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SUPER-MULHERES QUE FIZERAM NOSSA HISTORIA DESDE 1830
Se
toda cidade tivesse a obrigatoriedade de registrar em sua trajetória
histórica as mulheres que deram sua existência em prol da própria
existência das cidades, acho eu que tudo seria mais belo em suas
memórias. Elas, através dos tempos fizeram com que a sociedade e coisas
se presenteassem nas suas lembranças e ações através dos tempos.
Bibliografar suas presenças, impor sua lembrança, tentarei, ao
nomeá-las.
Nesta crônica, falo em
muitas destas figuras e nunca é demais retornar ao assunto porque,
afinal se não fossem essas mulheres nenhum de nós estaria aqui para
escrever ou ler.
QUE CADA UM FAÇA SUAS BIOGRAFIAS
Sula,
Zizinha Moura, Titinha, Nhasinha (Alice Lacerda), Ilda Ramos, Jacyra
Durval, Myrsys, Thereza Pereira da Silva, Anita Parada, Lia Koop, Sonia
Rocha, Delza, Santa Lobo, Cici Mathias Netto, Honorina, Arlete Pinto,
Dioneia, Dinorah, Eleosina, Cirene, Flavinha, dona Senhora, Inês
Patrocínio, Etelvina Quinteiro, Dolores Soares, Santinha Marques
Monteiro, Carmen Sólon, Inezita Garrido, Consuelo, Julita, dona Afifi e
dona Fifi, dona Elisa, Durvalina, Detinha, Amelia Brasil, dona Cota,
parteira dos Cajueiros e mãe e Tinho Pedro Muleta, Letícia Peçanha e
Letícia Carvalho, Albertina, Ecila Lacerda, Brandina, Pastora, Noca,
Lala e Lilinha, dona Ermita. Zilda Aguiar, Angélica, dona Dega, Nilza
Mello, Berenice, Elea Tatagiba, Lopelina, Henriquieta Marotti, Iza
Franco, dona Delzinha, Maria K, dona Zélia da Bicuda Pequena, dona
Oscarina, Santinha Santos, Suraya, Zenita e Zelita, Maria Drumond,
Aracy Pareto, Iracy e Erecê, dona Lola, Estelita Lima, dona Maria
Castro, Ilda Barreto, Marieta Peixoto, Maria Jose e Emilia Peixoto,
dona dada, Wanda Gil e dona Rita, Irene Santos, Dalila Colares Quitete,
Anita Franco, Totinha, dona Cota, dona Pequena Almeida, Alvina Prata,
Conceição Prata, Carmem Quaresma, dona Concy e dona Duia, Ivone Manhães
Coelho, Maday, dona Nefta, Judith Cabeleleira, Maria Lucia Piersant,
Izaura e Conceição Ramos, dona Domingas, mãe de vovô, Palmira, Lucia
Magalhães, esposa do nosso Lealdino do Morro do Viaduto, Maria Jose
Guedes, dona Iracy Quaresma, Zezé, mãe de Ducha da J. Koop, Pepenha
Sueiro, Luiza Parteira da Barra, Altina Parteira do Centro, Adelayde
Bastos da Silva -a mãe dona- que nasceu em l830, morrendo em l947 sendo
raiz dos Silvas, Tavares, Ribeiros e Almeidas que habitaram e formaram
as raízes desta cidade.
Dona
Carmelinda Mattos, Maria Oliveira, mulher de Constancio que todos os
ferroviários dos anos 40 sabem de quem falo, Neuza da Silva França do
Miramar, Dona Artemia, Léa Macedo, Zezé Madureira. A busca por tentar
tornar eternas as presenças destas mulheres na história de Macaé não
tem sido fácil.
Embora suas
presenças vivas tenham sido, em sua maioria nos anos onde a cidade
tinha poucos habitantes, longe de facilitar a minha busca, se torna uma
missão muito desconfortável porque muitas senhoras podem ficar no fundo
frias no meu esquecimento. Se algumas não forem citadas que sejam
debitadas mesmo ao esquecimento porque não me move nenhum objetivo que
não seja contribuir para a história que vivi no convívio com elas ou
ouvindo delas por outras pessoas que me foram afetivas.
Tentarei,
no entanto, ao invés de nomear com bibliografias estas mulheres
históricas, na medida do possível apenas colocar seus nomes na
evidência de suas passagens na vida da comunidade macaense.
