Editorial

AS DIFICULDADES DE AÉCIO

28 Março 2013
Laerte Braga
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"Òtimo". Foi com essa expressão que o senador Aecio Neves saudou os números da pesquisa que dão 58% de intenções de votos a Dilma Roussef nas eleições presidenciais do ano que vem e o deixa atrás de Marina da Silva, com 16%. Aécio é senador por Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do País e boa parte dos 1edo0% terão sido obtidos ali

O ex governador de Minas começa a encontrar dificuldades dentro de seu partido, sabe, a despeito das declarações em contrário, que Serra não o apoiará e Eduardo Campos, com 6% está bem próximo e próximo também de levar o apoio de algumas figuras do tucanato e do PMDB.

Aécio não é Tancredo, o governo de seu sucessor, também tucano, é um fracasso, e o senador mineiro, acusado de várias irregularidades, pode estar no limite de sua carreira política, o Senado, sem falar em sua fama de aventureiro o que traz à lembrança a figura de Collor de Mello. A comparação é inevitável tanto do alagoano com o mineiro como com o governador de Pernambuco, que, na verdade, joga para 2018.

Seria estranho se Aécio tivesse dito "péssimo". Mas deve ter sido o que sentiu.

Neste momento Eduardo Campos não é necessariamente o problema mais grave e preocupante de Aécio, embora seja um problema. Marina da Silva e seu jeito madre Teresa de Calcutá, essa sim, ameaça fazer um rombo de proporções elevadas no navio tucano.

O carisma que se atribui Aécio não parece ser mais que produto de marketing. Fora de Minas Gerais o senador não é quase nada em termos eleitorais e com Eduardo Campos, aí sim, no Nordeste, com certeza fica a deriva.

Atrair o PMDB é outra dificuldade. O partido é uma frente, tem o vice presidente e Dilma Roussef jamais abrirá mão de um político competente nas artimanhas e nos ajustes, como Michel Temer. Por maior que seja o descontentamento com o governo em seu partido, Temer leva a maioria consigo. São muitos cargos em jogo.

Pela primeira vez desde a eleição de FHC os tucanos poderão ficar órfãos na disputa pela presidência. Aliados até do PPS de Roberto Freire estão em debandada buscando rumos e bases mais seguras para sobreviverem.

É claro que uma pesquisa eleitoral medindo intenções de votos um ano e qualquer coisa antes das eleições de 2014 não significa nada. Mas é claro também que o governo Dilma Roussef consolidou as bases do lulismo e nada parece atingir a presidente. Qualquer hipótese que se formular sobre as eleições colocam Dilma como favorita

Um terremoto econômico de magnitude máxima seria o único fator a colocar em risco a reeleição da atual presidente o que vai representar 16 anos de governo petista e, certamente, criar dificuldades para qualquer oposição.

O "coronel" bolsa família parece estar funcionando a contento e como disse há dias um conceituado psiquiatra, "se há discordâncias no varejo, há concordância no atacado".

É um conceito interessante e os adversários de Dilma devem se debruçar sobre ele.

Mais ou menos como por maior que seja o osso, sempre há carne.

E para complicar a vida do senador mineiro o seu maior apoio dentro do PSDB é Fernando Henrique. É pouco. o partido hoje é uma colcha de retalhos com vários líderes ávidos de virarem presidente e ex, como já dizia um falecido humorista, "ex não é nada".

O paletó de Tancredo está ficando poído e o seu presumido herdeiro político começa a parecer um rei nu, quando fora das fronteiras de Minas, mesmo sendo cidadão carioca. Se solto em BH ou vai de táxi, ou não vai, não conhece a cidade.
 

2014 EM 2013

21 Março 2013
Laerte Braga
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O governador de Pernambuco Eduardo Campos deve ter tomado um susto com a última pesquisa do IBOPE e que confere um índice recorde de 79% de aprovação ao governo Dilma Roussef.

O susto de Campos deve ter sido maior ainda, quando se toma conhecimento que no Nordeste a presidente quatro pontos positivos em relação a última pesquisa.

Campos sabe que não tem cacife para ser presidente da República e alimenta o desejo de entrar como vice na chapa de Aécio (preferencialmente), ou de Marina da Silva. A julgar pelos dados atuais é fria em qualquer uma das duas opções. Nem se cacifa para as eleições de 2018. É poeira, ave de rasteiro, tiro curto.

É curioso ver os jornais da mídia de mercado dar destaque às andanças de Eduardo Campos, chamando-o de socialista. Uma das primeiras coisas que fez foi visitar empresários da FIESP – FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SÃO PAULO – e dizer que pode ser feito mais para os empresários.

Só se for doar o resto do País. O governo Dilma escora-se na sigla do PT, sugere-se de esquerda, ou centro-esquerda e vira o carro à direita nas privatizações disfarçadas e no autoritarismo da presidente. É só olhar o caso dos hospitais universitários que não aceitam a gestão da estatal criada para terceirizar esses serviços.

Aécio patina dentro do seu partido, até Alckmin (que quer ser candidato só dissimula) foge como a cruz foge do diabo do ex-governador de Minas, atolado em acusações de corrupção que só Joaquim Barbosa não vê. Não tem o apoio de Serra, do trêfego Roberto Freire (está colocando a legenda em leilão), por piores que sejam as dificuldades que Dilma vai enfrentar na área econômica, e vai enfrentar, o poder de fogo da presidente é maior que todos os outros juntos. E de quebra traz Lula a reboque e que, num último momento, pode vir a ser o candidato ao governo de São Paulo.

