|
Elisabete Silveira de Carvalho
|
|
04-Set-2008 |
Uma procura...
Sem saber o quê se quer achar....
E se achar?
Vai se contentar?
Ou vai se perguntar?
Vai o coração acalentar?
Ou vai ainda mais se despertar?
Uma procura...
Uma história...
Onde, como desvendar?
Onde buscar?
Porque buscar?
Quando achar?
E se achar?
O que fazer?
Só existe e existirá uma resposta.......VIVER
UM MOMENTO MÁGICO CIGANO
Momento esperado
Instante delicado
Palavras soltas no ar
Lágrimas pela face a rolar
O que não se sabia
É que do dia a dia, evidências
Fizeram-se transparências, e brotaram essências
Tão logo a música tocou
O coração disparou
A perna tremeu
E a dança aconteceu.
Passos simples e preciosos
Momentos maravilhosos
Movimentos bem definidos, não contidos
Lembrança...
Talvez, da alma de criança.
Um momento de liberdade, para florescer e surgir a verdade
Surpreendi-me
Quando em mim vi,
Lágrimas de emoção que gritavam do coração.
Nem mesmo se continham no peito
E não supunham outro jeito, de transformar
Uma longa espera, em um MOMENTO MÁGICO CIGANO
|
|
Bertolt Brecht | Tradução de Manuel Bandeira
|
|
28-Ago-2008 |
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fonte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo.
Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, - espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
|
|
Claudia Almeida
|
|
21-Ago-2008 |
uma flor feto,
uma flor criança,
uma flor moçinha,
uma flor mulher,
uma flor mãe,
uma flor avó,
somos flores por toda vida...
essencia da alma feminina no mundo!!!
que luta pelo amor incondicional,
no jardim do mundo!!!
Somos maioria ,há uma esperança
pois nossa luta prima pela vida humana !!
|
|
Ler mais...
|
|
Elisabete Carvalho
|
|
14-Ago-2008 |
|
O vento é livre...sopra como deseja
na direção que lhe convém,
com a intensidade que acha conveniente.
A chuva é livre...vem do mais alto
caindo no verde
ou no colorido
molhando o chão ou meu corpo.
A lua é livre... o sol é livre...
Porque não se encontram?
Dão uma volta enorme
Cada um ao seu tempo...
Mas nunca dão as mãos e
Não conseguem se tocar.
O infinito é grande demais
Mas é livre,
Ele direciona os olhares para o nada
E o nada também é livre.
O infinito leva amores
Traz desabores
Tranca emoções
Liberta corações
Mas, sou livre...
Livre para pensar, viver, sorrir, sentir...
Livre como o sol, a lua, o vento, a chuva....
Livre para usufruir da liberdade..
Livre
Somente livre.
LIBERDADE CIGANA II
Sou livre, como o vento que embaraça meus cabelos.
Sou a filha do vento que me colocou junto aos meus.
Sou livre como uma folha seca, que o vento leva... e leva...e traz.
Sou livre para dançar a favor do vento e com o vento.
Sou livre para sentir a música no meu coração e me expressar como ela vem.
Sou livre como um pássaro.
Sou livre para pensar.
Sou livre para dançar ao sabor do vento.
Sou livre para ser e estar além das minhas fantasias.
Sou livre para olhar o céu, a terá, o mar, as estrelas, o infinito, o horizonte e o sol.
Sou livre para bailar ao som de uma música vinda do meu íntimo.
Sou livre para sorrir e ser feliz.
Sou livre para ser eu.
E eu amo ser eu e amo viver a minha vida... que vai descortinando a cada pensamento, a cada momento, e me permitindo ser a cada dia, mais livre.
Elisabete Carvalho
Nasci em BH, MG,no dia 22 de agosto. Desde os meus 13 anos escrevo o que me incomoda, o que me faz triste, o que me alegra, o que me emociona....
