar a figura bizarra da blogueira cubana Yoani Sánchez, invenção do esquema FIESP, para ouvir críticas insensatas e inacreditáveis, como por exemplo a que afirma que saúde e educação não são conquistas.

São os ossos do ofício, os ossos da submissão. O sujeito acaba tendo que se prestar a qualquer papel, até de “jurista de Vila Velha”.

Cerca de 500 famílias são despejadas por dia de suas casas. Acontece na Espanha. A mídia local não toca no assunto. São trabalhadores espanhóis que não conseguem pagar as hipotecas dos seus imóveis. O governo permite que os bancos promovam a execução e ainda subsidiam esses bancos, temerosos que venham a quebrar e causem um caos no chamado sistema financeiro. Capitalismo selvagem, desumano puro e simples.

É como uma execução mafiosa, um tiro na nuca e a célebre expressão “são só negócios, nada pessoal”.

Essa característica da mídia brasileira prefere optar pelo noticiário leve, o tamanho do bum bum da velha senhora de Vitória, por exemplo, decadente e em fase de transição para a senilidade, ou acatar a opinião do “jurista de Vila Velha, a ater-se aos fatos de real importância.

São poucos os que fazem leves referências ao roubo de documentos secretos do Vaticano, que especulam sobre o que conteriam tais documentos, a ponto de forçar a renúncia de um papa, mas enchem suas páginas de desenhos, infográficos, ilustrações, etc, mostrando como será eleito o próximo papa.

E a dúvida cruel. O coelho da Páscoa pode ficar sem papa. Até que ponto isso prejudica o comércio não sei, não deve prejudicar em nada, o peso da santidade hoje é menor que o valor de um ovo de Páscoa, uma estampa de Ana Maria Braga tem mais impacto que a cara de um papa, ainda mais se for Bento XVI.

Não se analisa, por conveniência, que a Igeja Católica, vive um processo de extinção não importa em que prazo essa extinção venha a se consumar. Mais dois Marcelo Rossi e o processo se acelera.

Os constantes assassinatos de trabalhadores rurais sem terra por pistoleiros do latifúndio é outro assunto proibido na mídia de mercado. Ou as terras roubadas aos Guarani Kiowas, nas decisões do STF, onde o ministro Carlos Fux, com acesso de “ministrite” convoca audiência pública para saber se a tevê fechada funciona dentro dos padrões democráticos, etc, etc. É só olhar a propaganda de uma das empresas, a Sky, para ver o martírio a que o telespectador, que paga, é submetido.

A mídia está longe da verdade, longe da isenção e liberdade de expressão é apenas uma forma totalitária de vender o capitalismo transformando o ser humano em objeto, máquina.

São poucas famílias, poucas máfias, a controlar todo o setor de comunicação. E muito forte, brutal, a reação diante da tentativa de uma nova lei de meios, que permita a democratização do setor. Rádio comunitária, por exemplo, se não for evangélica, é tratada como pirata e isso por um governo do PT. Que dizem ser o Partido dos Trabalhadores. Onde quem ganha a partir de um mil reais é considerado classe média, no milagre das estatísticas que seguem a risca o velho pensamento machista que “estatísticas são como mulher de biquíni, mostram tudo, mas não mostram o essencial”. É da lavra de Millôr Fernandes. Portugal, Espanha, Grécia e Itália naufragam no desespero das políticas econômicas recessivas, contrárias aos trabalhadores, tratados como animais e a mídia se esconde nas caçadas e nas amantes do rei da Espanha, ou no fato da rainha espanhola ter ficado excitada diante do jogador Puyol enrolado numa toalha, copa do mundo de 2010. É o milagre do espetáculo, qualquer dia desses a GLOBO convoca um conjunto de especialistas para analisar a excitação da rainha e seus motivos.

A mídia de mercado e a liberdade de expressão não combinam.