Campos é um boquirroto, vive seus quinze segundos de glória e talvez até consiga descolar uma vice ou na chapa de Marina ou na de Aécio (aí é mais difícil é um balaio de serpentes)

Vai surfando no afã da mídia de criar factoides para tentar assombrar o governo.

Breve cai no limbo dos que ficam seguros na brocha, enquanto alguém puxa a escada.

Dilma Roussef trouxe 2014 para 2013, consciente que seus prováveis adversários estavam se organizando no sentido de liquidá-la e às suas chances de reeleição, apostando numa crise econômica de grandes proporções.

Com medidas populares como o caso das cestas básicas, das contas de luz, foi além do que se podia imaginar até porque, no caso das contas de luz deixa Aécio vulnerável já que a CEMIG, companhia de Minas e da qual o acionista majoritários é o estado, aumentou as tarifas.

Mantém e amplia as políticas populistas de seu antecessor Lula e se prepara para voos mais altos, sempre um passo à frente do caos que reina na oposição. Não se importa sequer com repercussões negativas como a da omissão do PT na eleição do racista Marcos Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, sabe que isso não chega à massa de eleitores desinformados e ao contrário, tem consciência do poder do Bolsa Família, o coronelismo petista.

Se por sorte o Brasil ganhar a copa do mundo, aí deita e rola, embora o impacto disso não seja do tamanho que imaginam, é o que avaliam os institutos de pesquisas.

O fato é que as eleições presidenciais de 2014 vieram para 2013 e até agora a presidente vai levando de roldão todos os possíveis adversários, ainda mais se levarmos em conta que Marina da Silva e Aécio Neves são pândegos. E Eduardo Campos, ave de vôo rasteiro.

 

A UFANIA DO PAPA BRASILEIRO

14 Março 2013
Laerte Braga
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Odilo Scherer é a continuação do nazi-catolicismo de João Paulo II e Bento XVI e pior, com ênfase no Brasil. Escrevo correndo o risco do novo papa ter sido escolhido pelo conselho de cardeais. Se for o brasileiro o retrocesso vai ser bem maior do que se imagina. Essa ufania por um papa brasileiro é típica da alienação imposta pela mídia de mercado e ao mesmo tempo esse vai da valsa do brasileiro de achar – por conta da alienação – que somos os maiores e sempre os melhores, Juca Chaves tratou disso no final da década de 50, início da de 60 do século passado.

D. Odilo Scherer representa a truculência da Inquisição nos termos do século que vivemos (não pode mais usar o garrote vil lato senso, mas continua sendo empregado no método), a proteção aos pedófilos dentro da Igreja, representa sacramentar as fraudes financeiras no Vaticano e ignorar os escândalos sexuais revelados nos documentos secretos vendidos pelo mordomo de Bento XVI.

Toda a corrupção que obrigou Bento XVI a justificar uma renúncia por motivos de saúde, por idade, no duro mesmo, consequência do jogo de poder dentro da Cúria Romana, da falência dos podres poderes da Igreja Católica.

Se Odilo Scherer foi o escolhido ou for, a realidade não muda e a Igreja continua ladeira abaixo.

É possível um papa brasileiro, latino-americano, conservador (o termo é bondade, nazista) é claro que é. O Brasil considerado o maior país católico do mundo, vive um momento da ascensão das igrejas neopentecostais, uma perda substantiva de fiéis católicos para essas seitas (a despeito dos esforços da Renovação Carismática e de padres como Marcelo Rossi) e o País e a América Latina, um processo político que não interessa a Washington, principal controlador dos negócios da chamada Santa Sé, desde que Marcinkus comprou os votos para a eleição de Karol Wojtila, João Paulo II.

O arcebispo de São Paulo, ligado a OPUS DEI, cabe como uma luva nessa necessidade de manter o controle e trazer a Igreja Romana debaixo de tacões nazi-católicos. Se for ou foi o escolhido é o que significa.

A mídia de mercado aqui vai se deliciar com a eleição de Odilo Scherer, pois estará ganhando maior respaldo nas suas verdades-mentiras, nas distorções e no controle da alienação que transforma seres humanos em objetos.

O voto dos cardeais, qualquer que seja o resultado, no entanto, deve refletir o poder e o comando da OPUS DEI, uma sociedade secreta reconhecida pelo Vaticano e que no Brasil busca ocupar espaços maiores no mundo político (tem o governo do estado de São Paulo).

Se Odilo Scherer virou ou não papa nada vai mudar na Igreja como um todo, mas tudo vai desabar sobre o Brasil como punição, para usar a linguagem costumeira das religiões no seu afã de servir aos interesses de elites políticas e econômicas.

E não seria demasiado dizer que o próprio governo, de natureza populista e sustentado numa aliança tipo vale tudo, Dilma citou o diabo outro dia, é um engasgo na garganta de Odilo Scherer, que papa ou não, é um retrocesso em si e por si.

“Vença ou não vença, o Brasil é o maioral”, são versos de Juca Chaves em “CAIXINHA OBRIGADO”. Essa ufania papal é inclusive, ou foi, caso já tenha sido escolhido, alimentada pela histeria de Habemus Papa e é brasileiro.