Sou formada em Educação Artística com Habilitação em música, tenho curso de nutrição, e atuo como professora de artes e de música, em colégio da rede particular em Belo Horizonte, desde 1980.Atualmente, tenho uma OFICINA CULTURAL, onde ministro aulas de piano, flauta, iniciação musical, iniciação artística, e de dança.
Em 2001, editei meu primeiro livro de poesias....CIRANDINHA....o que me fez muito feliz e realizada....Em 2003, foi a vez do meu livro infantil...UM CIRCO TODO RIMADO...ARRUMADO.
muito obrigada pela oportunidade.....de expor minhas poesias, estas são as mais recentes.....e condiz com o momento que estou vivendo agora..... obrigada.
|
|
Jornal O Rebate
|
|
14-Ago-2008 |
Cecília Villanova nasceu em Caruaru-Pe em 1979.Aos dois anos de idade vem morar no Recife, onde até hoje reside.Começou a escrever aos 14 anos e aos 16 começa a freqüentar os recitais do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco,que surgiu no começo dos anos 80.Foi publicada em vários jornais alternativos de poesia, tais como:Balaio de Gato,Lítero Pessimista(onde foi co-editora em sua sétima edição),Poesia e Cia, entre outros.Co-autora dos folhetos Curtíssimo,Curta Poema e 2 em 1 Poemas.Autora dos folhetos Poetimargem e Poemas.Participou do CD independente Vários Poemas Vários - 25 Poetas Contemporâneos 1965-1999.Em 2003 publicou seu primeiro livro de poemas:Armazém Poético e está inserida na coletânea poética Marginal Recife III, Publicada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife.
CANTO DE AMOR AO POEMA
Mas, não emudecerão
Meus pensamentos
Nem secará a tinta de sangue
Que goteja de minhas mãos.
O poema , em mim, inunda
Tal qual um rio
Feito de de lágrimas,
Águas claras...
De onde emerge vida.
O PAPEL
Olhei-o de uma só vez,
Lá estava ele, branquinho...
Atirei-lhe os sentimentos,
Tornei-o vivo.
Já não era vazio.
Enchia-me os olhos-
Lá estava o pensamento.
Seu papel, seu destino,
Fôra para sempre destinado
Com um poema carimbado.
AUTO-EXÍLIO
Deu vontade
De ir embora,
Bater a porta,
Fechá-la para sempre.
Sair
E não me deixar entrar.
AVOZ DO POETA
Nós, poetas, somos instrumento
Para o povo,
Assim como todos os dias
O sol se faz necessário,
Também é a voz do poeta
Que, silenciosa, arrebata do peito
Em forma de revolução
E sai transfigurada no papel.
Reflexo
Quando as minhas mãos
Deixarem de ser acesas...
Serei mais que luz.
Estarei presentemente
Dentro dos teus olhos.
E aí me servirás de espelho.
E eu me verei
E tu te verás:
nos meus olhos
e nos teus olhos...
... o vento varria tudo:
varria o medo
varria meus pensamentos
e até o que eu não sabia
varria a solidão
com seus músculos sólidos
varria o tempo
varria a chuva
levando embora
algumas folhas de nossas vidas...
Dos órgãos dependentes
Sentimentos...
Não os sei passar para o papel?
Parecem que vão explodir
Da cabeça ao coração,
Do coração à garganta,
Da garganta à língua__
Farta , fértil ,frágil e singular.
Tempo
Como numa batalha avassaladora
Não tive medo.
Fui encontrar-me com o espelho.
Pensava que o espelho fosse
Baralho cigano.
Mas de cigano, só a minha vida...
É . O espelho não mente;
Ele mostra a nossa cara
Pra cara da gente.
Mostrou-me às horas
Que ficaram para trás
E que estavam estampadas
Nas rugas do meu rosto.
A esmo
...como é bom ficar distraída
a passar o tempo
olhando o tempo.
Como se o vento , leve brisa
Fosse carregando-me
Infinitamente
Para algum lugar
Sem limites...
Lá sentir-me nuvem...