Se
alguma não for descoberta quero que seja entendido como esquecimento do
autor, que, afinal, trabalha com sua própria mente e fatos que
vivenciou ou que lhe foram passados ao longo de sua vida.
A
continuação das nominações futuras e merecedoras das novas mulheres que
estão forjando a vida da cidade, nos últimos anos, com a chegada do
desenvolvimento(?) fica para outros memorialistas.
As parteiras
Macaé,
até final dos anos 60, engatinhava uma vida pacata, com idas e vindas
de seus poucos habitantes. Ruas desertas, poeiras, cadeiras nas
calcadas, " bom dia, boa tarde e boa noite" faziam parte do cotidiano.
Muitas mulheres formavam as nossas raízes. Muitas vindo de cidades e
vilas vizinhas como Conceição de Macabu, Carapebus, Quissama, Glicério,
Frade, Sana, Trapiche, Cachoeira de Macaé, Bicudas, Airys, iam se
juntando as famílias que aqui residiam.
Parentescos
eram comuns à grande parte dos habitantes. Além do que as parteiras, em
grande número nesta época, recebiam da maioria dos moradores as
beijadas nas mãos em forma de benção. Era uma maneira afetiva das
crianças cumprirem ordens maternas na identificação de quem os fez
chegar ao mundo.
Parteiras da
Barra do Rio Macaé, do Centro da cidade, de Imbetiba, da Aroeira e da
Boa Vista eram reverenciadas afetivamente, da forma mais linda que uma
cidade pode oferecer a quem o fez nascer.
Com
o crescimento da cidade e a chegada de enfermeiras e médicos, elas
foram se tornando extintas na ação de seu trabalho, mas jamais deixaram
de estar presentes nas memórias de todos que tiveram o doce privilégio
de conhecê-las. É o caso de dona Durvalina, dona Elisa, dona Altina,
dona Luiza e outras tantas que habitaram esta cidade de curta memória.
Usar
os ternos de linho branco, passados e lavados por Pepenha, negra esposa
de Sueiro, era um orgulho para os senhores comerciantes dos anos 40 e
50. Que os diga seus descendentes. E o orgulho de ser abençoado por
alguma das nossas parteiras? Que falem quem tem mais de 50 anos.
'Educando, sorrindo, ensinando, educando....
A
luta dos ferroviários por melhores condições de vida e trabalho tinha
sempre lado a lado, ombro a ombro, mulheres como Neuza França, Maria de
Constâncio, Carmen de Walter Quaresma, e outras que, com a memória
aberta, relatarei.
O trabalho
árduo de alfabetizar dezenas de homens rudes, saídos das fornalhas e
fornos de Imbetiba, depois de um trabalho subumano nas garras do
capitalismo inglês era feito pelas professoras que se dedicavam a
ensinar a estes homens um pouco de leitura e carinho. E era dona
Calmerinda Mattos que abria junto com seus cadernos, lápis e borracha o
seu coração informando a todos estes bravos homens rudes dos anos 40 e
50 que havia um mundo também para quem soubesse ler e escrever.
Dona
Calmerinda marcava sua existência de uma professora, não formada, na
formação de gente que deu origem a várias descendências de Macaé. Como
ficar fora da lembrança o trabalho social e humano que dona Zezé, mãe
de Ducha, fazia no anônimo de sua vida? Ela, Neuza, Carmem e Maria de
Oliveira estavam sempre ombro a ombro com seus companheiros na batalha
por melhores condições de trabalho e vida.
O
sacerdócio na educação deve ter suas origens no trabalho carinhoso de
dezenas de mulheres que cimentaram a vida da comunidade de Macaé. Hilda
Ramos, Letícia Carvalho, Dona Madalena de seu Chisto, Jacyra de seu
Paulino Durval, Lia Koop, Dionéa, Dolores Soares, Letícia Peçanha,
Berenice, Elea Tatagiba, Henriqueita Marotti, Iza, Zélia, Angélica,
Santa Lobo de Cacheira de Macaé, Dalila Colares Quitete, Nefla ou Maria
José de seu José Carlos formavam, com outras dezenas de mulheres
professoras, o áureo cultural que ornavam as mentes de milhares de
jovens macaenses nestes anos de alegres encantamentos. Sucessoras de
outras mestras como Thereza Pereira da Silva, Anita Parada, Lucia Gama,
os pilares da educação de nossa cidade sempre estiveram fortalecidos
pelos dotes humanos destas mestras que, no esquecimento de algumas,
deixo para outros reescreverem fatos não relatados.