Se isso acontecer, ou se aconteceu, não tenho dúvidas, Edir Macedo, Malafaia, Valdemiro e outros menores terão um rival implacável. Mas, em nada diferente deles.

 

VOU PRA MIAMI, DEPOIS DE MONTAR UMA IGREJA

07 Março 2013
Laerte Braga
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A revista FORBES, chamada de bíblia dos ricos, coloca o “bispo” Edir Macedo entre os homens mais ricos do Brasil. Não é novidade. E deve mostrar apenas a fortuna aparente.

Edir Macedo é dono de uma das maiores e mais sólidas franquias do mundo, a Igreja Universal do Reino de Deus. Mora em Miami e tem um prazer quase orgástico ao dizer isso nas entrevistas que concede.

. As chamadas igrejas evangélicas neopentecostais começaram a aparecer no Brasil na década de 60, século passado e chegavam junto com o leite em pó da Aliança para o Progresso, programa de “ajuda” a América Latina desenvolvido no governo do presidente Kennedy.

Trazia de tudo, desde agentes da CIA, a pastores norte-americanos e o leite em pó continha ingredientes que entre outras coisas promoviam a esterilização, ou pretendiam, de mulheres no Nordeste brasileiro.

Esses pastores chegaram aqui via Chile, no governo de Jorge Alessandri e aos poucos formaram pastores brasileiros, todos com objetivo de alienar pessoas em nome da fé e manter o processo político e econômico intocado, vale dizer, o Estado brasileiro controlado por banqueiros, grandes empresários e latifundiários.

Foi responsável pelo IBAD – INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA –-, uma organização de extrema direita responsável pela montanha de dinheiro despejado nas eleições parlamentares e de alguns governos estaduais em 1962, no afã de neutralizar a força do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), base do presidente João Goulart.

Macedo, a essa época era pai de santo num Terreiro de Umbanda na cidade mineira de Matias Barbosa e modesto funcionário público. Hoje investe furiosamente contra a Umbanda a despeito de tentar sofisticar práticas dessa versão brasileira das religiões afro, em suas igrejas-lojas franqueadas a pastores controlados a ferro e fogo.

É dono de um banco, uma rede de tevê aberta (nem a Igreja Católica conseguiu isso), vários “negócios” e foi para Miami depois de preso aqui por uma série de fraudes financeiras.

Mora tranquilo num paraíso que já abrigou Sérgio Naya e abriga máfias cubanas de drogas, norte-americanas de jogos, prostituição, paraíso do crime organizado. Foi em Miami, estado da Flórida que ocorreu a maior fraude eleitoral da história dos EUA e deu a vitória a George Bush, derrotado no voto popular e eleito no Colégio Eleitoral.

A igreja-empresa de Macedo é parceira, através de uma bancada chamada evangélica, na qual se faz representar, do governo da presidente Dilma Roussef e tem um Ministério. Não diz respeito a Ministério de fé, mas de corrupção.

Ao que se sabe, pelo menos aparentemente, desde a eleição de Lula as investigações sobre os crimes cometidos por Edir Macedo, ou não prosperaram, ou foram para as calendas. A impunidade está garantida, tanto em Miami, como aqui. E se espalha pela África, pelo Oriente Médio. Hoje tem forte presença também no poder Judiciário. É grande o número de juízes evangélicos.

O cristianismo e o judaísmo-sionista no Brasil hoje refletem o que acontece em todo o mundo, daí a importância de Edir Macedo e outras figuras para o conjunto dos senhores do planeta. Um acordo de livre comércio firmado com o governo terrorista de Israel pelo governo brasileiro, Lula, abriu as portas do País a um complexo movimento político e econômico de domínio de setores estratégicos pelo sionismo. A massa, transformada em objeto fica por conta das igrejas cristãs.

Edir Macedo, no duro mesmo, mantém um circo de proporções bilionárias (que me perdoem os circenses legítimos) dentro das características bem definidas pela chamada sociedade do espetáculo, em livro do mesmo nome do escritor e pensador Guy Débord.

Se a fé ou a ausência de fé é um direito legítimo, inviolável da consciência de cada um, a fraude em torno da fé é um crime cometido pelo capitalismo em sua guerra nada santa contra trabalhadores.

Não é surpresa que Edir Macedo esteja entre os mais ricos do Brasil.

 

A MÍDIA E A VERDADE

28 Fevereiro 2013
Laerte Braga
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Os casos de dengue triplicaram no mês de janeiro deste ano em relação ao ano passado. Minas é o segundo colocado nesse ranking de falência da saúde. Os mineiros não tomam conhecimento disso pela mídia de seu estado. É toda ela “estatizada” por polpudas verbas públicas. Uma censura que vem desde os tempos de Aécio Neves e se mantém intocada nos tempos de Antônio Anastasia.

A rigor, a saúde pública em Minas é propriedade do grupo Marcus Pestana, deputado federal eleito com os votos de ambulâncias. Os recursos aplicados na saúde, por força de artifícios contábeis são bem menores que os determinados pela Constituição Federal.

Pestana tem o sonho de ser o próximo governador do estado, no mínimo senador.

Jornalistas que se atreveram, no governo Aécio a desafiar o poder da “governadora” Andréa Neves, foram para o olho da rua.

Continua assim.

Deve ser duro para um jornalista que é considerado o melhor analista de política brasileira pela secretária de Estado Hilary Clinton, caso de William Waack, ter que entrevistar a figura bizarra da blogueira cubana Yoani Sánchez, invenção do esquema FIESP, para ouvir críticas insensatas e inacreditáveis, como por exemplo a que afirma que saúde e educação não são conquistas.