Doce algodão,
A deslizar no céu
E só passar,passar, passar...
|
|
de Cleide Canton
|
|
30-Jul-2008 |
Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
|
|
Nilda Severin
|
|
02-Jul-2008 |
Ahhh...
Amanheceu, novamente.
E só percebemos ao abrir uma janela,
Que o sol está brilhando,
E que doce é a aragem da manhã...
Do meu coração ele fugiu..
O ódio ameaçador!!.
Nele também, o desamor deixou de existir....
No coração há sangue, veias, VIDA.
E tudo, depois de um riso que escapa,
Um riso de mim mesma e da situação,
Tudo, de repente, sem esforço e sem aviso...
Voltou a ser como era antes...
NildaSeverin
|
|
Eloisa Menezes Pereira
|
|
25-Jun-2008 |
Sentimentos atados
08/06/2008
Incorporando desafios
Pontuam os direitos
Descartados pelo poder
Referendam seus deveres
Permitindo o retorno
Retiram da cidadania
O contraponto social
Deleitando-se na participação!
Caminhos anestesiados
08/06/2008
Livre das algemas
É ter segurança
É por ir e vir do medo
Socializar é cidadania
Sentindo a presença do dever
Gerando resultados
Esquecendo da desigualdade
Desafiando as expectativas
Conferem os direitos
Acelerando a História
Determinam à vitória!
ESSÊNCIA DA CONQUISTA
08/06/2008
Na magia da vida
Sonha a beleza
Embalando nas oportunidades
A esperança acolhida
O dançar das emoções
Identifica a ausência
Encantando a natureza
Silencia a razão
A imaginação reanima
Fazendo a diferença
No encontro da felicidade
Sobrevive da igualdade.
Mediadora do tempo
08/06/2008
No outono da vida
Sementes sinceras
Germinam a Criação
Transformando a inovação
Nas belezas das formas
Reaparecem a produção
Modificando o coração
Transplantam a saudade!
Resgates
08/06/2008
Devastando os sentimentos
Alterações surgem
Cultivando a liberdade
Sobrevivem da desigualdade
Nas estradas do tempo
Valores se poluem
Provocando a transformação
Descartam a escravidão
Renovação
08/06/2008
Sentimentos sombrios
Cidadãos resgatados
Degustam seus direitos
Silenciando os efeitos
Nos corredores do tempo
Olhares indefinidos
Salpicam os deveres
Na máscara da História!
|
|
Jornal O Rebate
|
|
11-Jun-2008 |
l Fernando Pessoa
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
[O QUE ME DÓI NÃO É]
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
5/9/1933
l Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
I
Eu nunca guardei rebanhos,
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
(...)
8/3/1914
l Ricardo Reis
[VEM SENTAR-TE COMIGO, LÍDIA]
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
12/06/1914
l Álvaro de Campos
LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
[O BINÔMIO DE NEWTON]
O binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó--- óóóóóó óóó--- óóóóóóó óóóó óóóó
(O vento lá fora.)
|
|
Livingstone Pinheiro de Rezende
|
|
04-Jun-2008 |
(No lance de PAN)
Eu quero tudo sem a desventura
de bravejar sem que ninguém escute,
mas um bafejo vem da noite escura
dizendo:
LUTE!
E a ilusão, que ao presente emoldura,
faz-me temer antes que a fera ruja
o seu bafejo de verdade pura
dizendo:
FUJA!
Em paralelepípedo sem norte
meu pé de vento nesse vão se vira.
A fera horrível, no planeta, gira
dizendo:
MORTE!
Mas num milissegundo de fulgência
A consciência, impondo-se luzida,
vergasta a fera e dissolve a demência
dizendo:
VIDA!
Foge assustada a que assustava os seres
do Eu que é TU, ELE, NÓS, VÓS, ELES.
A consciência rebenta os espelhos
dizendo:
VELHOS!
Já sem o louco enfiado entre nós,
para que a si o meu corpo retome,
sorrio-me abraçando-me a sós,
dizendo:
Livingstone!
Livingstone Pinheiro de Rezende
São João de Meriti - 03/06/2008
|
|