Pequenas
escolas isoladas, outras em casas das próprias mestras, era o comum
nestes anos que precederam o progresso (?). Os acordes do piano de dona
Honorina, de Inês Patrocínio, de Carmen Sólon, Maria Jose Borges Guedes
ou de Flavinha de seu Manduquinha, ainda devem sonorizar sonhos em
muitas cabeças macaenses embranquecidas pelo sereno da vida. Feliz
seria toda cidadezinha de interior que pudesse passar para seus filhos
as histórias que busco fazer vivas neste meu livro. Era hora de
desligar as televisões e sentarem nas saudosas cadeiras nas calcadas e
desfilar o cotidiano lindo dos imaginários vividos. Mulheres Raízes que
derem uma cidade de quase 200 anos merecem ser imortalizadas e
reverenciadas longe das homenagens frias do social. Apenas pelo
esquentamento de trabalhos com o social de suas existências.
Delza,
Terezinha Loureiro, Noca, Sila, Santinha de doutor Marques Monteiro
sobressaiam nas esquinas da vida desta cidade com atendimentos sociais
e afetivos que suas presenças faziam fluir. Detinha, a fiel companheira
de nosso Tonito, a baiana de Salvador que nas nossas ruas ainda caminha
com sua altivez e beleza.
Onde
poder deixar de fazer vivas as presenças destes vultos que nunca
morrem? Mulheres que fizeram nossa historia como dona Zezé Madureira do
Jorge Costa do O REBATE que tive a honra de suceder num tempo em que
jornal se fazia letra por letra. Gente anônima. Mulheres felizes e que
nos eram apresentadas como antecessoras de outras que fizeram tantas
outras vivências. Dona Dega, Delzinha, Oscarina, Pastora, onde se podia
ver a estampa da fidelidade e do afeto familiar no transbordamento de
seus olhares e cumprimentos.
Gente
que passeava em nossos corações e nem sabia que estava formando a
essência de uma geração forte e decididamente macaense. Inezita ,
Amélia, Magda, Etelvina,Zilda Aguiar, Albertina, Brandina, Lala e
lilinha, Cici Mathias Netto, Gilda Correia, Arlete Pinto jamais
poderiam imaginar-se essência de uma cidade que ficaria pequena nos
anos 2000, mas que jamais deixaria que as suas raízes ficassem
encobertas no subsolo de uma terra não fértil. Embora regadas com
poucas águas, algumas até com o suor ou as lágrimas das saudades, estas
senhoras se juntaram a tantas outras na formatação de uma cidade que
nunca deveria ter saído de sua pureza e beleza.
Nos
acordes da Lyra dos Conspiradores e da Sociedade Musical Nova Aurora,
ainda ressoam nas mentes as imagens de mulheres que souberam
sobressair-se numa época de puro machismo e paternalidades. Dona Lola,
Marietta Peixoto, dona Cota, Alvina e Conceição Prata se juntavam à
dona Pquena Almeida, a mãe de Bonga e a esposa de seu Murteira para a
formação de novos elos na corrente desta cidade que ainda não tinha
chegado ao seu Sesquicentenário. Morgadinha de Benedito Lacerda, Ondina
Lacerda, Doca, dona Nefla, Domingas Almeida e Domingas, mãe de Vovô e
Arthur faziam o caminhar diário por nossas ruas sem se aperceberem que
estavam fazendo história, que estavam espalhando à genética que iria
viver e reviver-se no desabrochar do século do progresso. Dona Palmira,
Dona Irece Meirellis, Judite Cabeleireira, Sara de seu Selino, pilares
de famílias inteiras de descendentes faziam parte deste pequeno grande
mundo de uma cidade de pouca lembrança.
Oneida
Terra, na busca de entender uma luz maior que vibrava na mente de seu
filho, criou uma instituição que honra toda uma comunidade. Usou o nome
do consagrado Pestalozzi e presta, com seu trabalho um lindo
favorecimento a centenas de pessoas carentes. A década de 80 primou-nos
deste belo trabalho de Oneida.