São os ossos do ofício, os ossos da submissão. O sujeito acaba tendo que se prestar a qualquer papel, até de “jurista de Vila Velha”.

Cerca de 500 famílias são despejadas por dia de suas casas. Acontece na Espanha. A mídia local não toca no assunto. São trabalhadores espanhóis que não conseguem pagar as hipotecas dos seus imóveis. O governo permite que os bancos promovam a execução e ainda subsidiam esses bancos, temerosos que venham a quebrar e causem um caos no chamado sistema financeiro. Capitalismo selvagem, desumano puro e simples.

É como uma execução mafiosa, um tiro na nuca e a célebre expressão “são só negócios, nada pessoal”.

Essa característica da mídia brasileira prefere optar pelo noticiário leve, o tamanho do bum bum da velha senhora de Vitória, por exemplo, decadente e em fase de transição para a senilidade, ou acatar a opinião do “jurista de Vila Velha, a ater-se aos fatos de real importância.

São poucos os que fazem leves referências ao roubo de documentos secretos do Vaticano, que especulam sobre o que conteriam tais documentos, a ponto de forçar a renúncia de um papa, mas enchem suas páginas de desenhos, infográficos, ilustrações, etc, mostrando como será eleito o próximo papa.

E a dúvida cruel. O coelho da Páscoa pode ficar sem papa. Até que ponto isso prejudica o comércio não sei, não deve prejudicar em nada, o peso da santidade hoje é menor que o valor de um ovo de Páscoa, uma estampa de Ana Maria Braga tem mais impacto que a cara de um papa, ainda mais se for Bento XVI.

Não se analisa, por conveniência, que a Igeja Católica, vive um processo de extinção não importa em que prazo essa extinção venha a se consumar. Mais dois Marcelo Rossi e o processo se acelera.

Os constantes assassinatos de trabalhadores rurais sem terra por pistoleiros do latifúndio é outro assunto proibido na mídia de mercado. Ou as terras roubadas aos Guarani Kiowas, nas decisões do STF, onde o ministro Carlos Fux, com acesso de “ministrite” convoca audiência pública para saber se a tevê fechada funciona dentro dos padrões democráticos, etc, etc. É só olhar a propaganda de uma das empresas, a Sky, para ver o martírio a que o telespectador, que paga, é submetido.

A mídia está longe da verdade, longe da isenção e liberdade de expressão é apenas uma forma totalitária de vender o capitalismo transformando o ser humano em objeto, máquina.

São poucas famílias, poucas máfias, a controlar todo o setor de comunicação. E muito forte, brutal, a reação diante da tentativa de uma nova lei de meios, que permita a democratização do setor. Rádio comunitária, por exemplo, se não for evangélica, é tratada como pirata e isso por um governo do PT. Que dizem ser o Partido dos Trabalhadores. Onde quem ganha a partir de um mil reais é considerado classe média, no milagre das estatísticas que seguem a risca o velho pensamento machista que “estatísticas são como mulher de biquíni, mostram tudo, mas não mostram o essencial”. É da lavra de Millôr Fernandes. Portugal, Espanha, Grécia e Itália naufragam no desespero das políticas econômicas recessivas, contrárias aos trabalhadores, tratados como animais e a mídia se esconde nas caçadas e nas amantes do rei da Espanha, ou no fato da rainha espanhola ter ficado excitada diante do jogador Puyol enrolado numa toalha, copa do mundo de 2010. É o milagre do espetáculo, qualquer dia desses a GLOBO convoca um conjunto de especialistas para analisar a excitação da rainha e seus motivos.

A mídia de mercado e a liberdade de expressão não combinam.

 

O MONOPÓLIO DA GLOBO

14 Fevereiro 2013
Laerte Braga
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As organizações GLOBO se opuseram de forma absoluta e com criticas constantes à construção do sambódromo no governo Leonel Brizola. No ano da inauguração decidiram não transmitir o desfile das escolas de samba, entre outras coisas porque Brizola disse que era um evento público, logo, aberto a quem quisesse transmitir. A MANCHETE dos Bloch foi lá e a audiência assustou a GLOBO.

De lá para cá e até conseguir os direitos exclusivos de transmissão, não com Brizola, a GLOBO detém o monopólio e transmite solitária, do jeito que quer, no horário que quer, o ponto alto do carnaval carioca.

Pior, além do privilégio a transmissão consegue que repórteres sejam pródigos em “seje, “esteje” e ainda entrevistem FHC bêbado (um assessor correu a tirar o copo do ex-presidente).

O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro é feito em local público, o poder público participa com recursos, além de empresas privadas e os direitos de negociar a transmissão são da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, atualmente, sob investigação da Polícia Federal. É parte do crime organizado. A associação da GLOBO com o crime organizado existe desde a fundação do grupo e se materializa de forma mais viva quando do golpe militar de 1964. Foi montada para dar suporte ao golpe, a ditadura, com capital de um grupo estrangeiro, fato denunciado pelo próprio Carlos Lacerda, à época.

Num flagrante desrespeito ao telespectador, o que é comum e usual na rede, a transmissão só começa após o fim do FANTÁSTICO, programa de horror que apresentam às noites de domingo e do capítulo da novela, segunda-feira, Vale dizer que algumas escolas são mostradas em rápidas passagens e é comum o destaque para aquelas cujos enredos enalteçam os feitos da rede.

