EM DEFESA DE CHE GUEVARA E O FASCIMO DA REVISTA VEJA-NASPERS

William Wollinger Brenuvida (*)

Após ser enxovalhado, pela Revista Veja-Naspers, numa matéria parcial e eminentemente fascista, eu não poderia deixar de defender a memória do líder revolucionário Ernesto “Che” Guevara Lynch de La Serna. Me junto aos amigos e idealistas de um mundo justo, fraterno e livre na defesa daquele que, entre nós, foi um dos humanos mais completos do século XX.
 
O companheiro Ernesto lutou por uma América Latina unida e soberana contra a opressão dos regimes ditatoriais impostos pelos Estados Unidos da América. Foi vitorioso em Cuba ao lado do amigo e também revolucionário Fidel Castro, mas tombou em combate na primavera de 1967 em terras bolivianas numa ação orquestrada pela CIA (agência de inteligência americana).
 
O jovem “Che Guevara”, apelidado pelos amigos de infância e juventude de “fuser” – união de “el furibundo”, em português “o irado” com seu sobrenome “Serna”, em decorrência do estilo agressivo de jogar o rúgbi – sofreu de asma, mas desenvolveu o gosto pela medicina, aventura e justiça. Cruzou a América do Sul duas vezes.
 
Médico, revolucionário, político, escritor. A ele estão atribuídas diversas frases, entre as quais três que se tornaram tão imortais quanto a fotografia de Alberto Korda em 1960: "hasta la victoria siempre" ("Até a vitória sempre"); “O verdadeiro revolucionário é movido por um profundo sentimento de amor”; “Os poderosos podem destruir uma, duas, três rosas... mas, jamais poderão impedir a chegada da primavera”.
 
AS FALACIAS DA REVISTA VEJA-NASPERS
 
A reportagem da Revista Veja é atroz e acoberta uma manifestação fascista. Ao ofender a imagem e memória de “Che Guevara”, a revista que tem como sócio o grupo Naspers e reforça uma propaganda utilizada na África do Sul de perseguição aos grupos e ideais socialistas e democráticos. Através de Peter Botha, líder racista sul-africano, promoveu o apartheid ou regime de segregação racial impondo as etnias negras  a violência e opressão sem limites por longos anos.
 
Outros dois momentos em que Veja fora parcial e coberta de visão mediana e racista: na matéria sobre os Guarani de Morro dos Cavalos (Palhoça/SC); e no especial sobre o Estatuto do Desarmamento. Um dos meninos-propaganda da revista é Diogo Mainardi, que se intitula iconoclasta (destruidor de ícones ou símbolos), mas nada constrói Esse jornalista utiliza o espaço da revista para perseguir e atacar personagens como São Francisco de Assis, Lamarca, Alberto Dines, Luis Inácio Lula da Silva, entre muitos que considera um risco ao Brasil.
 
Precisamos urgentemente de uma imprensa livre e democrática que discuta, ensine, aprenda e construa com a população. Mas, enquanto houver canais que “doutrinam” ao invés de instigar o conhecimento e a liberdade, haverá o império da cabrestagem – prática desenvolvida no país, assim como a lei da mordaça, há mais de um século.
 
Apóio mais do que a iniciativa de impedir a circulação de Veja. Insisto haja uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a venda da Revista Veja ao capital internacional, mormente, a um grupo que foi o esteio do regime de apartheid racial na África do Sul e tem por escopo a manutenção do apartheid social no Brasil.
 
CONTINUIDADE DA LUTA REVOLUCIONÁRIA
 
Sentimento ambíguo nos 40 anos da morte de Ernesto “Che” Guevara Lynch de La Serna (14/06/1928 – 09/10/1967). Tristeza pela morte prematura. Alegria em saber que o ideário de justiça, partilha e fraternidade está naqueles que ousam um “admirável mundo novo”. Não haverá outro caminho à humanidade senão repensar o modelo consumista e degradante. Modelo que precisa e se abastece da violência, da fome e da miséria.
 
Enquanto houver quem se levante contra as infâmias e as falácias patrocinadas por aqueles que bancam o abismo entre pobres e ricos; que impendem a justiça social e a liberdade de expressão; que usurpam a população em troca do pão e circo, haverá o rebate, a condição de mudar a sociedade através da consciência e perseverança.
 
* William Wollinger Brenuvida é escritor e poeta, autor de O Menino e as estrelas (Univali, 2003). Bacharel em Direito e Especializando em Processo Penal. Integrante da Academia de Letras de Governador Celso Ramos (SC); membro titular da Apremag – Associação de Preservação do Meio Ambiente de Governador Celso Ramos e do CBHRT – Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tijucas. Foi Diretor da Vigilância em Saúde do município de Governador Celso Ramos (2005/2007).