E
Beth Neves que transformou o aprendizado do Reik em maneira de levar a
doutrina do amor e da fraternidade em seus toques sutis de uma
luminosidade que só pessoas dotada destas energias podem irradiar e
fazer se presente. Mulheres mães, companheiras como Edith, Alice e
Talita, trilogia de uma genética de mulheres que deixam sua marca na
presença de atos que dignificam qualquer passado e fazem brotar
saudades nas lembranças.
Elas também são artistas
As
telas de Sônia Rocha, Anatalia, Rozanea Pimenta, Maria K., Carmen Lygia
e Consuelo jamais deixarão de existir no formato de suas representações
do belo sem que se possa esquecer que foram feitas no calor das
energias que sempre existirão em Macaé desde os primórdios da nossa
arte. Aqui repousa as manifestações artísticas de Takaoca, Olive,
Waldemar da Costa, Nilton Carlos, Jojo, Renaut e tantos outros que, ao
sol de nossos verões e ao vento das ilhas souberam colocar nas telas,
como estas senhoras o privilégio que poucas cidades pode oferecer no
belo de sua geografia. Feliz o Belegard por ter visto na nossa
geografia este singular belo. Raízes, mulheres e senhoras de uma cidade
Pura como bem o disse meu amigo Paulinho Mendes Campos, quando de sua
vinda atendendo ao chamamento do O REBATE . Paulinho, Jose Carlos
Oliveira, Olga Savani, Jaguar, Alberto Reis, Egberto Ginsmont,
Geraldinho Carneiro, faziam parte do júri do 1 o .Festival de Música
que, no final dos anos 60, o jornal O REBATE realizou.
O
ano era mesmo de 68. O olhar de Paulinho foi lhe dando a dimensão da
cidade que ele nunca tinha visto. Como todo escritor que se ilumina,
mesmo estando na presença de multidões, a mente de Paulo Mendes Campos
lhe clicou, quando de seu comentário em jornais do Rio de Janeiro, a
visão de Macaé como cidade pura. Esta pureza ele foi vendo ao olhar as
ondas mansas de imbetiba, ao contemplar as bravias dos Cavaleiros e, ao
fitar com recordações de sua própria infância em Minas Gerais, o
caminhar de moças e rapazes no centro da cidade, quando tomava café no
Belas Artes com Ary Duboc, seu velho amigo de boemia, nas ruas também
calmas de Ipanema. A visão de cidade pura que Paulinho retratava tinha
e tem muito a haver com estes relatos de gente dos anos 40, 50 e 60
nesta cidade.
Progenitora
A
respeitável presença de dona Ermitã Ferraz nas nossas ruas, seu vulto,
alto, caminhando pela rua do meio, indo e vindo no comércio fazia desta
senhora o que de mais belo se podia esperar. Responsável pela criação e
mãe de outros tantos ela nos deixou o legado de uma vida e uma genética
que espalharam por toda a comunidade sua descendência. Macaé nos anos
de 60 ate final de 70 se podia mesmo se considerar uma cidade Pura.
Mesmo com a destruição de imbetiba, berço de nossas historias e
alegrias, vulto de mulheres continuavam a bailar nas mentes de
historiadores e amantes do belo. Jane Martins Marialva Neto, Maria
Helena Pereló, Lenice Sucena, Dagnar Pereira (Mazinha) se faziam
presentes nos desfiles como nossas pirmeiras " Miss Macaé ".
Sonia Rocha, miss Bahia, sucessora de Marta Rocha, ainda não tinha
chegado em Macaé quando estas senhoras desfilavam. Era mesmo uma cidade
pura esta Macaé, hoje capital nacional de petróleo (?).
As
praias ainda tinham ondas com cheiro de maresia no Forte e na Imbetiba.
Os cocos que boiavam eram de algum mergulhador gozador que defecava
enquanto se sentia só no nadar solitário. A defecação multinacional,
saída dos navios ancorados em Imbetiba turvou as límpidas ondas e
jogaram para o fundo da lembrança o fim triste de uma linda praia. As
aulas de dactilogria, muito antes do computador que escrevo, deleto
gente e crio imagens, eram ministradas no velho casarão do seu Gastão.
Dona Myrss, dona Nancy eram as presenças em nossas horas de aula no
asdfg....;lkjh...
Bons tempos da
Hemintgon. Enquanto elas iam fiscalizar outros alunos a gente olhava
furtivamente, nos enganando, por debaixo da viseira afim de sair logo
do asdfg e Passar para outros exercícios. Mulheres vivas em lembranças,
como dona Dioneia de Jorginho Itaperuna, seu filho gênio que nos deixou
saudades.
