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Morte determinista

(Luzes do Além)

Em filosofia, estamos a ponto de superar o determinismo. Vamos nos lembrar do famoso demônio de Laplace, demônio no sentido de força superior que nos comanda contra a nossa vontade: "se conheço tudo de um sistema num determinado momento, poderei prever exatamente o que vai acontecer no momento seguinte". Perfeito. Só que não conhecemos e provavelmente nunca conheceremos todos os elementos de um sistema para fazer tal previsão. Assim, julgamos que a história de um sistema é aleatória, a menos que, por trás da aparente casualidade, exista uma determinação que escapa à nossa inteligência.

Luzes do Além (White Noise 2: The Light, EUA/Canadá, 2007), dirigido por Patrick Lussier, mostra o determinismo da morte, tal como a tripla seqüência de Premonição. A idéia da história, escrita por Matt Venne, é que o ser humano tem liberdade para interferir na morte, impedindo que ela aconteça, mas pagará um alto preço por esta intromissão indébita nas questões do Além. Melhor, nos assuntos de Lúcifer, pois vigora no filme a concepção de que a morte é coisa do Demo, e não de Deus.

Nos três episódios de Premonição, a morte, ela mesma, e não qualquer emissário, vem cobrar o que lhe devem, não deixando os intrusos impunes. Em Luzes do Além, idem. A esposa e o filho de Abe Dale (Nathan Fillion) são assassinados em público por um estranho sem que ele possa entender e impedir o crime brutal. Logo em seguida, o assassino tenta o suicídio. Inconsolado com a perda, Abe também tenta se matar, mas sobrevive. Sua experiência com a morte e a ressurreição (fenômeno conhecido por Experiência com Quase-Morte — EQM) passa a ser uma transgressão e, em conseqüência, ele ganha o dom de prever a morte das pessoas só de olhar para elas.

Este poder sobrenatural cria-lhe embaraços. Abe não sabe lidar com ele e, como os super-heróis de Stan Lee, tem de estudar. A partir de então, ele tenta impedir a morte das pessoas na iminência dela, inclusive a de Sherry Clarke (Katee Sackhoff), a bela enfermeira que tratou dele no hospital. A relação entre ambos é complicada pelo seu sentimento de culpa e pela tentativa de decifrar o enigma.

Após esforçar-se para impedir que os salvos da morte por ele acabem trazendo a morte a outrem, Abe se dá por vencido. Espectros de mortos o cercam o tempo todo e ele deve cumprir o seu destino. O filme de terror, que, segundo informações, dá continuação ao deplorável Vozes do Além (2005), agrada ao público no que diz respeito ao medo que infunde. Por todos os títulos é um filme de terror, por combinar sobrenatural e medo. Todavia, abre caminho para mais três, explorando os sentidos humanos: Tatos do Além, Odores do Além e Sabores do Além.

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