 

O MONOPÓLIO DA GLOBO

14 Fevereiro 2013
Laerte Braga
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As organizações GLOBO se opuseram de forma absoluta e com criticas constantes à construção do sambódromo no governo Leonel Brizola. No ano da inauguração decidiram não transmitir o desfile das escolas de samba, entre outras coisas porque Brizola disse que era um evento público, logo, aberto a quem quisesse transmitir. A MANCHETE dos Bloch foi lá e a audiência assustou a GLOBO.

De lá para cá e até conseguir os direitos exclusivos de transmissão, não com Brizola, a GLOBO detém o monopólio e transmite solitária, do jeito que quer, no horário que quer, o ponto alto do carnaval carioca.

Pior, além do privilégio a transmissão consegue que repórteres sejam pródigos em “seje, “esteje” e ainda entrevistem FHC bêbado (um assessor correu a tirar o copo do ex-presidente).

O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro é feito em local público, o poder público participa com recursos, além de empresas privadas e os direitos de negociar a transmissão são da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, atualmente, sob investigação da Polícia Federal. É parte do crime organizado. A associação da GLOBO com o crime organizado existe desde a fundação do grupo e se materializa de forma mais viva quando do golpe militar de 1964. Foi montada para dar suporte ao golpe, a ditadura, com capital de um grupo estrangeiro, fato denunciado pelo próprio Carlos Lacerda, à época.

Num flagrante desrespeito ao telespectador, o que é comum e usual na rede, a transmissão só começa após o fim do FANTÁSTICO, programa de horror que apresentam às noites de domingo e do capítulo da novela, segunda-feira, Vale dizer que algumas escolas são mostradas em rápidas passagens e é comum o destaque para aquelas cujos enredos enalteçam os feitos da rede.

Tem feitos notáveis. Apoiou a ditadura, silenciou quanto a tortura, escondeu enquanto pode a campanha pelas diretas já, os protestos poé pulares pelo impedimento de Collor e apresenta o programa de ficção jornalística, JORNAL NACIONAL, aquele que só noticia o que “não contraria os nossos amigos norte-americanos”, na visão de William Bonner, o apresentador e editor que rotulou o telespectador de Homer Simpson, o pateta.

Não será um governador como Sérgio Cabral, ou um prefeito como Eduardo Paes que irão rever e por fim a essa exclusividade na transmissão dos desfiles de escolas de samba. A ambos falta rigorosamente peito para isso. São mastins sem dentes da GLOBO.

É imposição que esse tema seja discutido. Que esse absurdo seja revisto. É fundamental que o telespectador tenha o direito de optar por transmissões onde não tenha que aguentar os comentários “preciosos” dos “entendidos” em samba que não têm a menor ideia do seja um pagode chinês, mas disparam a falar besteiras.´

É um dos exemplos mais gritantes, pelo peso que o carnaval carioca tem, o seu impacto como espetáculo já não tão popular assim, da importância de se discutir publicamente uma nova lei de meios para o País.

A comunicação não pode ficar à mercê de quem encomenda máscaras de Joaquim Barbosa e de repente as ditas encalham, pois ninguém tem a menor ideia do que seja, ou de quem seja, esse “paladino” da lei que esconde documentos e fatos jurídicos para exibir “provas” que mostram um outro Brasil. O Brasil da GLOBO e das elites.

Dos camarotes onde se regala a nobreza num espetáculo que acima de tudo deve ser popular.

 

A SEGURANÇA PÚBLICA

31 Janeiro 2013
Laerte Braga
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O julgamento dos assassinos da juíza Patrícia Acioli expõe boa parte da ação criminosa das polícias militares, que é prática em todos os estados da Federação. Polícia é uma instituição civil e como tal deveria ser no Brasil. Polícias militares se prestam a ações como essa, o assassinato da juíza, altos índices de corrupção (a PM do Rio expulsa mais de um por dia) e não têm ação preventiva, ou seja, o crime cresce em progressão geométrica e a instituição Polícia em progressão aritmética, até porque a Polícia Civil é sucateada em todos os cantos. Seja a questão salarial, seja a questão de estrutura e a de preparo dos policiais.