Tem feitos notáveis. Apoiou a ditadura, silenciou quanto a tortura, escondeu enquanto pode a campanha pelas diretas já, os protestos poé pulares pelo impedimento de Collor e apresenta o programa de ficção jornalística, JORNAL NACIONAL, aquele que só noticia o que “não contraria os nossos amigos norte-americanos”, na visão de William Bonner, o apresentador e editor que rotulou o telespectador de Homer Simpson, o pateta.

Não será um governador como Sérgio Cabral, ou um prefeito como Eduardo Paes que irão rever e por fim a essa exclusividade na transmissão dos desfiles de escolas de samba. A ambos falta rigorosamente peito para isso. São mastins sem dentes da GLOBO.

É imposição que esse tema seja discutido. Que esse absurdo seja revisto. É fundamental que o telespectador tenha o direito de optar por transmissões onde não tenha que aguentar os comentários “preciosos” dos “entendidos” em samba que não têm a menor ideia do seja um pagode chinês, mas disparam a falar besteiras.´

É um dos exemplos mais gritantes, pelo peso que o carnaval carioca tem, o seu impacto como espetáculo já não tão popular assim, da importância de se discutir publicamente uma nova lei de meios para o País.

A comunicação não pode ficar à mercê de quem encomenda máscaras de Joaquim Barbosa e de repente as ditas encalham, pois ninguém tem a menor ideia do que seja, ou de quem seja, esse “paladino” da lei que esconde documentos e fatos jurídicos para exibir “provas” que mostram um outro Brasil. O Brasil da GLOBO e das elites.

Dos camarotes onde se regala a nobreza num espetáculo que acima de tudo deve ser popular.

 

A SEGURANÇA PÚBLICA

31 Janeiro 2013
Laerte Braga
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O julgamento dos assassinos da juíza Patrícia Acioli expõe boa parte da ação criminosa das polícias militares, que é prática em todos os estados da Federação. Polícia é uma instituição civil e como tal deveria ser no Brasil. Polícias militares se prestam a ações como essa, o assassinato da juíza, altos índices de corrupção (a PM do Rio expulsa mais de um por dia) e não têm ação preventiva, ou seja, o crime cresce em progressão geométrica e a instituição Polícia em progressão aritmética, até porque a Polícia Civil é sucateada em todos os cantos. Seja a questão salarial, seja a questão de estrutura e a de preparo dos policiais.

Há uma velha disputa sobre se o Ministério Público é competente ou não para comandar investigações policiais. É claro que é. Só no Brasil se discute o óbvio em função de interesses políticos que se misturam a interesses do crime organizado. Um governador de estado é "comandante em chefe da Polícia Militar", logo dispõe de poder para reprimir manifestações populares, quaisquer que sejam a natureza dos protestos. Professores, estudantes, camponeses, trabalhadores no todo.

Boletins de ocorrência (que registram entre outras coisas ações da PM) são maquiados sempre que isso ou complica a ação policial militar, ou aumenta as estatísticas de homicídios, por exemplo, quando governos querem exibir números irreais e vender à população que o crime está sendo combatido e contido.

O promotor Paulo Roberto Mello Cunha, que atua no caso da juíza, afirmou que as investigações sobre boletins maquiados, entre o período de 2005 e 2011 mostraram pelo menos 56 casos em que esses relatórios que falam de resistência, ou seja, a vítima foi morta por "resistir" a ação policial, e as contradições entre o que escrevem os policiais e as conclusões da perícia pós laudo cadavérico indicam execução sumária. Perto de cem policiais foram denunciados pela juíza em suas investigações sobre esse tipo de prática e isso, num dado momento, resultou em queda de 70% dos relatórios maquiados, pois os policiais sabiam que estavam sendo investigados.

Em Minas, quando era governador Aécio Neves e a prática não deve ter mudado, o atual governador é preposto do ex, as instruções sobre maquiar relatórios para favorecer estatísticas que beneficiassem o governo eram conhecidas de todo, foram denunciadas pela mídia independente e total silêncio da mídia de mercado, toda no bolso do governador.

O julgamento dos assassinos da juíza Patrícia Acioli pode servir para uma discussão pública e ampla da questão de segurança pública, ainda mais levando em conta o banho que o crime organizado tem dado no governo paulista, para citar o principal exemplo, muitas vezes com envolvimento de policiais militares.

A grande vítima disso é o cidadão, o que paga a conta.

Discutir, por exemplo, maior poder dos municípios sobre o assunto com a criação das policiais municipais, o fim das PMs com a estrutura que têm e a criação de policiais civis dotadas de recursos, pessoal e salários capazes de transformarem a ação de governos em real e efetivo combate ao crime. Abrir maiores espaços para o Ministério Público nas investigações e transparência, pois muitas vezes os dados, os fatos, são omitidos da opinião pública com interesses políticos, ou até do próprio crime organizado.

No governo de FHC o ex-presidente falou num Plano Nacional de Segurança pública, nunca saiu do papel, pelo simples fato que nem foi discutido no Parlamento, nem foi levado a opinião pública, restringiu-se a quase tudo que caracterizava o governo FHC, urnas, distante do doutor Gurgel.

