Portuguese Português

Falta inteligência à política de segurança

Bastou as eleições passarem para os cariocas perceberem que a segurança não vai tão bem quanto o governador alardeava durante a campanha. Arrastões, assaltos e carros queimados voltaram a fazer parte da rotina da cidade. Sérgio Cabral e seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, foram incisivos na justificativa: a repressão nas favelas levou os bandidos a atacarem nas ruas. Sim, a explicação faz sentido. Mas o que fazem os setores de inteligência das Polícias Civil e Militar? Não é papel dessas áreas detectar possíveis ações de criminosos? A população paga o preço de uma política de segurança em que o marketing é tão importante quanto a eficiência.

Não há mais dúvidas com relação à importância das UPPs para as comunidades onde foram instaladas, já que os moradores se livraram do domínio dos traficantes. Existem muitas dúvidas, porém, quanto às próximas medidas a serem tomadas. Durante a campanha à reeleição, Sérgio Cabral optou por se omitir da discussão sobre o futuro da política de segurança. Preferiu o caminho mais fácil: exaltar os resultados já alcançados.

Dizer que os arrastões pela cidade e os carros queimados na Linha Vermelha são um movimento de reação dos traficantes é revelar uma obviedade. Disso, prezados governador e secretário, nós já sabemos. Queremos saber o que está sendo feito para impedir os ataques, além da reação previsível de aumentar o efetivo nas ruas. Os policiais estão preparados para enfrentar uma situação de alto nível de estresse? O setor de inteligência vai ajudar na prevenção de novos crimes?

Os anos de desmando na segurança pública do Rio de Janeiro são uma herança maldita que o governo estadual é obrigado a carregar. Para vencê-la, é preciso mais trabalho e menos publicidade. É necessário investir em estratégia, inteligência e investigação. Ocupar as favelas é apenas o primeiro passo de uma longa e difícil caminhada.
publicidade
publicidade
Crochelandia