Há uma velha disputa sobre se o Ministério Público é competente ou não para comandar investigações policiais. É claro que é. Só no Brasil se discute o óbvio em função de interesses políticos que se misturam a interesses do crime organizado. Um governador de estado é "comandante em chefe da Polícia Militar", logo dispõe de poder para reprimir manifestações populares, quaisquer que sejam a natureza dos protestos. Professores, estudantes, camponeses, trabalhadores no todo.

Boletins de ocorrência (que registram entre outras coisas ações da PM) são maquiados sempre que isso ou complica a ação policial militar, ou aumenta as estatísticas de homicídios, por exemplo, quando governos querem exibir números irreais e vender à população que o crime está sendo combatido e contido.

O promotor Paulo Roberto Mello Cunha, que atua no caso da juíza, afirmou que as investigações sobre boletins maquiados, entre o período de 2005 e 2011 mostraram pelo menos 56 casos em que esses relatórios que falam de resistência, ou seja, a vítima foi morta por "resistir" a ação policial, e as contradições entre o que escrevem os policiais e as conclusões da perícia pós laudo cadavérico indicam execução sumária. Perto de cem policiais foram denunciados pela juíza em suas investigações sobre esse tipo de prática e isso, num dado momento, resultou em queda de 70% dos relatórios maquiados, pois os policiais sabiam que estavam sendo investigados.

Em Minas, quando era governador Aécio Neves e a prática não deve ter mudado, o atual governador é preposto do ex, as instruções sobre maquiar relatórios para favorecer estatísticas que beneficiassem o governo eram conhecidas de todo, foram denunciadas pela mídia independente e total silêncio da mídia de mercado, toda no bolso do governador.

O julgamento dos assassinos da juíza Patrícia Acioli pode servir para uma discussão pública e ampla da questão de segurança pública, ainda mais levando em conta o banho que o crime organizado tem dado no governo paulista, para citar o principal exemplo, muitas vezes com envolvimento de policiais militares.

A grande vítima disso é o cidadão, o que paga a conta.

Discutir, por exemplo, maior poder dos municípios sobre o assunto com a criação das policiais municipais, o fim das PMs com a estrutura que têm e a criação de policiais civis dotadas de recursos, pessoal e salários capazes de transformarem a ação de governos em real e efetivo combate ao crime. Abrir maiores espaços para o Ministério Público nas investigações e transparência, pois muitas vezes os dados, os fatos, são omitidos da opinião pública com interesses políticos, ou até do próprio crime organizado.

No governo de FHC o ex-presidente falou num Plano Nacional de Segurança pública, nunca saiu do papel, pelo simples fato que nem foi discutido no Parlamento, nem foi levado a opinião pública, restringiu-se a quase tudo que caracterizava o governo FHC, urnas, distante do doutor Gurgel.

O que se vê hoje, levando em conta que vivemos num país capitalista, é o crime alcançando níveis de excelência em sua ação e a instituição Polícia inteiramente despreparada para combatê-lo, ou maquiando relatórios como a PM seja no Rio ou qualquer outro estado.

A juíza foi morta exatamente por isso. Por combater o crime organizado e percebê-lo forte e vivo dentro da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

É necessário levar em conta, além de ampla discussão em torno do assunto, que a mídia de mercado sobrevive, entre BBB e JORNAL NACIONAL, ANA MARIA BRAGA, FÁTIMA BERNARDES, etc, das grandes tragédias. Ao transformar o BOPE - BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - em espécie de solução para o combate ao crime organizado, estava e está apenas estimulando a violência, anestesiando a população para que aceite como normais práticas brutais de tortura, de execução sumária de criminosos e inocentes, as tais "balas perdidas".

Em determinados pontos do País, metrópoles como São Paulo, ainda que sem um acordo (que pode existir) escrito, especulação imobiliária e polícia andam de mãos dadas, vale dizer governos. É só lembrar Pinheirinhos.

Breve, cobrança de pedágio até para o trabalhador sair de casa, tamanha a força do crime organizado, seja pelo descalabro das políticas de segurança pública, ou por crimes como esse, contra a juíza Patrícia Acioli.

 

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