Cidade de mulheres à
frente de seu tempo. Contadoras, comerciantes, companheiras, mulheres.
Nice Moura, Guiomar, Luiana, Conceição, Mary Jacaré, Iolanda França,
Estelita Lima ou dona Senhora. Mulheres que iam á luta e voltavam para
a luta da casa com filhos e companheiros. Merendeiras, professoras,
enfermeiras, comerciantes, vendedoras de sonhos como a meiga e doce
Julita, sogra do meu companheiro Waldyr Tavares. Mulher líder como dona
Elmira, nossa eterna mãe maior. Enfim, vou rebuscar esta minha cabeça e
tentar escrever mulheres de nossa historia, desde Adelaide Bastos da
Silva em 1830, passando pelas aulas de Santa Lobo e Alice Lacerda em
Cachoeira, até os dias que antecedem a chegada do Petróleo. Alice
Lacerda depois iria abrir em sua residência aulas juntamente com
Pierre, onde Angélica, Ecila e Moacyr do Carmo dariam os primeiros
passos no abc de suas vidas. Beirava o ano de 1920 estes últimos fatos.
Os Muros, os Lins e os Francos eram educados, nesta mesma época, em
Cachoeira de Macaé, Bicuda e Areia Branca por Santa Lobo.
Mais
tarde chegaram Iza, Zélia e outras para dar seguimento a esta linda
missão educacional. Ana Benedita, Irene Meirellis, dona Cirene, Déa
Coelho, Ivonildes Souza, Leda Marques e Vanilde, pacientemente iam
fazendo de suas vidas as histórias de nossa vivência educacional.
Curando chagas
Sula
Vieira nestes anos 60 e 70 fazia de suas madrugadas uma profissão de fé
e amor ao próximo. Das pernas de homens simples possuidores de chagas
incuráveis ela, com o divino manejo de dedos docemente leves iam
transformando em amor às horas de descontração de tantos quantos destas
chagas eram portadores. Gases, água e uma voz saída de seu interior com
preces ajudavam a mais um dia de caminhada pelos que iam, em filas, ao
Centro Pedro, em busca de afeto. Sula cantarolava, fazia preces,
brincava com estes pobres navegantes humanos, lindos em seus olhares de
gratidão por esta santa senhora. Sula não morreu, ela VIVE ainda em
todas as mentes que tiveram o privilégio de vê-la neste planeta de
sofisticadas loucuras e de poucas caridades reais.
Acolhedoras
Abrigando
gente, se fazendo por mãe de todos e com a divisão de seu alimento com
tantos quantos iam em sua casa, lá estava dona Santinha Marques
Monteiro. Foi ela que presenteou a cidade de Macaé com a queridíssima
Waltina, companheira de Cezar Jardim. Waltiva era tão linda em seu
interior e tinha um olhar tão meigo que aí por toda a cidade você pode
se esbarrar com seus descendentes. Chicão que o diga, não é, meu velho
amigo? Macaé deveria mesmo fazer algum histórico de suas mulheres,
principalmente de senhoras como Santinha e Waltiva. Abrigou dezenas de
jovens solitários por algum período de suas existências como o próprio
autor que escreve esta longa crônica. Maria Helena Salles e Ana Maria,
para não falar de outros tantos que eram misturados com seus filhos,
Geraldo e Alicinha, e abraçados como filhos também. A história de uma
cidade se faz com gente deste quilate e não com fantasias ocasionais em
matérias pagas em jornais de épocas. A verdadeira história de uma
cidade, não se escreve com 30 ou vinte anos de existência. Ela está
cimentada na busca de atos e fazeres que romperam os 50 anos e ficaram
gravados nas mentes de forma indelével.
Por
isso é que mulheres, companheiras e contemporâneas se sobressaem de
forma livre, cristalina e doce quando se procurar referir-se a estes
vultos femininos da historia de Macaé. Que outros façam suas historias
daqui 40 anos. Estas, no entanto é a nossa história.
Jacyra, a guerreira
Sempre
alheia ao que lhe pode ocorrer, mulheres se sobressaem em vários
setores do mundo macaense. Um dos muitos exemplos foi o de Jacyra
Campos. Deixou de lado, casa, visinho, parentes e um grande círculo de
amigos em São Gonçalo, RJ. Pegou a filharada, um montão de crianças,
colocou tudo debaixo de braço e disse : "Vou começar tudo em Macaé" .
