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Fogo na floresta

Foi uma longa entrevista, que ocupou uma página inteira do jornal Valor Econômico na segunda-feira (17/5), com direito a chamada na primeira página. Trata de assunto fundamental para as chances brasileiras de desenvolvimento sustentável, revela uma visão no mínimo controversa por parte do entrevistado e não produziu nenhuma repercussão no resto da imprensa.

Trata-se da entrevista do senador Aldo Rebelo, do PCdoB, relator do projeto que altera o Código Florestal. O senador tem que entregar seu relatório até o final de junho e algumas de suas recomendações deverão provocar muita preocupação entre os especialistas em preservação ambiental.

Rebelo não esconde seu preconceito contra as organizações não governamentais dedicadas à defesa do ambiente. Fiel ao ideário de seu partido, considera que muitas delas são braços de interesses estrangeiros cujo objetivo seria impedir o crescimento da economia brasileira estrangulando a agricultura.

Para o senador comunista, os esforços para limitar o avanço da fronteira agrícola em direção à Amazônia são parte do interesse estrangeiro contra o Brasil. Ele cita especificamente o Greenpeace e afirma que a organização está interessada em se apropriar dos bens dos brasileiros.

Mais atenção

A intenção do relator da proposta de mudança no Código Florestal, segundo declarou ao Valor Econômico, é "criar uma base de legislação que deixe o agricultor em paz". Numa de suas mais polêmicas decisões, Aldo Rebelo anuncia que irá propor a transferência para os estados do poder de legislar sobre a questão ambiental.

Sua tese pode ser considerada inconstitucional e perigosa do ponto de vista dos ambientalistas, uma vez que na maioria dos estados onde as perdas florestais são grandes, como Santa Catarina, Rondônia e Mato Grosso, predominam forças políticas contrárias à preservação.

Num momento em que o mundo busca soluções para mitigar os efeitos da devastação produzida nos seus recursos naturais durante as últimas décadas, o Congresso Nacional ameaça propor mudanças controversas na legislação de proteção ambiental.

A posição adotada pelo senador Aldo Rebelo merece mais atenção da imprensa, até porque ele afirma que dois dos principais candidatos à presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff e o ex-governador José Serra, seriam favoráveis à sua proposta.

No mínimo, a imprensa deveria ouvir as opiniões divergentes.

(Envolverde/Observatório da Imprensa)
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