O que se vê hoje, levando em conta que vivemos num país capitalista, é o crime alcançando níveis de excelência em sua ação e a instituição Polícia inteiramente despreparada para combatê-lo, ou maquiando relatórios como a PM seja no Rio ou qualquer outro estado.

A juíza foi morta exatamente por isso. Por combater o crime organizado e percebê-lo forte e vivo dentro da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

É necessário levar em conta, além de ampla discussão em torno do assunto, que a mídia de mercado sobrevive, entre BBB e JORNAL NACIONAL, ANA MARIA BRAGA, FÁTIMA BERNARDES, etc, das grandes tragédias. Ao transformar o BOPE - BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - em espécie de solução para o combate ao crime organizado, estava e está apenas estimulando a violência, anestesiando a população para que aceite como normais práticas brutais de tortura, de execução sumária de criminosos e inocentes, as tais "balas perdidas".

Em determinados pontos do País, metrópoles como São Paulo, ainda que sem um acordo (que pode existir) escrito, especulação imobiliária e polícia andam de mãos dadas, vale dizer governos. É só lembrar Pinheirinhos.

Breve, cobrança de pedágio até para o trabalhador sair de casa, tamanha a força do crime organizado, seja pelo descalabro das políticas de segurança pública, ou por crimes como esse, contra a juíza Patrícia Acioli.

 

O PCC É A SEGURANÇA PÚBLICA

03 Janeiro 2013
Laerte Braga
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O Conselho Executivo do PCC - PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL -, empresa paulista com ramificações em vários estados brasileiros, decidiu proibir o uso do crack nos presídios onde detém o controle acionário. Os executivos entenderam que a baixa qualidade da droga e os efeitos produzidos pelo seu uso colocam em risco os negócios de maior importância do grupo, despertando a atenção das chamadas autoridades, essas, por sua vez, controladas por empresas rivais (banqueiros, grandes empresários e latifundiários).

A decisão da cúpula do PCC já está valendo e deve diminuir a tensão nos presídios paulistas, evitando os danos temidos pelo grupo.

Empresas que operam no mesmo ramo e atuam em outros estados da Federação devem adotar medida semelhante.

Uma preocupação a menos para o atrapalhado governo paulista sob a batuta de Geraldo Alckmin, funcionário da carreira da organização OPUS DEI, um dos mais fortes e poderosos grupos a agir em defesa dos rituais, procedimentos, etc, etc, da Idade da Pedra Lascada.

As declarações do papa Bento XVI condenando o capitalismo devem ter algo a ver com essa decisão e logo o padre Marcelo Rossi vai estar lançando "crack não". Sucesso editorial com certeza.

O mesmo se pode esperar de importantes líderes do mundo do negócio religioso, os bispos Edir Macedo, Silas Malafaia e aquele que venceu tubarões e tsunamis para trazer a mensagem divina através de travesseiros vendidos a 300 reais, o bispo Valdemiro.

Não se sabe se a bispa Sônia Hernandes vai seguir a mesma tendência que o PCC acaba impondo ao mercado das ilusões e da barbárie, lançando o kit "livre-se do crack".

Essa decisão ainda acaba dando em Nobel da Paz.

A reação dos produtores de crack ainda não foi sentida, mas com certeza virá. Isolados, devem procurar apoio na bancada dos latifundiários.

Não significa que a venda de crack não vá continuar sendo feita em lojas, quiosques, becos, etc, pelo PCC. Significa que nos presídios não pode ser usado. As sanções para os transgressores são rigorosas.

A Bolsa de Valores de São Paulo deve refletir a medida em seus pregões nos próximos dias. Maconha, cocaína, heroína e ecstasy devem produzir alta surpreendente no mercado.

Uma associação de produtores, o que é proibido por lei, a formação de cartéis, não está descartada. As leis no Brasil valem para alguns e não valem para outros. Aí vai ficar a critério do ministro Joaquim Barbosa, principal dentre os paladinos da ordem. Uma espécie de grupo de Templários do século XXI, mas com toga, sem lanças e espadas em defesa da fé.

E da democracia é bom não se esquecer.

O mundo dos negócios teme baixa, mas nas ações da realeza britânica. Desde que o príncipe Harry foi fotografado nu em Lãs Vegas ao lado de uma dançarina nua, há preocupações do Partido Conservador e do primeiro-ministro David Cameron.

Essas preocupações se agravaram com as declarações de Gulbuddin Hekmatyar, ex-primeiro-ministro do Afeganistão, e conhecido como "senhor da guerra". Segundo ele "Harry é um chacal bêbado que mata inocentes no Afeganistão". A notícia foi publicada pelo THE DAILY TELEGRAPH.

Comentando um ataque de um grupo Mujahedin à base onde Harry brinca de soldado disse"que o príncipe viu que ele será o único a ser caçado e procurou um buraco para se esconder".

"Parece que as autoridades britânicas ainda sonham com os tempos do século XVIII e XIX e querem que seu embaixador seja tratado como um vice-rei e que seu príncipe saia de uniforme para caçar seres humanos e desempenhar o papel satânico que eles costumavam desempenhar no passado".

Boa parte da heroína que abastece o mercado mundial do produto vem do Afeganistão e grandes empresas norte-americanas e britânicas operam o negócio, um dos mais lucrativos do mundo.

No chamado mundo dos negócios legalizados o Brasil teve o seu pior resultado desde 2002, último ano do descalabro FHC. O saldo da balança de pagamentos foi da ordem de 19 bilhões de dólares, 35% a menos que o saldo de 2011.