Aprendeu bater foto, abrigou uma imensidão de criança, seus e os que
criava e veio fazer a cabeça de seu companheiro Lívio, que se empenhava
em lutar pelo povo como jornalista e fotógrafo. Guerreira, Jacyra
espalhou sua saga de mulher e os frutos ela colheu ainda em vida com
netos e bisnetos.
Ajudando aos explorados
Quando
o médico Julio Olivier atendia os humildes nos anos 20, ele o seu
irmão, também médico, Nelson Olivier, por detrás deles estava uma forte
mulher, dona Marietta Olivier, companheira de Julio que dizia aos seus
ouvidos: " vai, Julio, atenda a todos . São tão pobrezinhos, nem
dinheiro pro remédios eles têm" . Num destes atendimentos à pobreza de
Macaé. Nos anos 20, Julio, foi encontrado sentado num banco de jardim
da Praça da Igreja Matriz. O padeiro, pensando que ele descansava,
tentou acordá-lo. Estava morto o "Medico dos Pobres de Macaé" tentando
ser acordado por um simples padeiro de nossas ruas.
Era
assim com Maria Aparecida Costa com o Humanista Manoel do Carmo Lozada
nos anos 60. E com dona Santinha com o Sanitarista Marques Monteiro nos
anos 60. Mulheres macaenses sempre no empurrão das ações sociais de
seus companheiros.
Embaixadoras da cidade
Mulher,
companheira, amiga mulher. Nicle, esta mulher macaense que impulsionava
o escritor Luiz Lawrie Reid em suas beneméritas ações caritativas.
Nicle Reid um nome desconhecido na historia de Macaé. Também pudera.
Ela nunca quis aparecer. Nem quando seu marido, o macaense Luiz Reid
fez doações para a construção de nosso maior estabelecimento, ela quis
deixar sua presença. Apenas dizia que em cada mãe que tivesse visto o
filho estudar num colégio amplo arejado e, de preferência gratuito, ela
estava presente. Dona Nicla participava de nossa história no dia a dia
da paulicéia, onde morava. Mesmo depois de Luiz Reid ter deixado este
mundo ela mantinha contato com Macaé através de cartas e lembranças
desta terra, que ela amava e fazia questão de citar sempre em suas
andanças pelo mundo. Nicla Reid, uma mulher de nossas histórias. Uma
mulher esquecida por tantos e muitos que deveriam lembrar. As poucas
vezes que os Reids vinham em nossa cidade procuravam se deliciar com as
belezas de nossa culinária que ela, Nicla, não se fartava de elogiar em
São Paulo. Ela e Ecila, minha saudosa mãe, pareciam até representantes
da cidade em São Paulo, de tanto que falavam em nossos doces e pessoas.
Manjar de pudim com laranja da terra, de goiaba, de carambola, catada
no quintal, batatadas de batata doce, Pernambucano, Rocambole,
Bombocados, os cristalizados de Abacaxi, morango, abóbora, enfim eram
estas belezas que, chegadas em São Paulo eram servidas nas mesas dos
amigos e escritores que iam visitá-las em suas casas. Doces de mamão,
jaca, caju, amendoim e fruta pão completavam todo o ornamento macaense
nas tardes da paulicéia.
Para que não se percam
Nota:
Estas mulheres, pinçadas nas memórias do autor, estão presentes na vida
da cidade e seus descendentes competem biografá-las para a história.
Minha parte estou fazendo e, repito o que escrevi no corpo da matéria:
se alguém esqueci e sei de que o fiz com muitas, que sejam debitadas a
memória. Que alguém se lembre e faça como eu o fiz...
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Canal do dente inflamado! - Fiz canal no dente, botei pivô no dente, à 21 anos
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riostrenses) quando e...
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ser a próxima ...
Desejo saber quando será a proxima seleção para o curso de Eng. Ambiental à
distância e tam...
Seja bem-vinda!!! - Que o Brasil te receba de braços abertos, pela
pessoa/artista incrível q...
dor insuportavel - nao uporto essa maldita dor vou ao medico se deus quise vai
sarar estou...
qnd começa as inscriçoes para jovem aprendiz2009?quem souer m responda porfavor