Não procede, pelo menos por enquanto, a notícia que o gestor de finanças do PCC possa substituir o ministro da Fazenda, Guido Manteca e nem que o chanceler Anthony Patriot e o "especialista" Wellington Moreira Moreira Franco, respectivamente Relações Exteriores e Assuntos Estratégicos se preparem para deixar o governo. O que se sabe é que é alto o prestígio de Paulo Maluf na hostes petistas, pelo menos em São Paulo, matriz dos dois principais partidos políticos do País, PT e PSDB, mas quem vai pagar o pato é o deputado José Genoíno que não tem nada a ver com esse monte de trapalhadas ou equívocos empresariais.

De qualquer forma aguarda-se um pronunciamento do mercado financeiro sobre a decisão do PCC e o crack nos presídios.

 

O DESCALABRO AÉCIO, A FALÊNCIA DE MINAS GERAIS

27 Dezembro 2012
Laerte Braga
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Quem imagina que Antônio Anastásia governa alguma coisa em Minas está imaginando o que não existe. O atual "governador" é uma espécie de contador do ex-governador Aécio Neves e todo o esquema Aécio traz consigo.

Al Capone se estrepou quando seu contador abriu a boca. É pouco provável que Anastásia faça isso, os benefícios que cercam a entourage são grandes e ainda agora a CEMIG - CENTRAIS ENERGÉTICAS DE MINAS GERAIS - vai distribuir bilhões em dividendos aos seus acionistas. Em tese a empresa é estatal, na prática, a privatização suspensa no governo Itamar Franco ganhou foros extra-oficiais nos contratos secretos com grupos japoneses. Um processo de liquidação da CEMIG.

Foi criada no governo de JK, eleito em 1950, empossado em 1951 e governador até 1955, quando se desincompatibilizou para ser candidato a presidente da República.

Aécio transita hoje entre os grandes grupos econômicos nacionais e internacionais, já esteve com os donos do mundo em New York levado pelas mãos de Ciro Gomes (2010) e até agora é o preferido de FHC para disputar com Dilma as eleições presidenciais de 2014.

Com ou sem teste de bafômetro. Com ou sem Luciano Huck como candidato a vice-presidente. E na expectativa de uma aliança com Eduardo Campos, governador de Pernambuco e grande incógnita da política brasileira em nossos dias. Não pelo peso, mas tamanho desproporcional das pretensões.

Como Aécio é só neto. Nem um é Tancredo e nem outro é Miguel Arraes. São dinastias que nem sempre representam seus fundadores.

Os pouco mais de 3 bilhões que o Conselho de Administração da CEMIG aprovou para pagamento de remuneração a acionistas (1,6 bilhão referentes a dividendos extraordinários e 17, bilhão a juros sobre o capital próprio) refletem a revolta com a decisão da presidente Dilma Roussef e baratear o custo da energia e, ao mesmo tempo, acelerar o processo de privatização completa da empresa.

Foi decidido no governo Eduardo Azeredo, sustado pelo governador Itamar Franco e acordado entre Aécio e os grupos japoneses num processo que corre em sigilo. A decisão de Dilma só fez a turma apressar para salvar os anéis e que belos anéis, antes da entrega ao capital estrangeiro em caráter definitivo.

Os dividendos correspondem a R$ 1, 876 por ação e serão pagos em duas parcelas. A primeira, de R$ 1,2 bilhão, o equivalente a R$ 1, 407 por ativo, será paga até 15 de janeiro. O pagamento da segunda, de R$ 400 milhões, sendo R$ 0, 469 por ação, ocorrerá até 30 de junho.

Decisões como essa são tomadas com freqüência em períodos de feriados prolongados, ou festas que se emendam (fim de ano), o propósito é evitar reações desfavoráveis ou mostrar, expor, a grande jogada, que, na prática, num estado falido - Minas Gerais - falido.

Ao contrário da tendência do cassino Bolsa de Valores as ações ordinárias da CEMIG abriram, no dia 26, com alta de 4,95% enquanto a tendência do cassino registrava uma queda no índice principal da ordem de 1,10%.

Para garantir o esquema o governo de Minas vai pagar nos próximos dias uma dívida bilionária com a CEMIG, que, segundo o secretário adjunto da Fazenda é da ordem de 350 milhões de euros e já "estão sendo internalizados". Mais ou menos internar Minas num CTI onde as esperanças se reduzem a zero. Há uma semana o governo transferiu para a empresa 450 milhões de dólares, financiando obtido junto ao Banco Mundial - dívida que será paga pelos mineiros - e em janeiro chega a maior parcela dos financiamentos para "para acertar as contas com a empresa".

As informações são do secretário adjunto da Fazenda, Pedro Meneguetti.

Todas essas peripécias vão proporcionar um ano novo próspero a feliz a acionistas da CEMIG, uma baita dívida acrescida ao que já devem os mineiros e coloca o estado em regime de falência absoluta.

Qual vai ser a mágica para tocar o barco até as eleições de 2014 não se sabe. Mas na cartola de Aécio, do seu contador Antônio Anastásia, vai sempre existir um truque capaz de arrastar o doente em estado terminal a um ponto qualquer, onde possam apresentar um cadáver insepulto e transformá-lo em vivo exemplo de progresso.

Que o digam as goteiras e rachaduras do centro administrativo construído por Aécio para ser o centro administrativo de Minas e a grande pirâmide de um faraó que não se sustenta no teste do bafômetro.

É o descalabro Aécio, quer ser presidente, é a falência de um dos mais importantes estados da nossa Federação.

Quem sabe o procurador Gurgel e Joaquim Barbosa não tomam uma providência?

 

A VITÓRIA DE CHÁVEZ

20 Dezembro 2012
Laerte Braga
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Hugo Chávez, que a GLOBO aqui chama de ditador, venceu as eleições regionais da Venezuela em 20 dos 23 estados do país. Chávez se recupera de uma cirurgia para remover um tumor maligno na pélvis. Está em Cuba e seu estado é considerado delicado.

A vitória de Chávez é a reafirmação pelos venezuelanos do desejo de continuidade do processo revolucionário implantado pelo presidente desde sua primeira eleição.

A Venezuela hoje é um país onde o analfabetismo foi erradicado, a saúde tem níveis de primeiro mundo, a organização popular – o poder popular – se fortalece a cada dia, a reforma agrária é uma realidade e as riquezas naturais do país se materializam em benefícios reais para a população, seja em programas de moradia, de educação, de saúde, de lazer, cultura, enfim, um país livre e soberano, dono do seu destino segundo a vontade popular.

É escancarada a torcida dos seus oposicionistas (as elites econômicas do país) e dos grupos internacionais que até a ascensão de Chávez tinham o controle acionário da Venezuela, pela morte do presidente reeleito em menos de um mês para um novo mandato.

Qualquer que seja o desfecho do processo – a saúde de Chávez – a revolução é uma realidade e os resultados das eleições mostram isso.

Na prática, democracia sem adjetivos não tem lá muita importância para o imperialismo, para os norte-americanos, sínteses do poder capitalista em todo o mundo.

Têm sempre o argumento de algibeira para justificar ações golpistas (Honduras, Paraguai) e buscar formas de vestir governos outros com camisas de força (Colômbia, Brasil, Chile e Peru), que os mantenham fiéis na execução das políticas e nos interesses dos donos do mundo.

A vitória do partido chavista nas eleições do dia 16 de dezembro tem um significado ímpar para toda a América do Sul. É possível caminhar pelas próprias pernas sem necessidade de muletas norte-americanas ou nazi/sionistas (deitam e rolam nas ações do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A).

A derrota sofrida na Argentina com a lei dos meios, a que acaba com o monopólio das comunicações e as ameaças de golpe branco contra a presidente Cristina Kirchner são um exemplo desse tipo de ação “libertadora”.

A posse de Chávez para um novo mandato no dia 10 de janeiro, por enquanto, é uma incógnita e se isso não acontecer pode determinar a realização de nova eleição em 30 dias. E ainda assim o chavismo é favorito. Mas numa realidade diversa. Com uma oposição feroz e sem escrúpulos ávida de retomar o poder.

A lição que resulta desse quadro é simples. A construção do poder popular é decisiva para que o processo revolucionário possa não só se colocar em marcha, mas se consolidar para além de seus líderes, por maiores que sejam esses líderes e Chávez é um dos maiores em toda a história da América do Sul.

E é sobretudo uma lição para o Brasil onde os sindicatos, em sua imensa maioria, se transformaram em associações beneficentes. Onde boa parte do movimento popular acreditou na demagogia lulista de programas sociais que não mudaram e nem vão mudar o quadro político, econômica e social do Brasil, mantendo intocados os desmandos entreguistas do governo de Fernando Henrique Cardoso.

A própria caçada a Lula é exemplo disso. Não se tolera nem essa demagogia populista. O caráter perverso e cruel das elites não tem limites e não se detém diante de obstáculos por maiores ou menores que sejam.

A luta popular tem outra dimensão. O processo revolucionário não se restringe e nem pode ao espetáculo das eleições, ao show tecnológico das máquinas de votar (dão o resultado que os donos quiserem).

Outra lição que o Brasil pode aprender é que somos um país capenga à medida que avançamos na direção das mudanças estruturais necessárias, pelo contrário, patinamos nas alianças espúrias de um governo que em determinados momentos parece ter rumo, noutros se perde e se curva a banqueiros, grandes empresários, latifundiários e muitas vezes se refugia no apoio da fé movida a dizimo e perfumes que cheiram a Jesus.

É decisiva a percepção que a América do Sul num primeiro momento e toda a América Latina vive um momento decisivo em sua história e é hora de deixar de lado as incertezas, para construir a certeza do poder popular.

Se assim não o fizermos não seremos nunca capazes de fazer de fato o gigante despertar e caminhar.

Não adianta esperar das elites ou das classes médias a compreensão, por mínima que seja, do real processo de luta. Classes médias, por exemplo, têm orgasmos diante de um novo modelo de celular, ou uma nova tecnologia que se lhes permita imaginar que vivem a vida de um banqueiro, ou que tudo se resume a um churrasco no final de semana.

Ou uma visita a um shopping.

É hora de lutar a luta dos trabalhadores, de mostrar-lhes a realidade, de organizá-los e de caminhar. Pois como cantou Vandré, não se pode acreditar nas flores vencendo o canhão e nossa história precisa mais que ser passada a limpo. Precisa começar a ser construída pela ótica e pela determinação de trabalhadores de todos os campos.

A vitória de Chaves, sua própria saga têm esse sentido.

 

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Carlos Drummond
de Andrade

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